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	<title>Blog Onhas</title>
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	<description>Notícias do mundo Jequitinhonha</description>
	<lastBuildDate>Sat, 19 May 2012 03:45:20 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Marx aos 193</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/marx-aos-193/</link>
		<comments>http://blog.onhas.com/2012/05/marx-aos-193/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 May 2012 03:41:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Vereda Filosófica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;">John Lanchester</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;">Originalmente Publicado na Revista London Review of Books <a href="http://www.lrb.co.uk/v34/n07/contents" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Vol. 34 No. 7 · 5 de abril de 2012</span></a> Páginas 7-10 &#124; 6016 palavras</span></p>
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao tentar pensar o que Marx teria feito d</span>o mundo de hoje, devemos começar ressaltando que ele não era um empirista. Ele não achava possível obter acesso à verdade ao juntar frações de dados da experiência, “pontos de dados” como chamados pelos cientistas, e então formar um retrato da realidade a partir dos fragmentos acumulados. Dado que é isto o que a maior parte de nós pensa fazer a maior parte do tempo, marca-se um rompimento fundamental entre Marx e o que chamamos senso comum, uma noção detestada por Marx, que a via como a forma de uma ordem política e/ou uma classe específica transformar sua construção da realidade em um conjunto de ideias aparentemente neutro, tomado então como dado da ordem natural. O empirismo, por retirar suas provas da ordem das coisas existentes, está intrinsecamente disposto a aceitar como realidade coisas que são apenas comprovação de vieses subjacentes e pressões ideológicas. O empirismo, para Marx, sempre confirmará o status quo. Ele teria desgostado em particular da tendência moderna de argumentar a partir de “fatos”, como se estes fossem pedaços neutros da realidade, livres das marcas históricas, de viés ideológico e interpretativo e das circunstâncias de sua própria produção.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, eu sou um empirista. Isso não é tanto por achar que Marx estava errado sobre o efeito de distorção das pressões ideológicas subjacentes; é por não achar possível alcançar um ponto privilegiado livre dessas pressões. Logo, tem-se o dever de fazer o melhor com o que é possível ver, especialmente não se furtar a observar dados desagradáveis e/ou contraditórios. Mas essa é uma diferença profunda entre Marx e meu modo de falar sobre Marx, o qual ele teria considerado como filosófica e politicamente inválido por completo.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerem estas passagens do <em>Manifesto Comunista</em>, escrito por Marx com Engels em 1848, após ser expulso da França e da Alemanha devido a seus escritos políticos:</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo submeteu o campo à cidade. Criou grandes centros urbanos. (…) Aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo rasgou o véu do sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a meras relações monetárias.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo foi o primeiro a provar o que a atividade humana pode realizar: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. (…) O capitalismo (…) criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais do que todas as gerações passadas em seu conjunto.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. (…) Essa subversão contínua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época capitalista de todas as precedentes. (…) As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a ser destruídas diariamente.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ao invés das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, surgem novas demandas, que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e de climas os mais diversos.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Basta mencionar as crises comerciais que, repetindo-se periodicamente, ameaçam cada vez mais a existência da sociedade capitalista. Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de produtos fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças produtivas já criadas.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">É difícil não concluir desta seleção de frases que Marx foi extraordinariamente profético. Ele de fato teve o mais espetacular<em>insight</em> sobre a natureza, a trajetória e a direção do capitalismo. Três aspectos que se destacam em especial aqui são o tributo pago por ele à capacidade produtiva do capitalismo, que excede em muito qualquer outro sistema político-econômico já visto; a reconstrução da ordem social vinda com isso; e a inerente tendência do capitalismo para a crise, para ciclos de expansão e contração.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, devo admitir que não citei essas frases exatamente como Marx as escreveu: onde escrevi “capitalismo”, Marx havia escrito “a burguesia”. Ele falava sobre uma classe e o sistema que servia seus interesses, e fiz parecer que falava apenas sobre o sistema. Marx não usa a palavra “capitalismo”. O termo nunca aparece na primeira parte finalizada de <em>Das Kapital</em>. (Conferi fazendo uma busca pela palavra e a encontrei três vezes, todas aparentemente más traduções ou maus usos do plural alemão<em>Kapitals</em> – em alemão ele nunca fala de <em>Kapitalismus</em>.) Dado que ele é ampla e corretamente visto como o maior crítico do capitalismo, trata-se de uma singular omissão. Os termos preferidos por ele foram “economia política” e “economia política burguesa”, vistos como abrangendo tudo, desde direitos de propriedade, nossa ideia contemporânea de direitos humanos, até a própria concepção do indivíduo autônomo e independente. Acho que ele não usava a palavra “capitalismo” porque isso implicaria que o capitalismo seria um dentre inúmeros sistemas concorrentes possíveis – e Marx não acreditava nisso. Ele não pensava ser possível remover o capitalismo sem uma viravolta fundamental da ordem social, política e filosófica existente.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele estava certo: nenhuma alternativa se desenvolveu. A Economia como disciplina tornou-se efetivamente o estudo do capitalismo. Os dois são considerados o mesmo assunto. Se um dia houvesse um desafio sério e sustentado teoricamente à hegemonia do capitalismo dentro da Economia – um desafio sério e sustentado subsequente ao oferecido pelos assim chamados “socialismos reais existentes” –, este poderia ter surgido a partir da quase liquefação final do sistema econômico global em 2008. No entanto, tudo que vimos foram sugestões para ajustes do sistema existente para torná-lo menos arriscado. Temos no momento este híbrido monstruoso, o capitalismo de estado – um termo que era o preferido do Partido dos Trabalhadores Socialistas [<a href="http://www.swp.org.uk/" target="_blank">Socialist Workers Party</a>] para descrever a União Soviética, usado há algumas semanas na capa da <em>The Economist</em>para descrever a condição econômica atual da maior parte do mundo. Isso é uma paródia da ordem econômica, na qual o público geral corre todos os riscos e o setor financeiro recebe todos os lucros – uma forma extraordinariamente pura do que se chamava “socialismo para os ricos”. Mas “socialismo para os ricos” deveria ser uma piada. A verdade é que este é de fato o modo como a economia global está trabalhando.</p>
<p style="text-align: justify;">O sistema financeiro em sua condição atual apresenta uma ameaça existencial à democracia ocidental, excedendo em muito qualquer ameaça terrorista. Nenhuma democracia foi jamais desestabilizada pelos terroristas, mas se os caixas eletrônicos parassem de dar dinheiro haveria problemas em escala que colocariam os estados democráticos hoje constituídos em risco de colapso. Ainda assim, os governos agem como se houvesse muito pouco que pudessem fazer. Eles têm poder legal para nos recrutar e nos mandar para a guerra, mas não podem tratar de quaisquer fundamentos da ordem econômica. Parece bastante claro que a omissão da palavra “capitalismo” por Marx, por ele não prever nenhuma alternativa dentro da ordem social existente, era um momento especial de alta definição no funcionamento de sua bola de cristal.</p>
<p style="text-align: justify;">Marx dá bastante ênfase à questão da origem do valor, de como mercadorias são comercializadas e o que é o dinheiro. É uma questão muito simples, mas que não havia sido feita com tal clareza antes; também é o tipo de questão não mais feita em nível profissional ou institucional, porque a ordem atual das coisas é dada como garantida. Mas é uma questão bastante básica e importante (ou duas questões): o que é o dinheiro e de onde vem seu valor?</p>
<p style="text-align: justify;">Há várias centenas de páginas de Marx sobre esse assunto, e dezenas de milhares nos comentários e análises de sua obra, então meu resumo de sua visão será necessariamente simples e condensado de modo caricatural. O modelo marxiano funciona assim: pressões competitivas sempre forçarão para baixo o custo do trabalho, então os trabalhadores são empregados pelo preço mínimo, pagos sempre apenas o suficiente para mantê-los na ativa, e não mais. O empregador então vende a mercadoria não pelo seu custo de fabricação, mas pelo melhor preço que puder: um preço que por sua vez está sujeito às pressões competitivas, portanto, tendendo sempre a baixar com o tempo. Enquanto isso, porém, há uma lacuna entre pelo quê o trabalhador vende seu trabalho e o preço que o empregador obtém pela mercadoria; esta diferença é o dinheiro acumulado pelo empregador, que Marx chamou de mais-valia. No julgamento de Marx, a mais-valia é a própria base do capitalismo: todo valor no capitalismo é a mais-valia criado pelo trabalho. Isto é o que forma o custo das coisas: como Marx diz, “o preço é o nome em dinheiro do trabalho transformado em mercadoria”. E, ao examinar essa questão, cria um modelo que nos permite ver profundamente a estrutura do mundo, vendo o trabalho oculto nas coisas ao nosso redor. Ele torna o trabalho legível nos objetos e nas relações.</p>
<p style="text-align: justify;">A teoria da mais-valia também explica, segundo Marx, porque o capitalismo tem uma tendência inerente à crise. O empregador, assim como o empregado, sofre pressões competitivas, e o preço das coisas que ele vende sempre tenderão a baixar devido a novos participantes no mercado. Seu modo de superar isso normalmente será introduzir máquinas para tornar os trabalhadores mais produtivos. Ele tentará obter mais deles empregando menos para fazer mais coisas. Mas ao tentar elevar a eficiência da produção, ele pode também destruir o valor, frequentemente produzindo muitos bens sem lucro suficiente, o que leva a uma mais-valia de bens concorrentes, levando a uma quebra no mercado e à destruição massiva do capital, levando ao começo de outro ciclo. É um aspecto harmônico do pensamento marxiano que a teoria da mais-valia leve direta e explicitamente à predição de que o capitalismo sempre terá ciclos de crises, expansão e contração.</p>
<p style="text-align: justify;">Há dificuldades evidentes nos argumentos de Marx. Um deles é que muitos dos bens e mercadorias no mundo contemporâneo são agora virtuais (no sentido digital), tornando difícil ver onde está o trabalho acumulado neles. As palestras de David Harvey sobre <em>O capital</em>, por exemplo, o melhor começo para qualquer um estudando o mais importante livro de Marx, são de imenso valor, mas também estão <a href="http://davidharvey.org/reading-capital/" target="_blank">disponíveis de graça na internet</a>. Se você comprá-las em livro – é mais rápido obter informação lendo do que ouvindo – a mais-valia adicionada é praticamente apenas sua.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia de o trabalho estar oculto nas coisas, e o valor destas surgir do trabalho fixado nelas, é uma ferramenta explicativa inesperadamente poderosa no mundo digital. Por exemplo, o Facebook. Parte de seu sucesso vem do fato de as pessoas sentirem que elas e seus filhos estão a salvo gastando tempo nele, por ser um lugar ao qual se vai para interagir com outras pessoas, mas fundamentalmente não arriscado ou relapso como as novas tecnologias com frequência são percebidas – como, por sua vez, o VHS era quando lançado no mercado. Mas a percepção de que o Facebook é “higiênico” (talvez seja esta a melhor palavra) sustenta-se pelas dezenas de milhares de horas de trabalho mal pago de pessoas no mundo em desenvolvimento que trabalham para empresas contratadas para rastrear imagens ofensivas, pessoas que, de acordo com um marroquino que <a href="http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2104424/Facebooks-bizarre-secretive-graphic-content-policy-revealed-leaked-document.html" target="_blank">foi à imprensa reclamar disso</a>, recebem um dólar por hora para fazê-lo. Este é um exemplo perfeito de mais-valia: enormes somas de trabalho precário mal pago criando a imagem higiênica de uma empresa que espera valer 100 bilhões de dólares quando se lançar no mercado de ações neste ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se começa a procurar pelo mecanismo em funcionamento no mundo contemporâneo, este é visto por toda parte, frequentemente na forma de mais-valia sendo criada por você, consumidor ou cliente de uma empresa. Check-in online e entrega de malas nos aeroportos, por exemplo. O check-in online é um processo que deveria de fato aumentar a eficiência dos procedimentos nos aeroportos, custando portanto menos tempo, que você pode gastar fazendo outras coisas, algumas economicamente úteis. Mas o que as empresas aéreas fazem é empregar tão poucas pessoas para supervisionar a entrega de malas que no final das contas não há economia de tempo para o passageiro. Quando se observa, vê-se que como as empresas aéreas precisam empregar mais pessoas para supervisionar os passageiros que não fizeram check-in online – caso contrário, os voos não sairão a tempo –, as filas desses passageiros se movem mais rápido. As empresas estão transferindo sua ineficiência para o consumidor, mas também estão transferindo para você o trabalho e acumulando a mais-valia. Isso acontece o tempo todo. Toda vez que você usa um menu via telefone ou serviços de mensagens de voz interativos vocês está doando sua mais-valia para as pessoas com as quais está lidando. O modelo marxiano constantemente insta a ver o trabalho codificado nas coisas e transações ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">No ano passado, a <em>National Geographic</em> apresentou “o ser humano mais comum do mundo” para comemorar o nascimento da sétima bilionésima pessoa. O único ponto sem controvérsia sobre esta pessoa era o fato de ser destra. (Na verdade, embora o uso de uma ou outra mão não seja controverso, isso é interessante visto que a taxa média de existência de canhotos está em mais ou menos 10 por cento, mas parece maior em sociedades com nível maior de violência. Ninguém sabe o porquê, mas sobre isso não há surpresa, pois o motivo de algumas pessoas nascerem canhotas não foi compreendido.) Que a pessoa seja um homem é um desenvolvimento relativamente recente. Nascem mais meninos do que meninas, em uma proporção de 103-106 para 100, porque meninos têm taxa mais alta de mortalidade infantil e, para equilibrar a proporção de gêneros da espécie, são precisos mais meninos. Mas a medicina moderna reduziu agudamente a mortalidade infantil na maior parte do mundo, e agora a diferença nas taxas de nascimento se alimenta de outras distribuições demográficas, as quais historicamente têm mais mulheres porque estas vivem mais, novamente por motivos não compreendidos. Além disso, de modo muito mais sombrio, a crescente prosperidade e as habilidades tecnológicas têm elevado a enormes disparidades nas taxas de nascimento, que só podem ter a ver com o aborto seletivo de meninas. A proporção de gêneros na maior parte da Ásia, em particular, elevou-se muito além dos níveis biologicamente possíveis. Na China e na Índia os dados censitários indicam que o nível nacional está em torno de 120 para 100. Em 2020, a China terá trinta a quarenta milhões de homens a mais do que mulheres abaixo dos 19 anos. Para colocar o número em perspectiva, quarenta milhões é o número total de homens americanos nessa faixa demográfica. Portanto, dentro de oito anos a China enfrentará a previsão de ter o equivalente à população de jovens americanos permanentemente constituída por solteiros. Uma das coisas sombrias sobre isso é que a “preferência por filhos”, como é chamada friamente na literatura, sobe com a renda e com a modernização – ou seja, tem subido fortemente. Isso significa dezenas de milhões de meninas perdidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Então “ele” é ele. Ganha menos de 8000 libras por ano. Tem um telefone celular, mas não tem conta bancária. Isso se encaixa no modelo marxiano de como o capitalismo funcionaria: ele não tem uma conta bancária porque o trabalhador típico é um proletário que nada tem para depositar em um banco; ele não tem qualquer capital; ele precisa vender seu trabalho pelo melhor preço que puder. Tem 28 anos – a idade média da população mundial, o “cara do meio”. Se você considerar que a pessoa mais comum do mundo pertence ao grupo étnico mais numeroso, segue-se que é um chinês Han. Então, este humano exemplar em 2012 é um homem chinês da etnia Han, de 28 anos, sem conta bancária, mas com um celular, ganhando em média menos de 8000 libras por ano. Sabem quantas pessoas se encaixam precisamente nestes critérios hoje? Nove milhões. Podemos até mesmo adivinhar seu nome: Lee, ou Li, o sobrenome mais comum no mundo. Há mais pessoas chamadas Lee do que há no Reino Unido e na França somados.</p>
