Basta nos atermos um pouco aos noticiários, às rodas de conversas, tanto em círculos acadêmicos, quanto naquele bate papo travado em mesas de bares, para chegarmos a conclusão de que a centralidade da Educação é inquestionável! No planejamento familiar ela é prioridade, ao ponto das famílias mais humildes depositarem todas as suas economias na formação dos seus filhos. E nas políticas governamentais a educação também aparece como uma mediação fundamental entre a situação atual do país e o futuro a ser construído. Com tantos círculos onde o processo educativo aparece em questão, uma dúvida se colocou para este autor: será que todos esses círculos, ao dedicarem tamanha importância à educação, estão de acordo quanto ao seu significado, i. é, será que todos eles têm a mesma concepção de educação? E os esforços empregados para compreendê-la e adquirí-la têm os mesmos fins na visão de cada um desses círculos? Será mesmo que os investimentos governamentais apontam para um modelo de educação que se efetive como um processo emancipatório?
Na tentativa de alcançar resposta para todas estas perguntas publicaremos a partir deste ensaio uma série de reflexões sobre o assunto, que se desdobrará em outras quatro postagens. Em cada uma delas abordaremos temas diferentes, mas que estão imbricados na problemática que aqui nos propomos abordar. Na primeira, tentaremos apresentar aquela que, para nós, é a verdadeira definição de educação. Para tanto recorreremos à algumas experiências pedagógicas famosas na história do pensamento: a paidéia (formação) grega e a Bildung (educação) do idealismo alemão. Na segunda o intento é refletirmos um pouco sobre as políticas de inclusão no ensino superior, que ora ganha destaque nas discussões governamentais. No terceiro ensaio da série, buscaremos encejar um debate sobre o modelo tradicional de educação e a educação não formal. Esta por sua vez também tem ganhado destaque nas projetos político-pedagógicos governamentais como é o caso das experiências do programa PRO-JOVEM e PRO-JOVEM CAMPO, dentre outras. E por fim chegaremos às vicissitudes que a educação vem alimentanto no Jequitinhonha. Neste último, por opinião desse autor, o que se terá em mente é a possibilidade de aliar aos modelos de educação – formais e não formais -, existentes no vale, algum tipo de prática que incentive a participação dos educandos em movimentos sociais, culturais e políticos a fim de se corroborar com o processo de (r) evolução que os sujeitos de nossa região vêm reproduzindo à décadas, no enfrentamento do estigma de “vale da pobreza”, que culminou na visão de um “vale de cultura”.
Cabe ressaltar, de antemão, que o nosso ponto de vista, é sempre o ponto de vista da emancipação humana: E ”toda emancipação é redução [restituição] do mundo humano e suas relações ao próprio homem” (Marx: 2010, p54). Do ponto de vista da emancipação humana a educação é um dos processos de maior valia, para se atingir os fins desejados. Entretanto, para que ela efetive como um processo emancipatório é necessário que o ser humano seja entendido como base de todo o processo educativo. A educação não é uma mercadoria mas um processo de hominização, ela não deve educar para o mercado de trabalho, mas para a vida. Não que a qualificação de mão de obra não seja, em nosos tempos, fundamntal para o progresso e para o desenvolvimentismo do qual nos vangloriamos. Os interesses desse autor é encontrar a raiz mesma da educação e questioná-la e talvez indentificar modelos que ainda tem em vista preparar os sujeitos para relações humanas verdadeiras, e não para a simples venda da subjetividade humana no mercado de mão de obra por condições mínimas de subsistência.
Neste ponto não tenho receio de ser lido sob o rótulo de idealista. Tenho certeza que os leitores mais interessados na construção de possibilidades históricas, que façam frente ao sem sentido que vem se mostrando ser o modo de vida comtemporâneo, entenderão perfeitamente que estes ensaios tem por objetivo apresentar reflexões pessoais em busca de alternativas para a produção e a reprodução material e espiritual da vida, no vale do Jequitinhonha e em todos os cantos onde pulsar um coração humano. Nossas reflexões são mais questionamentos do que proposições! Assim o porque da educação, para nós, está em preparar as condições de possibilidade de o ser humano traçar novos projetos históricos para além da imediatismo ideológico do qual padecemos atualmente.
Certo de que a educação é um tema que recebe atenção de todos, esperamos encontrar interlocutores interessados em expor suas próprias opiniões acerca do tema e confrontá-las e/ou somá-las às nossas no intento de encontrarmos argumentos, não definitivos, que nos orientem em nossas condutas, seja na educação de filhos, de alunos, de militantes, etc.
Notas do Autor:
[1] A imagem é do Fotógrafo Sebastião Salgado e foi encontrada na internet através do motor de busca Google.
[2] A Citação de Marx foi extraído da edição brasileira de Sobre a Questão Judaica (MARX, Karl. Sobre a Questão Judaica. Tradução de Nélio Schneider, Boitempo Editorial, São Paulo, 2010.). Existe uma versão disponível para Dowlowd emMarxists.Org.