<p style="text-align: justify;">Não acho que Marx veria algo neste retrato que contrariasse seu modelo, para usar uma palavra da qual ele não teria gostado. Ele previu o desenvolvimento de um proletariado que realiza a maior parte do trabalho no mundo e uma burguesia que efetivamente possui o usufruto de seu trabalho. O fato de o proletariado estar no mundo em desenvolvimento, na prática varrido da vista da burguesia ocidental, em nada contraria essa imagem – um “proletariado externo”, como às vezes se chama. Peguemos como estudo de caso desse processo a empresa mais valiosa do mundo, no momento a Apple. O último trimestre da Apple foi o mais lucrativo de qualquer empresa na história: obteve rendimentos de 13 bilhões de dólares e vendas de 46 bilhões. Seus produtos mais vendidos são feitos em fábricas de propriedade da empresa chinesa Foxconn. (Foxconn faz o Kindle para a Amazon, o Xbox para a Microsoft, o PS3 para a Sony e centenas de outros produtos com os nomes de outras empresas na capa – não é um exagero tão grande dizer que ela fabrica todo aparelho eletrônico que há no mundo.) O pagamento inicial da empresa é de 2 dólares por hora, os trabalhadores vivem em dormitórios de seis ou oito camas, pelos quais têm de pagar aluguel de 16 dólares mensais. Sua fábrica em Chengdu, na qual é feito o iPad, trabalha 24 horas por dia e emprega 120.000 pessoas – pense nisso, uma fábrica do tamanho da cidade de Exeter – e nem é a maior instalação da Foxconn: esta fica em Shenzhen e emprega 230.000 pessoas, que trabalham 12 horas por dia, seis dias por semana. A resposta da empresa para escândalo recente sobre taxas de suicídio foi apontar que a taxa de suicídios entre os empregados da Foxconn é na verdade mais baixa que a média chinesa e que recusa milhares de contratações por dia; ambas as afirmações são verdade. Isso é que é chocante. Essas condições são iguais ou melhores do que a maior parte dos empregos equivalentes em fábricas na China, onde a maior parte dos bens do mundo é feita, e essa vida é amplamente vista pelos trabalhadores chineses como preferíveis às alternativas rurais remanescentes. E tudo isso, numa ironia tão grande que quase não há palavra para defini-la, no maior e mais poderoso Estado considerado comunista. Não creio que se possa descrever isso como condições de trabalho oitocentistas, mas estão bem próximas de cumprir o modelo marxiano de um proletariado alienado cujo trabalho é sugado e transformado em lucro para outras pessoas. Nosso Sr. Lee, de 28 anos, pode ser facilmente imaginado trabalhando em uma dessas fábricas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os desafios para a visão de Marx sobre onde estaríamos hoje aparecem quando se olha os detalhes. Se for observado o quadro geral, muito do que ele previu se tornou verdade. Temos uma burguesia opulenta que é internacional, mas que no mundo ocidental compõe a maioria da população, e uma força de trabalho proletária amplamente sediada na Ásia. Acrescente a isso a regularidade das crises econômicas, a crescente concentração de riqueza entre os já ricos e as pressões elevadas aparentes em todo lugar sobre a burguesia internacional – o “aperto” sobre a qual lemos tanto. Há um consenso geral de que não há mais refúgios, que não há fuga das mudanças econômicas, que o capitalismo se move em um ritmo mais forte do que os próprios podem se mover. Se você é um soldador, mas sua filha precisa estudar para ser uma engenheira de softwares para ter um emprego, isso é algo para o que provavelmente você e sua sociedade podem se adaptar; se você é um soldador e você precisa estudar de novo para ser engenheiro de softwares no meio de sua carreira produtiva, isso já não é tão fácil. Ainda assim, mudanças nessa escala são o que está implicado nos desenvolvimentos dos mercados de trabalho modernos. Isso é exatamente o que Marx queria dizer quando previu um mundo no qual “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Não é, portanto, tão difícil convencer-se de que as previsões de Marx estavam corretas em certo nível de impressionismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O erro mais evidente em sua versão do mundo é com a questão das classes. Há algo parecido com o proletariado marxiano clássico disperso pelo mundo. Entretanto, Marx previu que este proletariado se tornaria cada vez mais uma força centralizada e organizada: de fato, esse era um dos motivos pelos quais provar-se-ia tão perigoso para o capitalismo. Criando as condições nas quais o trabalho certamente se organizaria e se reuniria coletivamente, o capitalismo estava obtendo sua própria derrocada. Mas não há um conflito global organizado entre as classes; não há proletariado global organizado. Não há nada sequer próximo a isso. O proletariado está nas filas para entrar na Foxconn, não para organizar greves lá, e o maior perigo que a China encara, que em certo sentido é onde está o proletariado hoje, é a desigualdade causada pelas fraturas entre o novo proletariado urbano e a pobreza rural da qual estão saindo. A China também apresenta tensões entre a costa e o centro e problemas crescentes com corrupção e má administração, que irrompem regularmente no que conhecemos como Incidentes de Grupo em Massa, IGM – basicamente revoltas antiautoritárias que ocorrem regularmente em toda a China e nunca são relatadas na mídia tradicional ocidental. Mas nenhum desses fenômenos tem a ver com classe, e dada a ênfase posta na obra de Marx na luta de classes organizada, é preciso relacionar isto como uma das previsões que se provaram incorretas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que não? Creio que há dois motivos principais. O primeiro é que Marx não previu, assim como ninguém previu nem acho que alguém poderia, a variedade de formas distintas de capitalismo que surgiriam. Falamos do capitalismo como uma só coisa, mas ele vem em muitos sabores diferentes, envolvendo modelos diferentes. O estado de bem-estar contemporâneo – moradia, educação, alimentação e provisão de saúde para os cidadãos, do nascimento à morte – é um desenvolvimento que desafia a base da análise marxiana do que é o capitalismo: creio que ele observaria de perto o estado de bem-estar e imaginaria que este basicamente minou sua análise, apenas pelo fato de ser muito diferente do capitalismo visto por Marx em funcionamento nos seus dias, a partir do qual ele extrapolou seus dados. Talvez ele argumentasse que a sociedade britânica em sua inteireza se tornou parte de uma burguesia global e o proletariado agora está em outros países; é um argumento possível, mas difícil de sustentar face às desigualdades que existem e estão crescendo em nossa sociedade. Mas o capitalismo de bem-estar escandinavo é muito diferente do capitalismo controlado pelo Estado na China, o qual é por sua vez totalmente diferente do capitalismo de livre mercado, salve-se quem puder dos Estados Unidos, que por sua vez é diferente do capitalismo nacionalista e altamente socializado da França, que novamente em nada se parece com o curioso híbrido que temos no Reino Unido, onde nossos governos são totalmente devotos do livre mercado e ainda temos áreas de bem-estar e provimento que eles não se atreveram a abordar. Singapura é considerado um dos países com maior livre mercado no mundo, ficando com frequência no topo ou próximo disso nas pesquisas sobre liberalização dos mercados, e ainda assim o governo possui a maior parte das terras no país e a maioria esmagadora da população vive em moradias socializadas. É a capital mundial do livre mercado e da moradia comunitária. Há vários capitalismos distintos e não está claro que uma simples análise que os abarque todos como se fossem um único fenômeno possa ser válida.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das formas pelas quais isso se dá é a variedade e complexidade de nossos interesses nesse sistema. Em fevereiro, todos os trabalhadores na Foxconn tiveram seu salário básico aumentado em 25 por cento para o turno da noite. Isto não se deu por um ato de organização e protesto por parte da força de trabalho: foi devido a um artigo sobre as condições de trabalho publicado no <em>New York Times</em>. Pressões éticas vindas do Ocidente são uma das forças mais potentes pela melhoria das condições fabris em Shenzhen. Outro exemplo, bastante conhecido no mundo médico, mas não fora dele, é sobre o Mectizan, um<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Onchocerciasis#Ivermectin" target="_blank">medicamento desenvolvido para tratar cegueira dos rios</a> da empresa americana Merck. (As amostras iniciais que continham o composto químico utilizado para fazer o medicamento vieram de um circuito de golfe no Japão.) O medicamento foi desenvolvido por um custo considerável em 1987 e então dado, de graça, perpetuamente, salvando centenas de milhares de pessoas da cegueira e muitas mais de fome por permitir que 25 milhões de hectares de terra antes incultiváveis fossem usados para agricultura. Pode-se espremer isso dentro de um modelo marxiano descrevendo o caso como um golpe publicitário, mas não creio que essa análise funcione, mesmo que apenas por praticamente ninguém no mundo ocidental ter ouvido falar disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso é algo que Marx não previu e toca em outro fator que não poderia ser previsto. Trata-se da diversidade de nossos interesses e papéis no capitalismo contemporâneo. Marx falava sobre pessoas, de fato classes, como sendo divididas entre trabalhadores e proprietários dos meios de produção, e ele abriu uma concessão ao fato de que somos “portadores” desses papéis, diferentes aspectos os quais podemos desempenhar em momentos diversos, resultando que um proletário pode se ver competindo contra outros proletários, mesmo que seus interesses de classe estejam alinhados. O fato é que no mundo moderno nosso ser é muito mais fragmentado e contraditório que isso. Muitos trabalhadores têm pensões investidas em empresas cujo caminho rumo ao lucro depende de manter em um mínimo o número de trabalhadores que empregam; uma das coisas que levaram à contração do crédito foi a busca pelos fundos de pensão por retornos estáveis maiores para pagar as demandas pensionárias das gerações futuras dos trabalhadores aposentados. Portanto, em muitos casos temos a situação na qual pessoas perdem seus empregos devido a perdas sofridas pela tentativa de oferecer segurança futura para os próprios trabalhadores. Na maioria, somos escravos de salários, beneficiários do estado de bem-estar, financiadores desse estado, ao mesmo tempo em que somos os pensionistas atuais ou futuros que, neste particular se não em outros, são exemplares proprietários burgueses dos meios de produção. É complicado, e as intensas pressões éticas que podem, de modo intermitente, surgir como fardo às empresas são um sintoma da complexidade e multiplicidade dos interesses. É impressionante como variadas empresas se defendem usando a mais simples – e sob o capitalismo clássico, a mais confiável – resposta às críticas ao seu comportamento: nosso papel ético é trazer lucro aos nossos acionistas, gerar empregos e pagar impostos. É isso. O resto fica com o governo. Mas nunca dizem isso, talvez percebendo que intuímos o fato de nossas inter-relações e interesses conflitantes tornarem o mundo mais complicado do que isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais complicado que seja o modelo de mundo de Marx, o mundo moderno é ainda mais complicado. Isto exerce grande pressão em mais uma área, que Marx reconheceria por meio de um ditado favorito que vem de Hegel: a quantidade modifica a qualidade. Isso significa que você pode ter um sistema explicativo que abrange certos fenômenos – neste caso, o modo pelo qual o capitalismo produz coisas que vão de encontro à corrente principal de acumulação e exploração – enquanto a direção geral permanece a mesma. Mas chega um ponto em que os fenômenos se amontoam e param de parecer exemplos contraditórios isolados e se assemelham a um desafio basilar às ideias centrais. Algo parecido com isso aconteceu com as contracorrentes no interior do capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomemos as mais básicas medidas estatísticas sobre a vida, mortalidade infantil e expectativa de vida. Esta era de 43 anos na Grã-Bretanha em 1850, ano em que o <em>Manifesto Comunista</em> foi publicado pela primeira vez em inglês; está abaixo da expectativa de vida no Afeganistão de hoje, que por sua vez é menor do que a de qualquer país não atingido pela epidemia da AIDS. A expectativa de vida no Reino Unido hoje está acima de oitenta e subindo tão agudamente que, encrustado nas estatísticas, há um fato realmente estranho: uma mulher de oitenta anos hoje tem 9,2% de chance de viver até os cem anos, enquanto uma mulher de vinte anos tem 26,6%. Parece estranho que a pessoa sessenta anos mais nova tenha três vezes mais chance de alcançar um século, mas isto mostra o quão rápido se opera o progresso. A mortalidade infantil, frequentemente considerada como indicador de todo um conjunto de coisas (nível de desenvolvimento médico e tecnológico, vigor dos laços sociais, grau de acesso dos pobres a cuidados médicos, reconhecimento social de necessidades alheias), é algo pelo que Marx teria se interessado vivamente. Na Grã-Bretanha vitoriana, a taxa era de 150 mortes a cada mil nascimentos. Hoje, a mortalidade infantil é de 4,7 por mil. Uma melhora de 3191%. (Muitos países alcançaram menores taxas do que nós; estamos na 31ª posição no mundo – o mais baixo de todos é o lugar em que todo mundo vive em moradias comunitárias, com 1,92 por mil.) A taxa de mortalidade infantil global é de 42,09 por mil, um terço da taxa britânica nos dias de Marx. A AIDS causou um efeito terrível nesse caso: a Botsuana, por exemplo, tem expectativa de vida de 31,6 anos, mas de acordo com dados da ONU, subiria a 70,7 anos se removido o impacto da AIDS.</p>
<p style="text-align: justify;">A que ponto este tipo de dados representa um desafio às ideias de Marx? Esses dados mascaram desigualdades significativas – o exemplo notável em Londres é que se você pegar a Jubilee Line a partir de Westminster em direção ao leste, a expectativa de vida masculina decresce um ano a cada parada pelas próximas oito – mas, deixando isso de lado, o quadro mais amplo é quase todos vivem mais e têm melhor saúde. Se isso é verdade, pode ser verdade que o capitalismo coerente e confiavelmente causa miséria? Pode ser verdade que o sistema é destrutivo se as pessoas que nele vivem simplesmente vivem mais? Tomemos os objetivos de Desenvolvimento do Milênio, anunciados na virada do século, estabelecendo metas para reduzir a mortalidade infantil em dois terços e a mortalidade materna em três quartos até 2015 do ponto de partida de 1990 (os livros ficaram levemente datados ao estabelecer o ponto de partida dez anos no passado), reduzir à metade o número de pessoas vivendo em pobreza absoluta, duplicar a porcentagem de crianças obtendo pelo menos educação primária. Pode-se ignorar um feito dessa escala? Se um sistema faz isso, pode-se dizer que produz nada além de miséria? O próprio Marx dizia que houve momentos nos quais o modo de produção capitalista poderia se transcender, como na invenção da sociedade anônima. Os indícios posteriores desta possibilidade de transcendência teriam exercido grande pressão em seus modelos intelectuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Um desafio final ao modelo marxiano e também ao seu retrato do futuro vem de algo que ele viu bastante clara e profeticamente: o poder produtivo extraordinário do capitalismo. Ele viu como o capitalismo transformaria a superfície do planeta e causaria impacto na vida de cada pessoa viva. No entanto, há uma fissura ou falha próxima ao coração de sua análise. Marx viu os dois polos fundamentais da vida econômica, social e política como trabalho e natureza. Ele não via estas duas como estáticas; usou a metáfora do metabolismo para descrever o modo pelo qual nosso trabalho dá forma ao mundo e por nossa vez somos formados pelo mundo que fizemos. Então os dois polos de trabalho e natureza não permanecem fixos. Mas Marx não levou em consideração o fato de que os recursos naturais são finitos. Ele sabia que não havia algo como a natureza sem forma criada por nossas suposições, mas não compartilhava nossa consciência contemporânea de que a natureza pode zerar. Este é o tipo de coisa chamado às vezes de irônica, embora mais próxima do trágico, e em seu centro está o fato de que o poder produtivo, expansionista, consumidor de recursos do capitalismo é tão grande que é insustentável em nível planetário. O mundo todo deseja ter um estilo de vida de Primeiro Mundo, e todo o mundo pode ver o que é isso na televisão, mas o mundo não pode tê-lo, pois queimaremos todos os recursos antes de chegar lá. A maior crise do capitalismo está sobre nós, predicada no fato inapelável de que a natureza é finita.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é um ponto que marxistas em geral tem relutado em abordar, por uma boa razão: o problema dos recursos no mundo de hoje, seja comida, água ou energia em todos os sentidos, têm a ver com a distribuição desigual e não com o fornecimento total. Há mais do que suficiente dessas coisas para todos nós. Escritores e ativistas na tradição marxista tendem a ressaltar esse ponto e estão certos em fazê-lo, mas precisamos também encarar o fato de que o mundo está se encaminhando a consumo e demanda ainda maiores da parte de todos. Todos simultaneamente. Esse fato é o oponente mais mortal do capitalismo. Para dar apenas um exemplo em relação a apenas um recurso, o consumo médio de água americano é de cem galões por pessoa diariamente. Não há água potável suficiente no planeta para todos viverem assim.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão é, portanto, se o capitalismo pode desenvolver novas formas, do modo que tem feito até agora, e apresentar mecanismos baseados em propriedade e mercado que impeçam a crise aparentemente inevitável que virá, ou se precisamos de uma ordem social e econômica totalmente diferente. A ironia é que esta ordem pode ser em muitos aspectos como a imaginada por Marx, mesmo tendo ele visto um caminho diferente para alcançá-la. Quando Marx disse que o capitalismo continha a semente de sua própria destruição, não falava sobre mudanças climáticas ou guerras por recursos. Se sentimos tristeza e desânimo na iminência das dificuldades acima, também devemos nos confortar no fato de nossa adaptabilidade imaginativa e engenhosidade que nos levou tão longe tão rápido – tão longe e tão rápido que precisamos agora desacelerar e não sabemos bem como. Marx escreveu, perto do fim do primeiro volume de <em>O capital</em>: “o homem se distingue dos outros animais pela natureza sem limites e flexível de suas necessidades.” Vemos as necessidades sem limites ao nosso redor e elas nos levaram onde estamos, mas precisaremos trabalhar na parte flexível.</p>
<p style="text-align: justify;">—<br />
<strong>Nota do <a href="http://www.amalgama.blog.br/por/vinicius-justo/" target="_blank">tradutor</a></strong>: Toda a tradução foi realizada a partir do original em inglês, exceto as passagens do <em>Manifesto Comunista</em>, retiradas diretamente dos trechos correspondentes da <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&#38;tipo=2&#38;isbn=8585934239" target="_blank">tradução de Álvaro Pina</a> (Editora Boitempo, 2007) e modificadas da mesma forma escolhida pelo autor (substituindo-se “a burguesia” por “o capitalismo”, “burguesa” por “capitalista” e todas decorrentes). Lanchester mistura trechos que não têm real continuidade no texto original de Marx e os apresenta fora de ordem (os cortes estão indicados na tradução), talvez para reforçar determinados temas ou para manter persuasiva sua substituição de palavras. Além disso, o leitor que cotejar a versão original do texto com a tradução verá que há diferenças significativas no sentido de uma e outra passagem, provavelmente devido a imperfeições da tradução inglesa utilizada pelo autor ou da tradução brasileira. Os termos da teoria marxiana utilizados pelo autor foram traduzidos segundo a forma mais corrente em português: proletários, mais-valia, mercadoria, etc., exceto quando usados visivelmente em outro sentido.</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;">John Lanchester</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;">Originalmente Publicado na Revista London Review of Books <a href="http://www.lrb.co.uk/v34/n07/contents" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">Vol. 34 No. 7 · 5 de abril de 2012</span></a> Páginas 7-10 | 6016 palavras</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao tentar pensar o que Marx teria feito d</span>o mundo de hoje, devemos começar ressaltando que ele não era um empirista. Ele não achava possível obter acesso à verdade ao juntar frações de dados da experiência, “pontos de dados” como chamados pelos cientistas, e então formar um retrato da realidade a partir dos fragmentos acumulados. Dado que é isto o que a maior parte de nós pensa fazer a maior parte do tempo, marca-se um rompimento fundamental entre Marx e o que chamamos senso comum, uma noção detestada por Marx, que a via como a forma de uma ordem política e/ou uma classe específica transformar sua construção da realidade em um conjunto de ideias aparentemente neutro, tomado então como dado da ordem natural. O empirismo, por retirar suas provas da ordem das coisas existentes, está intrinsecamente disposto a aceitar como realidade coisas que são apenas comprovação de vieses subjacentes e pressões ideológicas. O empirismo, para Marx, sempre confirmará o status quo. Ele teria desgostado em particular da tendência moderna de argumentar a partir de “fatos”, como se estes fossem pedaços neutros da realidade, livres das marcas históricas, de viés ideológico e interpretativo e das circunstâncias de sua própria produção.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, eu sou um empirista. Isso não é tanto por achar que Marx estava errado sobre o efeito de distorção das pressões ideológicas subjacentes; é por não achar possível alcançar um ponto privilegiado livre dessas pressões. Logo, tem-se o dever de fazer o melhor com o que é possível ver, especialmente não se furtar a observar dados desagradáveis e/ou contraditórios. Mas essa é uma diferença profunda entre Marx e meu modo de falar sobre Marx, o qual ele teria considerado como filosófica e politicamente inválido por completo.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerem estas passagens do <em>Manifesto Comunista</em>, escrito por Marx com Engels em 1848, após ser expulso da França e da Alemanha devido a seus escritos políticos:</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo submeteu o campo à cidade. Criou grandes centros urbanos. (…) Aglomerou as populações, centralizou os meios de produção e concentrou a propriedade em poucas mãos.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo rasgou o véu do sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a meras relações monetárias.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo foi o primeiro a provar o que a atividade humana pode realizar: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. (…) O capitalismo (…) criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais do que todas as gerações passadas em seu conjunto.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O capitalismo não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. (…) Essa subversão contínua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época capitalista de todas as precedentes. (…) As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a ser destruídas diariamente.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Ao invés das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, surgem novas demandas, que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e de climas os mais diversos.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Basta mencionar as crises comerciais que, repetindo-se periodicamente, ameaçam cada vez mais a existência da sociedade capitalista. Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de produtos fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças produtivas já criadas.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">É difícil não concluir desta seleção de frases que Marx foi extraordinariamente profético. Ele de fato teve o mais espetacular<em>insight</em> sobre a natureza, a trajetória e a direção do capitalismo. Três aspectos que se destacam em especial aqui são o tributo pago por ele à capacidade produtiva do capitalismo, que excede em muito qualquer outro sistema político-econômico já visto; a reconstrução da ordem social vinda com isso; e a inerente tendência do capitalismo para a crise, para ciclos de expansão e contração.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, devo admitir que não citei essas frases exatamente como Marx as escreveu: onde escrevi “capitalismo”, Marx havia escrito “a burguesia”. Ele falava sobre uma classe e o sistema que servia seus interesses, e fiz parecer que falava apenas sobre o sistema. Marx não usa a palavra “capitalismo”. O termo nunca aparece na primeira parte finalizada de <em>Das Kapital</em>. (Conferi fazendo uma busca pela palavra e a encontrei três vezes, todas aparentemente más traduções ou maus usos do plural alemão<em>Kapitals</em> – em alemão ele nunca fala de <em>Kapitalismus</em>.) Dado que ele é ampla e corretamente visto como o maior crítico do capitalismo, trata-se de uma singular omissão. Os termos preferidos por ele foram “economia política” e “economia política burguesa”, vistos como abrangendo tudo, desde direitos de propriedade, nossa ideia contemporânea de direitos humanos, até a própria concepção do indivíduo autônomo e independente. Acho que ele não usava a palavra “capitalismo” porque isso implicaria que o capitalismo seria um dentre inúmeros sistemas concorrentes possíveis – e Marx não acreditava nisso. Ele não pensava ser possível remover o capitalismo sem uma viravolta fundamental da ordem social, política e filosófica existente.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele estava certo: nenhuma alternativa se desenvolveu. A Economia como disciplina tornou-se efetivamente o estudo do capitalismo. Os dois são considerados o mesmo assunto. Se um dia houvesse um desafio sério e sustentado teoricamente à hegemonia do capitalismo dentro da Economia – um desafio sério e sustentado subsequente ao oferecido pelos assim chamados “socialismos reais existentes” –, este poderia ter surgido a partir da quase liquefação final do sistema econômico global em 2008. No entanto, tudo que vimos foram sugestões para ajustes do sistema existente para torná-lo menos arriscado. Temos no momento este híbrido monstruoso, o capitalismo de estado – um termo que era o preferido do Partido dos Trabalhadores Socialistas [<a href="http://www.swp.org.uk/" target="_blank">Socialist Workers Party</a>] para descrever a União Soviética, usado há algumas semanas na capa da <em>The Economist</em>para descrever a condição econômica atual da maior parte do mundo. Isso é uma paródia da ordem econômica, na qual o público geral corre todos os riscos e o setor financeiro recebe todos os lucros – uma forma extraordinariamente pura do que se chamava “socialismo para os ricos”. Mas “socialismo para os ricos” deveria ser uma piada. A verdade é que este é de fato o modo como a economia global está trabalhando.</p>
<p style="text-align: justify;">O sistema financeiro em sua condição atual apresenta uma ameaça existencial à democracia ocidental, excedendo em muito qualquer ameaça terrorista. Nenhuma democracia foi jamais desestabilizada pelos terroristas, mas se os caixas eletrônicos parassem de dar dinheiro haveria problemas em escala que colocariam os estados democráticos hoje constituídos em risco de colapso. Ainda assim, os governos agem como se houvesse muito pouco que pudessem fazer. Eles têm poder legal para nos recrutar e nos mandar para a guerra, mas não podem tratar de quaisquer fundamentos da ordem econômica. Parece bastante claro que a omissão da palavra “capitalismo” por Marx, por ele não prever nenhuma alternativa dentro da ordem social existente, era um momento especial de alta definição no funcionamento de sua bola de cristal.</p>
<p style="text-align: justify;">Marx dá bastante ênfase à questão da origem do valor, de como mercadorias são comercializadas e o que é o dinheiro. É uma questão muito simples, mas que não havia sido feita com tal clareza antes; também é o tipo de questão não mais feita em nível profissional ou institucional, porque a ordem atual das coisas é dada como garantida. Mas é uma questão bastante básica e importante (ou duas questões): o que é o dinheiro e de onde vem seu valor?</p>
<p style="text-align: justify;">Há várias centenas de páginas de Marx sobre esse assunto, e dezenas de milhares nos comentários e análises de sua obra, então meu resumo de sua visão será necessariamente simples e condensado de modo caricatural. O modelo marxiano funciona assim: pressões competitivas sempre forçarão para baixo o custo do trabalho, então os trabalhadores são empregados pelo preço mínimo, pagos sempre apenas o suficiente para mantê-los na ativa, e não mais. O empregador então vende a mercadoria não pelo seu custo de fabricação, mas pelo melhor preço que puder: um preço que por sua vez está sujeito às pressões competitivas, portanto, tendendo sempre a baixar com o tempo. Enquanto isso, porém, há uma lacuna entre pelo quê o trabalhador vende seu trabalho e o preço que o empregador obtém pela mercadoria; esta diferença é o dinheiro acumulado pelo empregador, que Marx chamou de mais-valia. No julgamento de Marx, a mais-valia é a própria base do capitalismo: todo valor no capitalismo é a mais-valia criado pelo trabalho. Isto é o que forma o custo das coisas: como Marx diz, “o preço é o nome em dinheiro do trabalho transformado em mercadoria”. E, ao examinar essa questão, cria um modelo que nos permite ver profundamente a estrutura do mundo, vendo o trabalho oculto nas coisas ao nosso redor. Ele torna o trabalho legível nos objetos e nas relações.</p>
<p style="text-align: justify;">A teoria da mais-valia também explica, segundo Marx, porque o capitalismo tem uma tendência inerente à crise. O empregador, assim como o empregado, sofre pressões competitivas, e o preço das coisas que ele vende sempre tenderão a baixar devido a novos participantes no mercado. Seu modo de superar isso normalmente será introduzir máquinas para tornar os trabalhadores mais produtivos. Ele tentará obter mais deles empregando menos para fazer mais coisas. Mas ao tentar elevar a eficiência da produção, ele pode também destruir o valor, frequentemente produzindo muitos bens sem lucro suficiente, o que leva a uma mais-valia de bens concorrentes, levando a uma quebra no mercado e à destruição massiva do capital, levando ao começo de outro ciclo. É um aspecto harmônico do pensamento marxiano que a teoria da mais-valia leve direta e explicitamente à predição de que o capitalismo sempre terá ciclos de crises, expansão e contração.</p>
<p style="text-align: justify;">Há dificuldades evidentes nos argumentos de Marx. Um deles é que muitos dos bens e mercadorias no mundo contemporâneo são agora virtuais (no sentido digital), tornando difícil ver onde está o trabalho acumulado neles. As palestras de David Harvey sobre <em>O capital</em>, por exemplo, o melhor começo para qualquer um estudando o mais importante livro de Marx, são de imenso valor, mas também estão <a href="http://davidharvey.org/reading-capital/" target="_blank">disponíveis de graça na internet</a>. Se você comprá-las em livro – é mais rápido obter informação lendo do que ouvindo – a mais-valia adicionada é praticamente apenas sua.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia de o trabalho estar oculto nas coisas, e o valor destas surgir do trabalho fixado nelas, é uma ferramenta explicativa inesperadamente poderosa no mundo digital. Por exemplo, o Facebook. Parte de seu sucesso vem do fato de as pessoas sentirem que elas e seus filhos estão a salvo gastando tempo nele, por ser um lugar ao qual se vai para interagir com outras pessoas, mas fundamentalmente não arriscado ou relapso como as novas tecnologias com frequência são percebidas – como, por sua vez, o VHS era quando lançado no mercado. Mas a percepção de que o Facebook é “higiênico” (talvez seja esta a melhor palavra) sustenta-se pelas dezenas de milhares de horas de trabalho mal pago de pessoas no mundo em desenvolvimento que trabalham para empresas contratadas para rastrear imagens ofensivas, pessoas que, de acordo com um marroquino que <a href="http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2104424/Facebooks-bizarre-secretive-graphic-content-policy-revealed-leaked-document.html" target="_blank">foi à imprensa reclamar disso</a>, recebem um dólar por hora para fazê-lo. Este é um exemplo perfeito de mais-valia: enormes somas de trabalho precário mal pago criando a imagem higiênica de uma empresa que espera valer 100 bilhões de dólares quando se lançar no mercado de ações neste ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando se começa a procurar pelo mecanismo em funcionamento no mundo contemporâneo, este é visto por toda parte, frequentemente na forma de mais-valia sendo criada por você, consumidor ou cliente de uma empresa. Check-in online e entrega de malas nos aeroportos, por exemplo. O check-in online é um processo que deveria de fato aumentar a eficiência dos procedimentos nos aeroportos, custando portanto menos tempo, que você pode gastar fazendo outras coisas, algumas economicamente úteis. Mas o que as empresas aéreas fazem é empregar tão poucas pessoas para supervisionar a entrega de malas que no final das contas não há economia de tempo para o passageiro. Quando se observa, vê-se que como as empresas aéreas precisam empregar mais pessoas para supervisionar os passageiros que não fizeram check-in online – caso contrário, os voos não sairão a tempo –, as filas desses passageiros se movem mais rápido. As empresas estão transferindo sua ineficiência para o consumidor, mas também estão transferindo para você o trabalho e acumulando a mais-valia. Isso acontece o tempo todo. Toda vez que você usa um menu via telefone ou serviços de mensagens de voz interativos vocês está doando sua mais-valia para as pessoas com as quais está lidando. O modelo marxiano constantemente insta a ver o trabalho codificado nas coisas e transações ao nosso redor.</p>
<p style="text-align: justify;">No ano passado, a <em>National Geographic</em> apresentou “o ser humano mais comum do mundo” para comemorar o nascimento da sétima bilionésima pessoa. O único ponto sem controvérsia sobre esta pessoa era o fato de ser destra. (Na verdade, embora o uso de uma ou outra mão não seja controverso, isso é interessante visto que a taxa média de existência de canhotos está em mais ou menos 10 por cento, mas parece maior em sociedades com nível maior de violência. Ninguém sabe o porquê, mas sobre isso não há surpresa, pois o motivo de algumas pessoas nascerem canhotas não foi compreendido.) Que a pessoa seja um homem é um desenvolvimento relativamente recente. Nascem mais meninos do que meninas, em uma proporção de 103-106 para 100, porque meninos têm taxa mais alta de mortalidade infantil e, para equilibrar a proporção de gêneros da espécie, são precisos mais meninos. Mas a medicina moderna reduziu agudamente a mortalidade infantil na maior parte do mundo, e agora a diferença nas taxas de nascimento se alimenta de outras distribuições demográficas, as quais historicamente têm mais mulheres porque estas vivem mais, novamente por motivos não compreendidos. Além disso, de modo muito mais sombrio, a crescente prosperidade e as habilidades tecnológicas têm elevado a enormes disparidades nas taxas de nascimento, que só podem ter a ver com o aborto seletivo de meninas. A proporção de gêneros na maior parte da Ásia, em particular, elevou-se muito além dos níveis biologicamente possíveis. Na China e na Índia os dados censitários indicam que o nível nacional está em torno de 120 para 100. Em 2020, a China terá trinta a quarenta milhões de homens a mais do que mulheres abaixo dos 19 anos. Para colocar o número em perspectiva, quarenta milhões é o número total de homens americanos nessa faixa demográfica. Portanto, dentro de oito anos a China enfrentará a previsão de ter o equivalente à população de jovens americanos permanentemente constituída por solteiros. Uma das coisas sombrias sobre isso é que a “preferência por filhos”, como é chamada friamente na literatura, sobe com a renda e com a modernização – ou seja, tem subido fortemente. Isso significa dezenas de milhões de meninas perdidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Então “ele” é ele. Ganha menos de 8000 libras por ano. Tem um telefone celular, mas não tem conta bancária. Isso se encaixa no modelo marxiano de como o capitalismo funcionaria: ele não tem uma conta bancária porque o trabalhador típico é um proletário que nada tem para depositar em um banco; ele não tem qualquer capital; ele precisa vender seu trabalho pelo melhor preço que puder. Tem 28 anos – a idade média da população mundial, o “cara do meio”. Se você considerar que a pessoa mais comum do mundo pertence ao grupo étnico mais numeroso, segue-se que é um chinês Han. Então, este humano exemplar em 2012 é um homem chinês da etnia Han, de 28 anos, sem conta bancária, mas com um celular, ganhando em média menos de 8000 libras por ano. Sabem quantas pessoas se encaixam precisamente nestes critérios hoje? Nove milhões. Podemos até mesmo adivinhar seu nome: Lee, ou Li, o sobrenome mais comum no mundo. Há mais pessoas chamadas Lee do que há no Reino Unido e na França somados.</p>
<p style="text-align: justify;">Não acho que Marx veria algo neste retrato que contrariasse seu modelo, para usar uma palavra da qual ele não teria gostado. Ele previu o desenvolvimento de um proletariado que realiza a maior parte do trabalho no mundo e uma burguesia que efetivamente possui o usufruto de seu trabalho. O fato de o proletariado estar no mundo em desenvolvimento, na prática varrido da vista da burguesia ocidental, em nada contraria essa imagem – um “proletariado externo”, como às vezes se chama. Peguemos como estudo de caso desse processo a empresa mais valiosa do mundo, no momento a Apple. O último trimestre da Apple foi o mais lucrativo de qualquer empresa na história: obteve rendimentos de 13 bilhões de dólares e vendas de 46 bilhões. Seus produtos mais vendidos são feitos em fábricas de propriedade da empresa chinesa Foxconn. (Foxconn faz o Kindle para a Amazon, o Xbox para a Microsoft, o PS3 para a Sony e centenas de outros produtos com os nomes de outras empresas na capa – não é um exagero tão grande dizer que ela fabrica todo aparelho eletrônico que há no mundo.) O pagamento inicial da empresa é de 2 dólares por hora, os trabalhadores vivem em dormitórios de seis ou oito camas, pelos quais têm de pagar aluguel de 16 dólares mensais. Sua fábrica em Chengdu, na qual é feito o iPad, trabalha 24 horas por dia e emprega 120.000 pessoas – pense nisso, uma fábrica do tamanho da cidade de Exeter – e nem é a maior instalação da Foxconn: esta fica em Shenzhen e emprega 230.000 pessoas, que trabalham 12 horas por dia, seis dias por semana. A resposta da empresa para escândalo recente sobre taxas de suicídio foi apontar que a taxa de suicídios entre os empregados da Foxconn é na verdade mais baixa que a média chinesa e que recusa milhares de contratações por dia; ambas as afirmações são verdade. Isso é que é chocante. Essas condições são iguais ou melhores do que a maior parte dos empregos equivalentes em fábricas na China, onde a maior parte dos bens do mundo é feita, e essa vida é amplamente vista pelos trabalhadores chineses como preferíveis às alternativas rurais remanescentes. E tudo isso, numa ironia tão grande que quase não há palavra para defini-la, no maior e mais poderoso Estado considerado comunista. Não creio que se possa descrever isso como condições de trabalho oitocentistas, mas estão bem próximas de cumprir o modelo marxiano de um proletariado alienado cujo trabalho é sugado e transformado em lucro para outras pessoas. Nosso Sr. Lee, de 28 anos, pode ser facilmente imaginado trabalhando em uma dessas fábricas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os desafios para a visão de Marx sobre onde estaríamos hoje aparecem quando se olha os detalhes. Se for observado o quadro geral, muito do que ele previu se tornou verdade. Temos uma burguesia opulenta que é internacional, mas que no mundo ocidental compõe a maioria da população, e uma força de trabalho proletária amplamente sediada na Ásia. Acrescente a isso a regularidade das crises econômicas, a crescente concentração de riqueza entre os já ricos e as pressões elevadas aparentes em todo lugar sobre a burguesia internacional – o “aperto” sobre a qual lemos tanto. Há um consenso geral de que não há mais refúgios, que não há fuga das mudanças econômicas, que o capitalismo se move em um ritmo mais forte do que os próprios podem se mover. Se você é um soldador, mas sua filha precisa estudar para ser uma engenheira de softwares para ter um emprego, isso é algo para o que provavelmente você e sua sociedade podem se adaptar; se você é um soldador e você precisa estudar de novo para ser engenheiro de softwares no meio de sua carreira produtiva, isso já não é tão fácil. Ainda assim, mudanças nessa escala são o que está implicado nos desenvolvimentos dos mercados de trabalho modernos. Isso é exatamente o que Marx queria dizer quando previu um mundo no qual “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Não é, portanto, tão difícil convencer-se de que as previsões de Marx estavam corretas em certo nível de impressionismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O erro mais evidente em sua versão do mundo é com a questão das classes. Há algo parecido com o proletariado marxiano clássico disperso pelo mundo. Entretanto, Marx previu que este proletariado se tornaria cada vez mais uma força centralizada e organizada: de fato, esse era um dos motivos pelos quais provar-se-ia tão perigoso para o capitalismo. Criando as condições nas quais o trabalho certamente se organizaria e se reuniria coletivamente, o capitalismo estava obtendo sua própria derrocada. Mas não há um conflito global organizado entre as classes; não há proletariado global organizado. Não há nada sequer próximo a isso. O proletariado está nas filas para entrar na Foxconn, não para organizar greves lá, e o maior perigo que a China encara, que em certo sentido é onde está o proletariado hoje, é a desigualdade causada pelas fraturas entre o novo proletariado urbano e a pobreza rural da qual estão saindo. A China também apresenta tensões entre a costa e o centro e problemas crescentes com corrupção e má administração, que irrompem regularmente no que conhecemos como Incidentes de Grupo em Massa, IGM – basicamente revoltas antiautoritárias que ocorrem regularmente em toda a China e nunca são relatadas na mídia tradicional ocidental. Mas nenhum desses fenômenos tem a ver com classe, e dada a ênfase posta na obra de Marx na luta de classes organizada, é preciso relacionar isto como uma das previsões que se provaram incorretas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que não? Creio que há dois motivos principais. O primeiro é que Marx não previu, assim como ninguém previu nem acho que alguém poderia, a variedade de formas distintas de capitalismo que surgiriam. Falamos do capitalismo como uma só coisa, mas ele vem em muitos sabores diferentes, envolvendo modelos diferentes. O estado de bem-estar contemporâneo – moradia, educação, alimentação e provisão de saúde para os cidadãos, do nascimento à morte – é um desenvolvimento que desafia a base da análise marxiana do que é o capitalismo: creio que ele observaria de perto o estado de bem-estar e imaginaria que este basicamente minou sua análise, apenas pelo fato de ser muito diferente do capitalismo visto por Marx em funcionamento nos seus dias, a partir do qual ele extrapolou seus dados. Talvez ele argumentasse que a sociedade britânica em sua inteireza se tornou parte de uma burguesia global e o proletariado agora está em outros países; é um argumento possível, mas difícil de sustentar face às desigualdades que existem e estão crescendo em nossa sociedade. Mas o capitalismo de bem-estar escandinavo é muito diferente do capitalismo controlado pelo Estado na China, o qual é por sua vez totalmente diferente do capitalismo de livre mercado, salve-se quem puder dos Estados Unidos, que por sua vez é diferente do capitalismo nacionalista e altamente socializado da França, que novamente em nada se parece com o curioso híbrido que temos no Reino Unido, onde nossos governos são totalmente devotos do livre mercado e ainda temos áreas de bem-estar e provimento que eles não se atreveram a abordar. Singapura é considerado um dos países com maior livre mercado no mundo, ficando com frequência no topo ou próximo disso nas pesquisas sobre liberalização dos mercados, e ainda assim o governo possui a maior parte das terras no país e a maioria esmagadora da população vive em moradias socializadas. É a capital mundial do livre mercado e da moradia comunitária. Há vários capitalismos distintos e não está claro que uma simples análise que os abarque todos como se fossem um único fenômeno possa ser válida.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das formas pelas quais isso se dá é a variedade e complexidade de nossos interesses nesse sistema. Em fevereiro, todos os trabalhadores na Foxconn tiveram seu salário básico aumentado em 25 por cento para o turno da noite. Isto não se deu por um ato de organização e protesto por parte da força de trabalho: foi devido a um artigo sobre as condições de trabalho publicado no <em>New York Times</em>. Pressões éticas vindas do Ocidente são uma das forças mais potentes pela melhoria das condições fabris em Shenzhen. Outro exemplo, bastante conhecido no mundo médico, mas não fora dele, é sobre o Mectizan, um<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Onchocerciasis#Ivermectin" target="_blank">medicamento desenvolvido para tratar cegueira dos rios</a> da empresa americana Merck. (As amostras iniciais que continham o composto químico utilizado para fazer o medicamento vieram de um circuito de golfe no Japão.) O medicamento foi desenvolvido por um custo considerável em 1987 e então dado, de graça, perpetuamente, salvando centenas de milhares de pessoas da cegueira e muitas mais de fome por permitir que 25 milhões de hectares de terra antes incultiváveis fossem usados para agricultura. Pode-se espremer isso dentro de um modelo marxiano descrevendo o caso como um golpe publicitário, mas não creio que essa análise funcione, mesmo que apenas por praticamente ninguém no mundo ocidental ter ouvido falar disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso é algo que Marx não previu e toca em outro fator que não poderia ser previsto. Trata-se da diversidade de nossos interesses e papéis no capitalismo contemporâneo. Marx falava sobre pessoas, de fato classes, como sendo divididas entre trabalhadores e proprietários dos meios de produção, e ele abriu uma concessão ao fato de que somos “portadores” desses papéis, diferentes aspectos os quais podemos desempenhar em momentos diversos, resultando que um proletário pode se ver competindo contra outros proletários, mesmo que seus interesses de classe estejam alinhados. O fato é que no mundo moderno nosso ser é muito mais fragmentado e contraditório que isso. Muitos trabalhadores têm pensões investidas em empresas cujo caminho rumo ao lucro depende de manter em um mínimo o número de trabalhadores que empregam; uma das coisas que levaram à contração do crédito foi a busca pelos fundos de pensão por retornos estáveis maiores para pagar as demandas pensionárias das gerações futuras dos trabalhadores aposentados. Portanto, em muitos casos temos a situação na qual pessoas perdem seus empregos devido a perdas sofridas pela tentativa de oferecer segurança futura para os próprios trabalhadores. Na maioria, somos escravos de salários, beneficiários do estado de bem-estar, financiadores desse estado, ao mesmo tempo em que somos os pensionistas atuais ou futuros que, neste particular se não em outros, são exemplares proprietários burgueses dos meios de produção. É complicado, e as intensas pressões éticas que podem, de modo intermitente, surgir como fardo às empresas são um sintoma da complexidade e multiplicidade dos interesses. É impressionante como variadas empresas se defendem usando a mais simples – e sob o capitalismo clássico, a mais confiável – resposta às críticas ao seu comportamento: nosso papel ético é trazer lucro aos nossos acionistas, gerar empregos e pagar impostos. É isso. O resto fica com o governo. Mas nunca dizem isso, talvez percebendo que intuímos o fato de nossas inter-relações e interesses conflitantes tornarem o mundo mais complicado do que isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mais complicado que seja o modelo de mundo de Marx, o mundo moderno é ainda mais complicado. Isto exerce grande pressão em mais uma área, que Marx reconheceria por meio de um ditado favorito que vem de Hegel: a quantidade modifica a qualidade. Isso significa que você pode ter um sistema explicativo que abrange certos fenômenos – neste caso, o modo pelo qual o capitalismo produz coisas que vão de encontro à corrente principal de acumulação e exploração – enquanto a direção geral permanece a mesma. Mas chega um ponto em que os fenômenos se amontoam e param de parecer exemplos contraditórios isolados e se assemelham a um desafio basilar às ideias centrais. Algo parecido com isso aconteceu com as contracorrentes no interior do capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomemos as mais básicas medidas estatísticas sobre a vida, mortalidade infantil e expectativa de vida. Esta era de 43 anos na Grã-Bretanha em 1850, ano em que o <em>Manifesto Comunista</em> foi publicado pela primeira vez em inglês; está abaixo da expectativa de vida no Afeganistão de hoje, que por sua vez é menor do que a de qualquer país não atingido pela epidemia da AIDS. A expectativa de vida no Reino Unido hoje está acima de oitenta e subindo tão agudamente que, encrustado nas estatísticas, há um fato realmente estranho: uma mulher de oitenta anos hoje tem 9,2% de chance de viver até os cem anos, enquanto uma mulher de vinte anos tem 26,6%. Parece estranho que a pessoa sessenta anos mais nova tenha três vezes mais chance de alcançar um século, mas isto mostra o quão rápido se opera o progresso. A mortalidade infantil, frequentemente considerada como indicador de todo um conjunto de coisas (nível de desenvolvimento médico e tecnológico, vigor dos laços sociais, grau de acesso dos pobres a cuidados médicos, reconhecimento social de necessidades alheias), é algo pelo que Marx teria se interessado vivamente. Na Grã-Bretanha vitoriana, a taxa era de 150 mortes a cada mil nascimentos. Hoje, a mortalidade infantil é de 4,7 por mil. Uma melhora de 3191%. (Muitos países alcançaram menores taxas do que nós; estamos na 31ª posição no mundo – o mais baixo de todos é o lugar em que todo mundo vive em moradias comunitárias, com 1,92 por mil.) A taxa de mortalidade infantil global é de 42,09 por mil, um terço da taxa britânica nos dias de Marx. A AIDS causou um efeito terrível nesse caso: a Botsuana, por exemplo, tem expectativa de vida de 31,6 anos, mas de acordo com dados da ONU, subiria a 70,7 anos se removido o impacto da AIDS.</p>
<p style="text-align: justify;">A que ponto este tipo de dados representa um desafio às ideias de Marx? Esses dados mascaram desigualdades significativas – o exemplo notável em Londres é que se você pegar a Jubilee Line a partir de Westminster em direção ao leste, a expectativa de vida masculina decresce um ano a cada parada pelas próximas oito – mas, deixando isso de lado, o quadro mais amplo é quase todos vivem mais e têm melhor saúde. Se isso é verdade, pode ser verdade que o capitalismo coerente e confiavelmente causa miséria? Pode ser verdade que o sistema é destrutivo se as pessoas que nele vivem simplesmente vivem mais? Tomemos os objetivos de Desenvolvimento do Milênio, anunciados na virada do século, estabelecendo metas para reduzir a mortalidade infantil em dois terços e a mortalidade materna em três quartos até 2015 do ponto de partida de 1990 (os livros ficaram levemente datados ao estabelecer o ponto de partida dez anos no passado), reduzir à metade o número de pessoas vivendo em pobreza absoluta, duplicar a porcentagem de crianças obtendo pelo menos educação primária. Pode-se ignorar um feito dessa escala? Se um sistema faz isso, pode-se dizer que produz nada além de miséria? O próprio Marx dizia que houve momentos nos quais o modo de produção capitalista poderia se transcender, como na invenção da sociedade anônima. Os indícios posteriores desta possibilidade de transcendência teriam exercido grande pressão em seus modelos intelectuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Um desafio final ao modelo marxiano e também ao seu retrato do futuro vem de algo que ele viu bastante clara e profeticamente: o poder produtivo extraordinário do capitalismo. Ele viu como o capitalismo transformaria a superfície do planeta e causaria impacto na vida de cada pessoa viva. No entanto, há uma fissura ou falha próxima ao coração de sua análise. Marx viu os dois polos fundamentais da vida econômica, social e política como trabalho e natureza. Ele não via estas duas como estáticas; usou a metáfora do metabolismo para descrever o modo pelo qual nosso trabalho dá forma ao mundo e por nossa vez somos formados pelo mundo que fizemos. Então os dois polos de trabalho e natureza não permanecem fixos. Mas Marx não levou em consideração o fato de que os recursos naturais são finitos. Ele sabia que não havia algo como a natureza sem forma criada por nossas suposições, mas não compartilhava nossa consciência contemporânea de que a natureza pode zerar. Este é o tipo de coisa chamado às vezes de irônica, embora mais próxima do trágico, e em seu centro está o fato de que o poder produtivo, expansionista, consumidor de recursos do capitalismo é tão grande que é insustentável em nível planetário. O mundo todo deseja ter um estilo de vida de Primeiro Mundo, e todo o mundo pode ver o que é isso na televisão, mas o mundo não pode tê-lo, pois queimaremos todos os recursos antes de chegar lá. A maior crise do capitalismo está sobre nós, predicada no fato inapelável de que a natureza é finita.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é um ponto que marxistas em geral tem relutado em abordar, por uma boa razão: o problema dos recursos no mundo de hoje, seja comida, água ou energia em todos os sentidos, têm a ver com a distribuição desigual e não com o fornecimento total. Há mais do que suficiente dessas coisas para todos nós. Escritores e ativistas na tradição marxista tendem a ressaltar esse ponto e estão certos em fazê-lo, mas precisamos também encarar o fato de que o mundo está se encaminhando a consumo e demanda ainda maiores da parte de todos. Todos simultaneamente. Esse fato é o oponente mais mortal do capitalismo. Para dar apenas um exemplo em relação a apenas um recurso, o consumo médio de água americano é de cem galões por pessoa diariamente. Não há água potável suficiente no planeta para todos viverem assim.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão é, portanto, se o capitalismo pode desenvolver novas formas, do modo que tem feito até agora, e apresentar mecanismos baseados em propriedade e mercado que impeçam a crise aparentemente inevitável que virá, ou se precisamos de uma ordem social e econômica totalmente diferente. A ironia é que esta ordem pode ser em muitos aspectos como a imaginada por Marx, mesmo tendo ele visto um caminho diferente para alcançá-la. Quando Marx disse que o capitalismo continha a semente de sua própria destruição, não falava sobre mudanças climáticas ou guerras por recursos. Se sentimos tristeza e desânimo na iminência das dificuldades acima, também devemos nos confortar no fato de nossa adaptabilidade imaginativa e engenhosidade que nos levou tão longe tão rápido – tão longe e tão rápido que precisamos agora desacelerar e não sabemos bem como. Marx escreveu, perto do fim do primeiro volume de <em>O capital</em>: “o homem se distingue dos outros animais pela natureza sem limites e flexível de suas necessidades.” Vemos as necessidades sem limites ao nosso redor e elas nos levaram onde estamos, mas precisaremos trabalhar na parte flexível.</p>
<p style="text-align: justify;">—<br />
<strong>Nota do <a href="http://www.amalgama.blog.br/por/vinicius-justo/" target="_blank">tradutor</a></strong>: Toda a tradução foi realizada a partir do original em inglês, exceto as passagens do <em>Manifesto Comunista</em>, retiradas diretamente dos trechos correspondentes da <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5301&amp;tipo=2&amp;isbn=8585934239" target="_blank">tradução de Álvaro Pina</a> (Editora Boitempo, 2007) e modificadas da mesma forma escolhida pelo autor (substituindo-se “a burguesia” por “o capitalismo”, “burguesa” por “capitalista” e todas decorrentes). Lanchester mistura trechos que não têm real continuidade no texto original de Marx e os apresenta fora de ordem (os cortes estão indicados na tradução), talvez para reforçar determinados temas ou para manter persuasiva sua substituição de palavras. Além disso, o leitor que cotejar a versão original do texto com a tradução verá que há diferenças significativas no sentido de uma e outra passagem, provavelmente devido a imperfeições da tradução inglesa utilizada pelo autor ou da tradução brasileira. Os termos da teoria marxiana utilizados pelo autor foram traduzidos segundo a forma mais corrente em português: proletários, mais-valia, mercadoria, etc., exceto quando usados visivelmente em outro sentido.</p>
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		<title>Europa: O vento mudou</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/europa-o-vento-mudou/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 03:03:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #008000;"><em>Por José Manuel Pureza</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #008000;"><em>O artigo, publicado no Diário de Notícias, em Portugal, foi enviado pelo autor para publicação no site Caros Amigos.</em></span></p>
<p>Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.</p>
<table border="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>&#8220;Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado&#8221;</h3>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo 6 de maio. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra ruptura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel. Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neoliberalismo – que o aceita e não quer mais do que “humanizá-lo” – ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura económica e política.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim – para mais, votando a favor – retira-lhe todo o<a id="_GPLITA_0" title="Powered by Text-Enhance" href="http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/artigos-e-debates/2923-europa-o-vento-mudou#">crédito</a> que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão á vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.</p>
<p style="text-align: justify;">O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neoliberalismo-custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a</p>
<table border="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>&#8220;Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado&#8221;</h3>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.</p>
<p style="text-align: justify;">A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governos alternativos para a União.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<hr />
<p style="text-align: justify;">*José Manuel Pureza é professor da Universidade de Coimbra.</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="color: #008000;"><em>Por José Manuel Pureza</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #008000;"><em>O artigo, publicado no Diário de Notícias, em Portugal, foi enviado pelo autor para publicação no site Caros Amigos.</em></span></p>
<p>Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.</p>
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<tbody>
<tr>
<td>
<h3>&#8220;Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado&#8221;</h3>
</td>
</tr>
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<p style="text-align: justify;">A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo 6 de maio. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra ruptura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel. Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neoliberalismo – que o aceita e não quer mais do que “humanizá-lo” – ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura económica e política.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim – para mais, votando a favor – retira-lhe todo o<a id="_GPLITA_0" title="Powered by Text-Enhance" href="http://carosamigos.terra.com.br/index2/index.php/artigos-e-debates/2923-europa-o-vento-mudou#">crédito</a> que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão á vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.</p>
<p style="text-align: justify;">O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neoliberalismo-custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a</p>
<table border="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td>
<h3>&#8220;Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado&#8221;</h3>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.</p>
<p style="text-align: justify;">A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governos alternativos para a União.</p>
<p style="text-align: justify;">Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto.</p>
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<p style="text-align: justify;">*José Manuel Pureza é professor da Universidade de Coimbra.</p>
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		<title>Institutos Federais oferecem cursos técnicos à distância</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/institutos-federais-oferecem-cursos-tecnicos-a-distancia/</link>
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		<pubDate>Sat, 19 May 2012 02:54:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><strong><em>Municípios em torno de Almenara, Araçuaí e Salinas poderão ter instalação de Núcleos com 2 cursos técnicos</em></strong></h3>
<div>
<p style="text-align: justify;">O Ministério da Educação está expandindo a sua rede de formação técnica para todos os municípios brasileiros. A Rede e-Tec está oferecendo cursos descentralizados dos antigos IFETs, instalando Núcleos de Ensino à Distância em pequenos municípios.</p>
<p style="text-align: justify;">O IFNMG – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais estabeleceu uma parceria como Instituto Federal do Paraná, que tem now how nesta área. Serão atendidos os campi de Almenara, Araçuaí, Arinos, Januária, Montes Claros, Pirapora e Salinas</p>
<p style="text-align: justify;">Cada campus está oferecendo a municípios na sua microrregião 8 cursos técnicos a serem instalados na na modalidade de ensino à distância. Os cursos são: Administração, Eventos, Logística, Reabilitação de Dependentes Químicos, Meio Ambiente, Secretariado, Segurança do Trabalho e Serviços Públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os cursos terão uma duração de 2 anos. Podem se matricular todo estudante que estiver cursando o ensino médio a partir do 2° ano ou já tiver concluído este grau de ensino. Serão oferecidas 40 vagas em cada curso que serão preenchidas a partir de um processo seletivo com provas de Língua Portuguesa e Matemática com conteúdos até o 2° ano do ensino médio.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Ednaldo Liberato, Diretor Geral do Campus Araçuaí, informa que o município que se interessar deverá encaminhar um ofício demonstrando interesse em realizar uma parceria com a instituição federal. A contra partida de cada município será de disponibilizar uma sala de aula para 40 alunos e instalação de equipamentos para funcionamentos de aulas presenciais e tele-aulas. Os equipamentos tem um custo médio de R$ 4.300.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, o município terá uma contrapartida fixa inicial sem nenhum custeio posterior, a não ser os gastos com  água e energia. O custo é muito baixo tendo em vista os grandes benefícios a serem alcançados por tal projeto educacional, conclui o professor Liberato.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor de Física, Magno Barbosa, coordenador do Programa de Ensino à Distância, informa que o Núcleo terá três professores que farão orientação e acompanhamento pedagógicos aos alunos, sendo dois tutores e um Coordenador Geral, a serem selecionados por Chama Pública. Estes serão remunerados com uma bolsa oferecida pelo Ministério da Educação.</p>
<p style="text-align: justify;">Como início de um trabalho, que pode se tornar permanente com a criação de novos cursos, a comunidade local poderá escolher 2 entre os 8 cursos relacionados acima. A previsão é de que as aulas sejam inciadas  em agosto de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Fonte: Blog do Banu;</p>
</div>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center;"><strong><em>Municípios em torno de Almenara, Araçuaí e Salinas poderão ter instalação de Núcleos com 2 cursos técnicos</em></strong></h3>
<div>
<p style="text-align: justify;">O Ministério da Educação está expandindo a sua rede de formação técnica para todos os municípios brasileiros. A Rede e-Tec está oferecendo cursos descentralizados dos antigos IFETs, instalando Núcleos de Ensino à Distância em pequenos municípios.</p>
<p style="text-align: justify;">O IFNMG – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais estabeleceu uma parceria como Instituto Federal do Paraná, que tem now how nesta área. Serão atendidos os campi de Almenara, Araçuaí, Arinos, Januária, Montes Claros, Pirapora e Salinas</p>
<p style="text-align: justify;">Cada campus está oferecendo a municípios na sua microrregião 8 cursos técnicos a serem instalados na na modalidade de ensino à distância. Os cursos são: Administração, Eventos, Logística, Reabilitação de Dependentes Químicos, Meio Ambiente, Secretariado, Segurança do Trabalho e Serviços Públicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os cursos terão uma duração de 2 anos. Podem se matricular todo estudante que estiver cursando o ensino médio a partir do 2° ano ou já tiver concluído este grau de ensino. Serão oferecidas 40 vagas em cada curso que serão preenchidas a partir de um processo seletivo com provas de Língua Portuguesa e Matemática com conteúdos até o 2° ano do ensino médio.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor Ednaldo Liberato, Diretor Geral do Campus Araçuaí, informa que o município que se interessar deverá encaminhar um ofício demonstrando interesse em realizar uma parceria com a instituição federal. A contra partida de cada município será de disponibilizar uma sala de aula para 40 alunos e instalação de equipamentos para funcionamentos de aulas presenciais e tele-aulas. Os equipamentos tem um custo médio de R$ 4.300.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, o município terá uma contrapartida fixa inicial sem nenhum custeio posterior, a não ser os gastos com  água e energia. O custo é muito baixo tendo em vista os grandes benefícios a serem alcançados por tal projeto educacional, conclui o professor Liberato.</p>
<p style="text-align: justify;">O professor de Física, Magno Barbosa, coordenador do Programa de Ensino à Distância, informa que o Núcleo terá três professores que farão orientação e acompanhamento pedagógicos aos alunos, sendo dois tutores e um Coordenador Geral, a serem selecionados por Chama Pública. Estes serão remunerados com uma bolsa oferecida pelo Ministério da Educação.</p>
<p style="text-align: justify;">Como início de um trabalho, que pode se tornar permanente com a criação de novos cursos, a comunidade local poderá escolher 2 entre os 8 cursos relacionados acima. A previsão é de que as aulas sejam inciadas  em agosto de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Fonte: Blog do Banu;</p>
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>DER anuncia obras de encabeçamento de pontes no trecho Araçuai-Francisco Badaró-Berilo</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/der-anuncia-obras-de-encabecamento-de-pontes-no-trecho-aracuai-francisco-badaro-berilo/</link>
		<comments>http://blog.onhas.com/2012/05/der-anuncia-obras-de-encabecamento-de-pontes-no-trecho-aracuai-francisco-badaro-berilo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 May 2012 02:47:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Gerais]]></category>

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		<description><![CDATA[<div id="attachment_5549" class="wp-caption alignleft" style="width: 465px"><a href="http://blog.onhas.com/2012/05/der-anuncia-obras-de-encabecamento-de-pontes-no-trecho-aracuai-francisco-badaro-berilo/not_5882c3d7667f162df98ee9c1330f4c22/" rel="attachment wp-att-5549"><img class=" wp-image-5549 " title="not_5882c3d7667f162df98ee9c1330f4c22" src="http://blog.onhas.com/wp-content/uploads/2012/05/not_5882c3d7667f162df98ee9c1330f4c22.jpg" alt="" width="455" height="239" /></a><p class="wp-caption-text">Esta incluido no projeto o restante da pavimentação, drenagem e sinalização vertical e horizontal próximo às pontes; Foto.Sérgio Vasconcelo</p></div>
<h3>Serviços incluem pontes sobre os córregos do Calhauzinho, Gravatá, Córrego da Velha, Setúbal, São João, Caititu e Sucuriú</h3>
<p>A Minas Empreendimentos e Engenharia Ltda, com sede em Belo Horizonte, foi a vencedora da concorrência para encabeçamento das 7 pontes no trecho Araçuai-Francisco Badaró &#8211; Berilo sob os córregos do Calhauzinho, Gravatá, Córrego da velha, Setúbal, São João, Caititu e Sucuriú.</p>
<p>O trecho de 64 km cuja pavimentação teve início em 2009, foi concluído em 2010 pela Construtora Aterpa.</p>
<p>De acordo com o Engenheiro Chefe do DER ( Departamento de Estradas de Rodagem de MG), Marco Antonio de Lima, a previsão para o início das obras será em maio.</p>
<p>&#8221; Esta  incluido  no projeto o  restante da pavimentação, drenagem e sinalização vertical e horizontal&#8221; próximo às pontes.</p>
<p>A Minas Engenharia já está na região desde janeiro do ano passado realizando serviços de construção e alargamento de pontes, a exemplo das pontes sobre os rios Calhauzinho, Gravatá e Setúbal.</p>
<p>Fonte: Blog do Banu com informações da Gazeta de Araçuaí</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_5549" class="wp-caption alignleft" style="width: 465px"><a href="http://blog.onhas.com/2012/05/der-anuncia-obras-de-encabecamento-de-pontes-no-trecho-aracuai-francisco-badaro-berilo/not_5882c3d7667f162df98ee9c1330f4c22/" rel="attachment wp-att-5549"><img class=" wp-image-5549 " title="not_5882c3d7667f162df98ee9c1330f4c22" src="http://blog.onhas.com/wp-content/uploads/2012/05/not_5882c3d7667f162df98ee9c1330f4c22.jpg" alt="" width="455" height="239" /></a><p class="wp-caption-text">Esta incluido no projeto o restante da pavimentação, drenagem e sinalização vertical e horizontal próximo às pontes; Foto.Sérgio Vasconcelo</p></div>
<h3>Serviços incluem pontes sobre os córregos do Calhauzinho, Gravatá, Córrego da Velha, Setúbal, São João, Caititu e Sucuriú</h3>
<p>A Minas Empreendimentos e Engenharia Ltda, com sede em Belo Horizonte, foi a vencedora da concorrência para encabeçamento das 7 pontes no trecho Araçuai-Francisco Badaró &#8211; Berilo sob os córregos do Calhauzinho, Gravatá, Córrego da velha, Setúbal, São João, Caititu e Sucuriú.</p>
<p>O trecho de 64 km cuja pavimentação teve início em 2009, foi concluído em 2010 pela Construtora Aterpa.</p>
<p>De acordo com o Engenheiro Chefe do DER ( Departamento de Estradas de Rodagem de MG), Marco Antonio de Lima, a previsão para o início das obras será em maio.</p>
<p>&#8221; Esta  incluido  no projeto o  restante da pavimentação, drenagem e sinalização vertical e horizontal&#8221; próximo às pontes.</p>
<p>A Minas Engenharia já está na região desde janeiro do ano passado realizando serviços de construção e alargamento de pontes, a exemplo das pontes sobre os rios Calhauzinho, Gravatá e Setúbal.</p>
<p>Fonte: Blog do Banu com informações da Gazeta de Araçuaí</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Notícias do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha: Informativo 44</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/noticias-do-programa-polo-de-integracao-da-ufmg-no-vale-do-jequitinhonha-informativo-44/</link>
		<comments>http://blog.onhas.com/2012/05/noticias-do-programa-polo-de-integracao-da-ufmg-no-vale-do-jequitinhonha-informativo-44/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 May 2012 02:12:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><img src="https://mail.google.com/mail/u/0/?ui=2&#38;ik=19c4732320&#38;view=att&#38;th=13757490d5a2ef23&#38;attid=0.1&#38;disp=emb&#38;realattid=57b438f23c305042_0.1&#38;zw&#38;atsh=1" alt="" width="610" height="128" align="right" /></p>
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<div align="right"><span style="font-family: 'Times New Roman';"><strong>16 de Maio de 2012 #44</strong></span></div>
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<p><strong><span style="color: #008000; font-family: Tahoma;">Polo em ação</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-family: Tahoma;">II Fórum da Mulher do Jequitinhonha</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Acontecerá nos dias 24 e 25 de maio deste ano, na Associação Atlética Banco do Brasil – AABB – localizado próximo ao estádio municipal de Itaobim. O fórum tem como objetivo contribuir para o fortalecimento do movimentos de mulheres no Vale e contará com palestras e debates que irão discutir as vivências, o cotidiano e a condição feminina. Também está prevista entre as atividades, a leitura da Carta da Mulher do Jequitinhonha, que foi redigida no I Fórum da Mulher. Da mesma forma a edição deste ano resultará na elaboração da II Carta.</span></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Saiba mais acessando os sites: </span><a href="http://www.itaobim50anos.com.br/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">www.itaobim50anos.com.br</span></span></a><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;"> </span><span style="font-family: Tahoma;">e </span><a href="http://www.ufmg.br/polojequitinhonha" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">www.ufmg.br/polojequitinhonha</span></span></a></p>
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<p><strong><span style="font-family: Tahoma;">13ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">A 13</span><strong><span style="font-family: Tahoma;">ª </span></strong><span style="font-family: Tahoma;">Feira de artesanato ocorreu durante os dias 07 a 12 de Maio na Praça de Serviços da UFMG, campus pampulha. O Programa de Artesanato Cooperativo tem como objetivo promover um encontro entre a comunidade universitária, os belo-horizontinos e a cultura do Vale do Jequitinhonha. O evento trouxe a capital mineira um pouco da riqueza e diversidade das produções artísticas da região. A Feira de Artesanato representa, para os artesãos, uma oportunidade para divulgação dos produtos artísticos do Vale e ampliação do comércio. Já para o visitante foi uma chance de adquirir e apreciar materiais de argila, babu, cerâmica, couro dentre outros. A feira deste ano seguiu a mesma linha da 12ª edição,surpreendendo os expositores com uma arrecadação de mais de 175 mil reais, sendo que a arrecadação do ano passado foi de cerca de 170 mil.</span></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Confira mais informações sobre a Feira no </span><a href="http://www.ufmg.br/polojequitinhonha/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">Portal do Programa Polo</span></span></a><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;"> </span><span style="font-family: Tahoma;">.</span></p>
<p>&#160;</p>
<p><strong><span style="color: #008000; font-family: Tahoma;">Polo na estrada</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-family: Tahoma;">1º edição da Mangazine</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Em breve será lançada a primeira edição da Mangazine, um informativo em forma de </span><em><span style="font-family: Tahoma;">folder</span></em><span style="font-family: Tahoma;">produzido pelos jovens do projeto Assessoria de Comunicação Colaborativa Itaobim 50 Anos. A Mangazine tem como objetivo informar a população sobre os eventos realizados para comemorar os 50 anos da cidade de Itaobim. A primeira edição traz informações sobre o III Seminário de Cidadania LGBT, o II Fórum da Mulher do Vale do Jequitinhonha, 1º Leilão de Leite e Corte de Itaobim, Festa do Vaqueiro, Feira Agropecuária, Festas Juninas e Festivale. A publicação será produzida e distribuída trimestralmente.</span></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Confira em breve versão digital no </span><a href="http://www.itaobim50anos.com.br/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">portal Itaobim50anos</span></span></a><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;"> </span><span style="font-family: Tahoma;">.</span></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://mail.google.com/mail/u/0/?ui=2&amp;ik=19c4732320&amp;view=att&amp;th=13757490d5a2ef23&amp;attid=0.1&amp;disp=emb&amp;realattid=57b438f23c305042_0.1&amp;zw&amp;atsh=1" alt="" width="610" height="128" align="right" /></p>
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<p><strong><span style="color: #008000; font-family: Tahoma;">Polo em ação</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-family: Tahoma;">II Fórum da Mulher do Jequitinhonha</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Acontecerá nos dias 24 e 25 de maio deste ano, na Associação Atlética Banco do Brasil – AABB – localizado próximo ao estádio municipal de Itaobim. O fórum tem como objetivo contribuir para o fortalecimento do movimentos de mulheres no Vale e contará com palestras e debates que irão discutir as vivências, o cotidiano e a condição feminina. Também está prevista entre as atividades, a leitura da Carta da Mulher do Jequitinhonha, que foi redigida no I Fórum da Mulher. Da mesma forma a edição deste ano resultará na elaboração da II Carta.</span></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Saiba mais acessando os sites: </span><a href="http://www.itaobim50anos.com.br/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">www.itaobim50anos.com.br</span></span></a><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;"> </span><span style="font-family: Tahoma;">e </span><a href="http://www.ufmg.br/polojequitinhonha" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">www.ufmg.br/polojequitinhonha</span></span></a></p>
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<p><strong><span style="font-family: Tahoma;">13ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">A 13</span><strong><span style="font-family: Tahoma;">ª </span></strong><span style="font-family: Tahoma;">Feira de artesanato ocorreu durante os dias 07 a 12 de Maio na Praça de Serviços da UFMG, campus pampulha. O Programa de Artesanato Cooperativo tem como objetivo promover um encontro entre a comunidade universitária, os belo-horizontinos e a cultura do Vale do Jequitinhonha. O evento trouxe a capital mineira um pouco da riqueza e diversidade das produções artísticas da região. A Feira de Artesanato representa, para os artesãos, uma oportunidade para divulgação dos produtos artísticos do Vale e ampliação do comércio. Já para o visitante foi uma chance de adquirir e apreciar materiais de argila, babu, cerâmica, couro dentre outros. A feira deste ano seguiu a mesma linha da 12ª edição,surpreendendo os expositores com uma arrecadação de mais de 175 mil reais, sendo que a arrecadação do ano passado foi de cerca de 170 mil.</span></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Confira mais informações sobre a Feira no </span><a href="http://www.ufmg.br/polojequitinhonha/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">Portal do Programa Polo</span></span></a><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;"> </span><span style="font-family: Tahoma;">.</span></p>
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<p><strong><span style="color: #008000; font-family: Tahoma;">Polo na estrada</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-family: Tahoma;">1º edição da Mangazine</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Em breve será lançada a primeira edição da Mangazine, um informativo em forma de </span><em><span style="font-family: Tahoma;">folder</span></em><span style="font-family: Tahoma;">produzido pelos jovens do projeto Assessoria de Comunicação Colaborativa Itaobim 50 Anos. A Mangazine tem como objetivo informar a população sobre os eventos realizados para comemorar os 50 anos da cidade de Itaobim. A primeira edição traz informações sobre o III Seminário de Cidadania LGBT, o II Fórum da Mulher do Vale do Jequitinhonha, 1º Leilão de Leite e Corte de Itaobim, Festa do Vaqueiro, Feira Agropecuária, Festas Juninas e Festivale. A publicação será produzida e distribuída trimestralmente.</span></p>
<p><span style="font-family: Tahoma;">Confira em breve versão digital no </span><a href="http://www.itaobim50anos.com.br/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;">portal Itaobim50anos</span></span></a><span style="color: #0000ff; font-family: Tahoma;"> </span><span style="font-family: Tahoma;">.</span></p>
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		<item>
		<title>O esculacho do torturador de Dilma Rousseff</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/o-esculacho-do-torturador-de-dilma-rousseff/</link>
		<comments>http://blog.onhas.com/2012/05/o-esculacho-do-torturador-de-dilma-rousseff/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 May 2012 04:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #008000;">E</span><span style="color: #008000;">xtraído do Blog <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-esculacho-do-torturador-de-dilma-rousseff.html" target="_blank"><span style="color: #008000;">Viomundo</span></a> ComTexto do </span><strong><a href="http://levante.org.br/wp/levante-esculacha-torturador-da-presidenta-dilma-rousseff/"><span style="color: #008000;">do Levante Popular da Juventude, sugerido pelo Igor</span> Felippe</a></strong></p>
<div id="attachment_5542" class="wp-caption alignleft" style="width: 330px"><a href="http://blog.onhas.com/2012/05/o-esculacho-do-torturador-de-dilma-rousseff/esculacho/" rel="attachment wp-att-5542"><img class="size-full wp-image-5542" title="esculacho" src="http://blog.onhas.com/wp-content/uploads/2012/05/esculacho.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Levante esculacha torturador da presidenta Dilma Rousseff</p></div>
<p style="text-align: justify;">Cem jovens do Levante Popular da Juventude fizeram o esculhacho do tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, que foi reconhecido pela presidenta Dilma Roussef como torturador da Operação Bandeirante, no município do Guarujá, no litoral de São Paulo (Rua Tereza Moura, 36).</p>
<p style="text-align: justify;">Em depoimento à Justiça Militar, em 1970, quando tinha 22 anos, Dilma afirmou ter sido ameaçada de novas torturas por dois militares chefiados por Lopes. Ao perguntar-lhes se estavam autorizados pelo Poder Judiciário, recebeu a seguinte resposta: “Você vai ver o que é o juiz lá na Operação Bandeirante” (um dos centros de tortura da ditadura militar).</p>
<p style="text-align: justify;">Maurício Lopes Lima foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF), em ação civil pública ajuizada em novembro de 2010, como um dos responsáveis pela morte ou desaparecimento de seis pessoas e pela tortura de outras 20 nos anos de 1969 e 1970. Segundo o MPF, o militar foi “chefe de equipe de busca e orientador de interrogatórios” da Operação Bandeirante (Oban) e do DOI/Codi.</p>
<p style="text-align: justify;"> Lopes nega ter torturado qualquer preso, incluindo a presidenta, mas admite que a tortura era um procedimento comum à repressão. Em entrevista ao jornal A Tribuna, de Santos, em 2010, declarou: “Eu sou uma testemunha da tortura. Sim, eu sou. (…) a tortura, no Brasil, era uma coisa comum (…) da polícia nossa.”</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, Dilma foi perguntada de quem apanhava quando estava presa e respondeu: “O capitão Maurício sempre aparecia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Dilma, que era uma das líderes da VAR-Palmares, foi presa em 16 de janeiro de 1970. Ela foi brutalmente torturada e seviciada, submetida a choques e pau-de-arara durante 22 dias. No depoimento à Justiça Militar, em Juiz de Fora, em 18 de maio, cinco meses depois de ser presa, Dilma deu detalhes da tortura no Dops. “Repete-se que foi torturada física, psíquica e moralmente; que isso de seu durante 22 dias após o dia 16 de janeiro (dia em que foi presa)”, diz trecho do depoimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, leia a entrevista publicada pela<strong> Folha de S. Paulo</strong>, no 21 de junho de 2005, concedida em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que lembranças a sra. guardou dos tempos de cadeia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma Rousseff – A prisão é uma coisa em que a gente se encontra com os limites da gente. É isso que às vezes é muito duro. Nos depoimentos, a gente mentia feito doido. Mentia muito, mas muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em um dos seus depoimentos da fase judicial, a sra. denunciou que o capitão Maurício foi ameaçá-la de tortura por estar indignado com as propositais contradições de seus depoimentos. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Voltei várias vezes para a Oban, a Operação Bandeirante. Descobriam que uma história não fechava com a outra, e aí voltava. Mas aí eu já era preso velho. Preso velho é um bicho muito difícil de pegar na curva. Preso novo, você não sabe o tamanho da dor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como era essa história de mentir diante da tortura? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – A gente tinha que fazer uma moldura e só se lembrar da moldura, da história que se inventava, e não saía disso. Tinha que ter uma história. Na relação do torturador com o torturado a única coisa que não pode acontecer é você falar “não falo”. Se você falar “não falo”, dali a cinco minutos você pode ser obrigado a falar, porque eles sabem que você tem algo a dizer. Se você falar “não falo”, você diz pra eles o seguinte: “Eu sei o que você quer saber e não te direi”. Aí você entrega a arma pra ele te torturar e te perguntar. Sua história não pode ser “não falo”. Tem que ser uma história e dali para a frente você não sabe mais nada, não pode saber.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>É um jogo difícil. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – É uma arte. A dificuldade é convencê-lo de que você não sabe mais do que aquela moldura. Não é um jogo só de resistência física, é de resistência psíquica. Até porque uma das coisas que você descobre é que você está sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais são as cenas que estão vindo na sua cabeça, agora? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Eu lembro de chegar na Operação Bandeirante, presa, no início de 70. Era aquele negócio meio terreno baldio, não tinha nem muro, direito. Eu entrei no pátio da Operação Bandeirante e começaram a gritar “mata!”, “tira a roupa”, “terrorista”, “filha da puta”, “deve ter matado gente”. E lembro também perfeitamente que me botaram numa cela. Muito estranho. Uma porção de mulheres. Tinha uma menina grávida que perguntou meu nome. Eu dei meu nome verdadeiro. Ela disse: “Xi, você está ferrada”. Foi o meu primeiro contato com o esperar. A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti ali que a barra era pesada. E foi. Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por onde a tortura começou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Palmatória. Levei muita palmatória.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem batia? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – O capitão Maurício sempre aparecia. Ele não era interrogador, era da equipe de busca. Dos que dirigiam, o primeiro era o Homero, o segundo era o Albernaz. O terceiro eu não me lembro o nome. Era um baixinho. Quem comandava era o major Waldir [Coelho], que a gente chamava de major Lingüinha, porque ele falava assim [com língua presa].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem torturava? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – O Albernaz e o substituto dele, que se chamava Tomás. Eu não sei se é nome de guerra. Quem mandava era o Albernaz, quem interrogava era o Albernaz. O Albernaz batia e dava soco. Ele dava muito soco nas pessoas. Ele começava a te interrogar. Se não gostasse das respostas, ele te dava soco. Depois da palmatória, eu fui pro pau-de-arara.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dá pra relembrar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Mandaram eu tirar a roupa. Eu não tirei, porque a primeira reação é não tirar, pô. Eles me arrancaram a parte de cima e me botaram com o resto no pau-de-arara. Aí começou a prender a circulação. Um outro xingou não sei quem, aí me tiraram a roupa toda. Daí depois me botaram outra vez.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com choques nas partes genitais, como acontecia? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Não. Isso não fizeram. Mas fizeram choque, muito choque, mas muito choque. Eu lembro, nos primeiros dias, que eu tinha uma exaustão física, que eu queria desmaiar, não agüentava mais tanto choque. Eu comecei a ter hemorragia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde eram esses choques? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Em tudo quanto é lugar. Nos pés, nas mãos, na parte interna das coxas, nas orelhas. Na cabeça, é um horror. No bico do seio. Botavam uma coisa assim, no bico do seio, era uma coisa que prendia, segurava. Aí cansavam de fazer isso, porque tinha que ter um envoltório, pra enrolar, e largava. Aí você se urina, você se caga todo, você…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quanto tempo durava uma sessão dessas? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Nos primeiros dias, muito tempo. A gente perde a noção. Você não sabe quanto tempo, nem que tempo que é. Sabe por quê? Porque pára, e quando pára não melhora, porque ele fala o seguinte: “Agora você pensa um pouco”. Parava, me retiravam e me jogavam nesse lugar do ladrilho, que era um banheiro, no primeiro andar do DOI-Codi. Com sangue, com tudo. Te largam. Depois, você treme muito, você tem muito frio. Você está nu, né? É muito frio. Aí voltava. Nesse dia foi muito tempo. Teve uma hora que eu estava em posição fetal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dá pra pensar em resistir, em não falar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – A forma de resistir era dizer comigo mesmo: “Daqui a pouco eu vou contar tudo o que eu sei”. Falava pra mim mesmo. Aí passava um pouquinho. E mais um pouco. E aí você vai indo. Você não pode imaginar que vai durar uma hora, duas. Só pode pensar no daqui a pouco. Não pode pensar na dor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A sra. agüentou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> Dilma – Eu agüentei. Não disse nem onde eu morava. Não disse quem era o Max [codinome de Carlos Franklin Paixão de Araújo, então seu marido]. Não entreguei o Breno [Carlos Alberto Bueno de Freitas], porque tinha muita dó. Vou dizer uma coisa que uma tupamara, presa com a gente, disse pra mim. A tupamara ficou até com lesão cerebral. Ela disse: “Sabe por que eu não disse, naquele dia, quem era quem? Porque eu era mulher do fulano de tal e queria provar que o uruguaio é tão bom quanto o brasileiro”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual é o significado da frase? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Que as razões que levam a gente a não falar são as mais variadas possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais foram as suas? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Tinha um menino da ALN que chamava “Mister X”. Eu o vi completamente destruído. Não sei o que foi feito dele. Nunca vou esquecer o quadro em que ele estava. Primeiro, eu não queria que meus companheiros estivessem numa situação daquelas. Segundo, eu tinha medo que algum deles morresse. Terceiro, porque teve um dia que eu tive uma hemorragia muito grande, foi o dia em que eu estive pior. Hemorragia, mesmo, que nem menstruação. Eles tiveram que me levar para o Hospital Central do Exército. Encontrei uma menina da ALN. Ela disse: “Pula um pouco no quarto para a hemorragia não parar e você não ter que voltar”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palmatória, pau-de-arara, choque. O que mais? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Não comer. O frio. A noite. Eles te botam na sala e falam: “Daqui a duas horas eu volto pra te interrogar”. Ficar esperando a tortura. Tem um nível de dor em que você apaga, em que você não agüenta mais. A dor tem que ser infligida com o controle deles. Ele tem que demonstrar que tem o poder de controlar tua dor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E o torturado? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – O jogo é jamais revelar pra ele o que você acha. Ele não pode saber o que você pensa e ele nunca pode achar que você só fala depois de apanhar. Jamais. É melhor você não deixar ele perceber que te tira informação por tortura. Tem que ter uma história. O ruim é quando a sua história rui, por qualquer motivo. Ele acha que você mentiu. Se ele achar que você mentiu, você está roubada. Ele descobriu qual é o jogo. Quando você volta, e é por isso que voltar é ruim, ele diz: “Você mentiu, pô, o negócio é que você mente”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A sua história caiu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Uma vez caiu tudo, mas aí era tarde demais. Caiu tudinho da Silva. Porque eu dizia que o meu marido tinha seqüestrado o avião e que, se eu não tinha saído com ele, é que eu era uma pessoa que não sabia de nada, que, se soubesse, teria ido junto. Aí eles descobrem que eu era da direção da VAR, e que portanto era impossível não saber do seqüestro. Tava zebrado. Aí tem que falar: “Não, eu era da direção, mas estava separada dele”. Se a sua história cai, você está roubado.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>O que é que ajuda, nesses momentos? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Se eu tivesse ficado sozinha na cadeia, teria muito mais problemas. Devo grande parte de ter superado, absorvido e em alguns momentos chegado até a ironizar a tortura, para agüentar, às minhas companheiras. Eu lembro do povo do [presídio] Tiradentes, que esteve comigo.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>De algum momento em particular? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Quando alguma de nós era chamada para o repique, que era voltar à Oban, havia um processo de contágio, de medo, e de uma identificação muito forte entre nós. Como forma de ter controle da situação, a gente dessolenizava. Então, tinha uma variante de grito de guerra. Não mostra que a gente foi heroína, coisíssima nenhuma, e não é nesse sentido. Mas foi a tentativa mais humana de dominar o indizível, que era dizer: “Fulana, não liga não, se você for torturada a gente denuncia”. E ria disso, pela ironia absoluta que é. O que é que adianta denunciar? Para torturado, o que é que adianta? Mas a gente gritava isso na hora que a pessoa estava saindo da cela, como uma forma de manter o nível de controle sob seu destino, que você não tinha. Você não sabia para onde você ia ou para onde a sua companheira ia.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Que balanço a sra. faz da experiência desse período? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Não daria certo. A gente fez uma análise errada. Achamos que a ditadura estava em crise, e estava iniciando o “milagre” [econômico]. A gente não percebeu em que condições a atuava. Se a gente tivesse feito uma análise correta da realidade, se tivesse visto o que estava acontecendo… Mas a gente não percebeu, apesar da retórica, qual era o nível de endurecimento político e de repressão que eles iam desenvolver.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>O que dizia a retórica? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – A gente achava que o negócio era uma guerra revolucionária prolongada, ou era um processo de guerrilha urbana, no momento em que o sistema estava em expansão ou ia começar uma baita expansão e o endurecimento pesado. Não se esqueça que no meio de 69 tem a Junta Militar, e daí para a frente você tem talvez o período mais pesado da ditadura, que é o período Médici. É o prende, prende, mata, mata. Numa situação dessas, nós estávamos muito isolados, talvez umas 240 pessoas. O que é que eles fizeram? Eles nos cercaram, desmantelaram, e uma parte mataram. Foi isso que eles fizeram conosco. Eles isolaram a gente e mataram.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E por que se avaliou tão mal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – De uma certa forma, a gente tinha um modelo na cabeça. De todo forma, eu acho que a minha geração tem um grande mérito, que é o negócio da Var-Palmares: “Ousar Lutar, Ousar Vencer”. Esse lado de uma certa ousadia. A gente tinha uma imensa generosidade e acreditávamos que era possível fazer um Brasil mais igual. Eu tenho orgulho da minha geração, de a gente ter lutado e de ter participado de todo um sonho de construir um Brasil melhor. Acho que aprendemos muito. Fizemos muita bobagem, mas não é isso que nos caracteriza. O que nós caracteriza é ter ousado querer um país melhor.</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #008000;">E</span><span style="color: #008000;">xtraído do Blog <a href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-esculacho-do-torturador-de-dilma-rousseff.html" target="_blank"><span style="color: #008000;">Viomundo</span></a> ComTexto do </span><strong><a href="http://levante.org.br/wp/levante-esculacha-torturador-da-presidenta-dilma-rousseff/"><span style="color: #008000;">do Levante Popular da Juventude, sugerido pelo Igor</span> Felippe</a></strong></p>
<div id="attachment_5542" class="wp-caption alignleft" style="width: 330px"><a href="http://blog.onhas.com/2012/05/o-esculacho-do-torturador-de-dilma-rousseff/esculacho/" rel="attachment wp-att-5542"><img class="size-full wp-image-5542" title="esculacho" src="http://blog.onhas.com/wp-content/uploads/2012/05/esculacho.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Levante esculacha torturador da presidenta Dilma Rousseff</p></div>
<p style="text-align: justify;">Cem jovens do Levante Popular da Juventude fizeram o esculhacho do tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, que foi reconhecido pela presidenta Dilma Roussef como torturador da Operação Bandeirante, no município do Guarujá, no litoral de São Paulo (Rua Tereza Moura, 36).</p>
<p style="text-align: justify;">Em depoimento à Justiça Militar, em 1970, quando tinha 22 anos, Dilma afirmou ter sido ameaçada de novas torturas por dois militares chefiados por Lopes. Ao perguntar-lhes se estavam autorizados pelo Poder Judiciário, recebeu a seguinte resposta: “Você vai ver o que é o juiz lá na Operação Bandeirante” (um dos centros de tortura da ditadura militar).</p>
<p style="text-align: justify;">Maurício Lopes Lima foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF), em ação civil pública ajuizada em novembro de 2010, como um dos responsáveis pela morte ou desaparecimento de seis pessoas e pela tortura de outras 20 nos anos de 1969 e 1970. Segundo o MPF, o militar foi “chefe de equipe de busca e orientador de interrogatórios” da Operação Bandeirante (Oban) e do DOI/Codi.</p>
<p style="text-align: justify;"> Lopes nega ter torturado qualquer preso, incluindo a presidenta, mas admite que a tortura era um procedimento comum à repressão. Em entrevista ao jornal A Tribuna, de Santos, em 2010, declarou: “Eu sou uma testemunha da tortura. Sim, eu sou. (…) a tortura, no Brasil, era uma coisa comum (…) da polícia nossa.”</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, Dilma foi perguntada de quem apanhava quando estava presa e respondeu: “O capitão Maurício sempre aparecia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Dilma, que era uma das líderes da VAR-Palmares, foi presa em 16 de janeiro de 1970. Ela foi brutalmente torturada e seviciada, submetida a choques e pau-de-arara durante 22 dias. No depoimento à Justiça Militar, em Juiz de Fora, em 18 de maio, cinco meses depois de ser presa, Dilma deu detalhes da tortura no Dops. “Repete-se que foi torturada física, psíquica e moralmente; que isso de seu durante 22 dias após o dia 16 de janeiro (dia em que foi presa)”, diz trecho do depoimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, leia a entrevista publicada pela<strong> Folha de S. Paulo</strong>, no 21 de junho de 2005, concedida em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que lembranças a sra. guardou dos tempos de cadeia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma Rousseff – A prisão é uma coisa em que a gente se encontra com os limites da gente. É isso que às vezes é muito duro. Nos depoimentos, a gente mentia feito doido. Mentia muito, mas muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em um dos seus depoimentos da fase judicial, a sra. denunciou que o capitão Maurício foi ameaçá-la de tortura por estar indignado com as propositais contradições de seus depoimentos. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Voltei várias vezes para a Oban, a Operação Bandeirante. Descobriam que uma história não fechava com a outra, e aí voltava. Mas aí eu já era preso velho. Preso velho é um bicho muito difícil de pegar na curva. Preso novo, você não sabe o tamanho da dor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como era essa história de mentir diante da tortura? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – A gente tinha que fazer uma moldura e só se lembrar da moldura, da história que se inventava, e não saía disso. Tinha que ter uma história. Na relação do torturador com o torturado a única coisa que não pode acontecer é você falar “não falo”. Se você falar “não falo”, dali a cinco minutos você pode ser obrigado a falar, porque eles sabem que você tem algo a dizer. Se você falar “não falo”, você diz pra eles o seguinte: “Eu sei o que você quer saber e não te direi”. Aí você entrega a arma pra ele te torturar e te perguntar. Sua história não pode ser “não falo”. Tem que ser uma história e dali para a frente você não sabe mais nada, não pode saber.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>É um jogo difícil. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – É uma arte. A dificuldade é convencê-lo de que você não sabe mais do que aquela moldura. Não é um jogo só de resistência física, é de resistência psíquica. Até porque uma das coisas que você descobre é que você está sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais são as cenas que estão vindo na sua cabeça, agora? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Eu lembro de chegar na Operação Bandeirante, presa, no início de 70. Era aquele negócio meio terreno baldio, não tinha nem muro, direito. Eu entrei no pátio da Operação Bandeirante e começaram a gritar “mata!”, “tira a roupa”, “terrorista”, “filha da puta”, “deve ter matado gente”. E lembro também perfeitamente que me botaram numa cela. Muito estranho. Uma porção de mulheres. Tinha uma menina grávida que perguntou meu nome. Eu dei meu nome verdadeiro. Ela disse: “Xi, você está ferrada”. Foi o meu primeiro contato com o esperar. A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti ali que a barra era pesada. E foi. Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por onde a tortura começou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Palmatória. Levei muita palmatória.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem batia? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – O capitão Maurício sempre aparecia. Ele não era interrogador, era da equipe de busca. Dos que dirigiam, o primeiro era o Homero, o segundo era o Albernaz. O terceiro eu não me lembro o nome. Era um baixinho. Quem comandava era o major Waldir [Coelho], que a gente chamava de major Lingüinha, porque ele falava assim [com língua presa].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem torturava? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – O Albernaz e o substituto dele, que se chamava Tomás. Eu não sei se é nome de guerra. Quem mandava era o Albernaz, quem interrogava era o Albernaz. O Albernaz batia e dava soco. Ele dava muito soco nas pessoas. Ele começava a te interrogar. Se não gostasse das respostas, ele te dava soco. Depois da palmatória, eu fui pro pau-de-arara.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dá pra relembrar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Mandaram eu tirar a roupa. Eu não tirei, porque a primeira reação é não tirar, pô. Eles me arrancaram a parte de cima e me botaram com o resto no pau-de-arara. Aí começou a prender a circulação. Um outro xingou não sei quem, aí me tiraram a roupa toda. Daí depois me botaram outra vez.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com choques nas partes genitais, como acontecia? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Não. Isso não fizeram. Mas fizeram choque, muito choque, mas muito choque. Eu lembro, nos primeiros dias, que eu tinha uma exaustão física, que eu queria desmaiar, não agüentava mais tanto choque. Eu comecei a ter hemorragia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Onde eram esses choques? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Em tudo quanto é lugar. Nos pés, nas mãos, na parte interna das coxas, nas orelhas. Na cabeça, é um horror. No bico do seio. Botavam uma coisa assim, no bico do seio, era uma coisa que prendia, segurava. Aí cansavam de fazer isso, porque tinha que ter um envoltório, pra enrolar, e largava. Aí você se urina, você se caga todo, você…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quanto tempo durava uma sessão dessas? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Nos primeiros dias, muito tempo. A gente perde a noção. Você não sabe quanto tempo, nem que tempo que é. Sabe por quê? Porque pára, e quando pára não melhora, porque ele fala o seguinte: “Agora você pensa um pouco”. Parava, me retiravam e me jogavam nesse lugar do ladrilho, que era um banheiro, no primeiro andar do DOI-Codi. Com sangue, com tudo. Te largam. Depois, você treme muito, você tem muito frio. Você está nu, né? É muito frio. Aí voltava. Nesse dia foi muito tempo. Teve uma hora que eu estava em posição fetal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dá pra pensar em resistir, em não falar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – A forma de resistir era dizer comigo mesmo: “Daqui a pouco eu vou contar tudo o que eu sei”. Falava pra mim mesmo. Aí passava um pouquinho. E mais um pouco. E aí você vai indo. Você não pode imaginar que vai durar uma hora, duas. Só pode pensar no daqui a pouco. Não pode pensar na dor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A sra. agüentou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> Dilma – Eu agüentei. Não disse nem onde eu morava. Não disse quem era o Max [codinome de Carlos Franklin Paixão de Araújo, então seu marido]. Não entreguei o Breno [Carlos Alberto Bueno de Freitas], porque tinha muita dó. Vou dizer uma coisa que uma tupamara, presa com a gente, disse pra mim. A tupamara ficou até com lesão cerebral. Ela disse: “Sabe por que eu não disse, naquele dia, quem era quem? Porque eu era mulher do fulano de tal e queria provar que o uruguaio é tão bom quanto o brasileiro”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual é o significado da frase? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Que as razões que levam a gente a não falar são as mais variadas possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais foram as suas? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Tinha um menino da ALN que chamava “Mister X”. Eu o vi completamente destruído. Não sei o que foi feito dele. Nunca vou esquecer o quadro em que ele estava. Primeiro, eu não queria que meus companheiros estivessem numa situação daquelas. Segundo, eu tinha medo que algum deles morresse. Terceiro, porque teve um dia que eu tive uma hemorragia muito grande, foi o dia em que eu estive pior. Hemorragia, mesmo, que nem menstruação. Eles tiveram que me levar para o Hospital Central do Exército. Encontrei uma menina da ALN. Ela disse: “Pula um pouco no quarto para a hemorragia não parar e você não ter que voltar”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Palmatória, pau-de-arara, choque. O que mais? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Não comer. O frio. A noite. Eles te botam na sala e falam: “Daqui a duas horas eu volto pra te interrogar”. Ficar esperando a tortura. Tem um nível de dor em que você apaga, em que você não agüenta mais. A dor tem que ser infligida com o controle deles. Ele tem que demonstrar que tem o poder de controlar tua dor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E o torturado? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – O jogo é jamais revelar pra ele o que você acha. Ele não pode saber o que você pensa e ele nunca pode achar que você só fala depois de apanhar. Jamais. É melhor você não deixar ele perceber que te tira informação por tortura. Tem que ter uma história. O ruim é quando a sua história rui, por qualquer motivo. Ele acha que você mentiu. Se ele achar que você mentiu, você está roubada. Ele descobriu qual é o jogo. Quando você volta, e é por isso que voltar é ruim, ele diz: “Você mentiu, pô, o negócio é que você mente”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A sua história caiu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Uma vez caiu tudo, mas aí era tarde demais. Caiu tudinho da Silva. Porque eu dizia que o meu marido tinha seqüestrado o avião e que, se eu não tinha saído com ele, é que eu era uma pessoa que não sabia de nada, que, se soubesse, teria ido junto. Aí eles descobrem que eu era da direção da VAR, e que portanto era impossível não saber do seqüestro. Tava zebrado. Aí tem que falar: “Não, eu era da direção, mas estava separada dele”. Se a sua história cai, você está roubado.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>O que é que ajuda, nesses momentos? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Se eu tivesse ficado sozinha na cadeia, teria muito mais problemas. Devo grande parte de ter superado, absorvido e em alguns momentos chegado até a ironizar a tortura, para agüentar, às minhas companheiras. Eu lembro do povo do [presídio] Tiradentes, que esteve comigo.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>De algum momento em particular? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Quando alguma de nós era chamada para o repique, que era voltar à Oban, havia um processo de contágio, de medo, e de uma identificação muito forte entre nós. Como forma de ter controle da situação, a gente dessolenizava. Então, tinha uma variante de grito de guerra. Não mostra que a gente foi heroína, coisíssima nenhuma, e não é nesse sentido. Mas foi a tentativa mais humana de dominar o indizível, que era dizer: “Fulana, não liga não, se você for torturada a gente denuncia”. E ria disso, pela ironia absoluta que é. O que é que adianta denunciar? Para torturado, o que é que adianta? Mas a gente gritava isso na hora que a pessoa estava saindo da cela, como uma forma de manter o nível de controle sob seu destino, que você não tinha. Você não sabia para onde você ia ou para onde a sua companheira ia.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Que balanço a sra. faz da experiência desse período? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – Não daria certo. A gente fez uma análise errada. Achamos que a ditadura estava em crise, e estava iniciando o “milagre” [econômico]. A gente não percebeu em que condições a atuava. Se a gente tivesse feito uma análise correta da realidade, se tivesse visto o que estava acontecendo… Mas a gente não percebeu, apesar da retórica, qual era o nível de endurecimento político e de repressão que eles iam desenvolver.</p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>O que dizia a retórica? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – A gente achava que o negócio era uma guerra revolucionária prolongada, ou era um processo de guerrilha urbana, no momento em que o sistema estava em expansão ou ia começar uma baita expansão e o endurecimento pesado. Não se esqueça que no meio de 69 tem a Junta Militar, e daí para a frente você tem talvez o período mais pesado da ditadura, que é o período Médici. É o prende, prende, mata, mata. Numa situação dessas, nós estávamos muito isolados, talvez umas 240 pessoas. O que é que eles fizeram? Eles nos cercaram, desmantelaram, e uma parte mataram. Foi isso que eles fizeram conosco. Eles isolaram a gente e mataram.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E por que se avaliou tão mal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dilma – De uma certa forma, a gente tinha um modelo na cabeça. De todo forma, eu acho que a minha geração tem um grande mérito, que é o negócio da Var-Palmares: “Ousar Lutar, Ousar Vencer”. Esse lado de uma certa ousadia. A gente tinha uma imensa generosidade e acreditávamos que era possível fazer um Brasil mais igual. Eu tenho orgulho da minha geração, de a gente ter lutado e de ter participado de todo um sonho de construir um Brasil melhor. Acho que aprendemos muito. Fizemos muita bobagem, mas não é isso que nos caracteriza. O que nós caracteriza é ter ousado querer um país melhor.</p>
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		<title>Indígenas e quilombolas perdem conquistas e são cada vez mais vítimas de violência</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #008000;"><em>Originalmente Publicado no </em></span><a href="http://www.ecodebate.com.br/2012/05/16/indigenas-e-quilombolas-perdem-conquistas-e-sao-cada-vez-mais-vitimas-de-violencia/" target="_blank"><span style="color: #008000;"><em>EcoDebate em 16 de maio, de 2012</em></span>.</a></p>
<p style="text-align: justify;">A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou nesta semana o Relatório Conflitos no Campo Brasil 2011. O documento revela que em relação a 2010 aumentou muito o número de ameaçados de morte – 117%.  O relatório é lançado anualmente pela CPT e, nesta edição, faz uma homenagem e ao mesmo tempo um apelo trazendo na capa a foto do casal Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro, assassinados no ano passado. Ambos, já haviam figurado mais de uma vez como ameaçados de morte em relatórios anteriores. “Uma ameaça é uma morte anunciada”, alerta Isolete Vichinieski, da Coordenação Nacional da CPT. Nesta entrevista, Isolete fala sobre os principais pontos do relatório, como a prevalência de situações de violência com comunidades indígenas e quilombolas e o protagonismo do poder privado nessas ações. Pela primeira vez, o estudo se debruça também sobre os problemas de violência associados aos altos índices de utilização de agrotóxicos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório aponta um pequeno crescimento nos conflitos no campo em 2011 em relação a 2010. De 1.186 casos, o número aumentou para 1.363. O que o conjunto dos dados lançados agora revelam em relação a esse contexto de violência?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O número de conflitos por terra, que é 1.035, segue uma média dos últimos anos oito anos – de 2003 a 2011. Se olharmos do ponto de vista da média geral dos conflitos, eles aumentaram muito pouco do ano passado para cá, em torno de 15%. O aumento está relacionado principalmente às comunidades tradicionais, em decorrência da questão da flexibilização da legislação. A questão da mudança no código florestal, com um avanço do desmatamento e também um investimento maior do próprio governo no agronegócio, que na realidade é um investimento do capital no campo, têm relação com esse aumento da violência às comunidades tradicionais. Esse investimento do capital no campo está expandindo as áreas do agronegócio e pressionando as comunidades, principalmente as tradicionais, que nos últimos anos vêm sendo destaque na questão dos conflitos do campo. Em 2011, a ação dos movimentos sociais nas ocupações de terra e nos acampamentos diminuiu, à medida que 52% dos conflitos corresponderam aos quilombolas, indígenas, extrativistas, ribeirinhos. Outros aspectos a serem destacados são os conflitos gerados pelas obras de infraestrutura do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], que também estão pressionando as comunidades, bem como as mineradoras. Então, este avanço do capital na produção de <em>commodities</em> e esse modelo de produção é que acabam pressionando as comunidades e ocasionando os conflitos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório mostra um aumento significativo do número de ameaçados de morte.  A CPT torna públicos com este documento os nomes e as localidades das pessoas. O que se espera com isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Houve um crescimento enorme, mais de 117%. A CPT divulga esses dados há 27 anos, nos últimos anos temos levado ao conhecimento de toda a população, mas principalmente temos feito um esforço de a cada ano fazer uma audiência em algum Ministério para demonstrar essa problemática. Protocolamos este caderno de 2011 em nove ministérios, para realmente apresentar ao governo e mostrar à sociedade que essa realidade no campo muitas vezes não aparece. E não são apenas números, por trás dos números estão rostos de pessoas, comunidades inteiras, porque quando se ameaça uma pessoa de uma comunidade, muitas vezes a comunidade inteira acaba ameaçada. Então, com isso queremos que a sociedade pressione o governo dizendo que essa realidade existe e que precisa de ações concretas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em relação aos ameaçados de morte presentes nos relatórios anteriores, essas ameaças se concretizaram? A CPT presenciou ações do poder público no sentido de coibir os crimes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas ameaças se concretizaram. Dos 29 assassinatos que tivemos no ano passado, 11 dessas pessoas assassinadas constavam da nossa lista de ameaçados. Quando se faz uma ameaça é uma morte anunciada, infelizmente. Se no ano passado aumentou muito o número de ameaçados, quais são as perspectivas para os próximos anos se o governo realmente não colocar em prática ações eficazes que possam ou proteger essas testemunhas ou realmente resolver a problemática?</p>
<p style="text-align: justify;">No ano passado, a partir da morte do casal Maria do Espírito Santo e José Claudio, tivemos várias reuniões com o governo, principalmente com a Secretaria de Direitos Humanos para garantir a proteção das pessoas ameaçadas. Principalmente nos estados de Rondônia, Maranhão, Amazonas e Pará, que tinham um número maior de ameaçados, atuamos junto à Secretaria de Direitos Humanos para acompanhar esses casos. Dessa lista total de ameaçados, com 125 nomes, a Secretaria selecionou apenas alguns que poderiam receber a proteção e fez um levantamento nessas comunidades. Não recebemos ainda um comunicado oficial sobre quais pessoas foram selecionadas e há muitas pessoas que não recebem proteção e estão sendo ameaçadas constantemente, como é o caso da Laísa, irmã da Maria do Espírito Santo, que esteve no lançamento do relatório em Brasília e contou a maneira como está sendo ameaçada e também que ainda não está garantida a sua proteção. No ano passado, foi formado um grupo interministerial para tentar resolver esse problema, só que até o momento não temos um resultado muito concreto nesse sentido. Outra questão é a cobrança ao governo de políticas que garantam realmente que os conflitos diminuam, porque não adianta termos apenas medidas paliativas de proteção aos ameaçados. É preciso resolver o problema do conflito na raiz, que é a questão fundiária no Brasil. Resolver a reforma agrária, a demarcação das terras indígenas, a titulação das terras quilombolas se faz necessário para que se garanta o direito dessas comunidades e a diminuição dos conflitos no campo.  A Maria do Espírito Santo e o José Claudio estavam nos relatórios de anos anteriores como ameaçados de morte. Apareceram mais de uma vez, inclusive, o que quer dizer que foram ameaçados diversas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A CPT conhece os critérios do governo para escolher as pessoas ameaçadas que serão protegidas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não. E esses critérios não foram discutidos conosco, e nós acreditamos que a melhor maneira seria discutir isso com as pessoas que acompanham esses processos. O que temos reivindicado também é que é necessário defender toda a comunidade, com a presença de um efetivo de policiais nos locais, porque não adianta só defender uma pessoa, já que a comunidade também está sendo ameaçada. E a ameaça, assim que se concretiza, passa de uma pessoa para outra. Antes eram ameaçados a Maria do Espírito Santo e o José Claudio, agora já é a irmã da Maria do Espírito Santo, e tem pessoas do próprio assentamento onde eles moravam que acabaram saindo de lá, e outras que estão sendo ameaçadas por fazerem essa denuncia e resistirem à ação dos madeireiros na região. Na mesma região do Dinho [Adelino Ramos, liderança camponesa assassinada no ano passado], no sul do Amazonas, em Lábrea, esse ano teve outro assassinato.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório aponta um predomínio de ações de violências por parte do poder privado. Segundo o documento, houve menos ações por parte do poder público e também um refluxo das ações de ocupação e de acampamentos dos movimentos sociais. O que este quadro demonstra?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se há uma ação menor dos movimentos sociais nas ocupações, diminuem as ações do estado, porque quando há ocupação, o estado é acionado para fazer a reintegração de posse. O setor privado está agindo porque o alvo tem sido as comunidades tradicionais, que já tem a sua posse, o seu território e estão sendo expulsas. E aí não é o poder público que age nesse sentido, é o poder privado que tira essas famílias, que vai empurrando, grilando as terras, entrando e agindo com violência. Por parte da justiça, há uma impunidade quanto a isso. Quando há uma ocupação de terras, por exemplo, feita por movimentos sociais, a justiça age imediatamente com um pedido de reintegração de posse. Mas quando acontece uma violência em cima das comunidades, a justiça é muito demorada para resolver os problemas ou para punir as pessoas que cometem esses crimes. O caso de Eldorado de Carajás é um exemplo, só agora é que dois coronéis foram presos, depois de mais de 20 anos. A lentidão da justiça tem um lado, não podemos generalizar que toda a justiça é desse jeito, mas em grande parte da justiça, percebemos de que lado ela está.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O grau de violência é maior quando é cometida pelo poder privado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, porque quando o setor público vai tirar as famílias, pelo menos existe hoje um direcionamento da própria ouvidoria agrária de discussão com as comunidades sobre como serão retiradas. Há um certo cuidado nesse sentido, embora em alguns casos aconteça diferente. Já o poder privado age indistintamente a partir de uma lógica que ele tem de poder sobre essas comunidades, que é um poder econômico, de atingir a dignidade das famílias. Ou seja, para ocupar a terra é preciso fazer uma limpeza e limpeza significa retirar todas as famílias de qualquer jeito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dois temas essenciais para saúde humana e ambiental – a água e os agrotóxicos – também aparecem no relatório. De que forma o contexto atual sobre os dois temas agrava as situações de violência?  </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o primeiro ano que fazemos essa análise dos agrotóxicos, porque é uma questão que tem sido apontada como primordial para mudar o modelo de agricultura que nós temos hoje. O uso intensivo de agrotóxicos acaba atingindo as famílias e a produção de alimentos, e, consequentemente, a saúde da população tanto no campo quanto na cidade. Essa questão acaba por gerar conflitos com as comunidades, a partir do crescimento enorme do consumo desses venenos no país, como mostra o artigo do relatório [artigo de Wanderlei Pignatti, Franciléia Castro, Marta Pignatti, Sandro Vieira e Josino C. Moreira]. No que diz respeito à água, temos o problema do acesso à água, que causa conflitos, principalmente as obras de infraestrutura do PAC, como a construção das grandes hidrelétricas, que atingem as comunidades. As comunidades extrativistas e ribeirinhas são atingidas diretamente nesses conflitos pela água. Em 2010, nós tivemos um número maior de conflitos, nesse ano reduziram um pouco, mas estão na média dos últimos anos. Em 2010, houve mais mobilizações em torno das grandes usinas, já as mobilizações de 2011 foram mais relecionadas às questões trabalhistas, com as greves principalmente em Jirau, Santo Antônio [hidrelétricas que estão sendo construídas em Rondônia] e Belo Monte [no Pará].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os dados mostram a perpetuação da violência contra comunidades tradicionais com a morosidade para demarcação de territórios e falta de políticas públicas. E aborda ainda soluções paliativas implementadas por parte do poder público, como a oferta de cestas básicas para comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Qual a gravidade dessa situação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os ganhos que essas comunidades tradicionais conquistaram estão sendo retirados.  A aprovação da PEC 215 [proposta que inclui dentre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas] na Câmara dos Deputados, e o processo de julgamento a Adin 3239, sobre a inconstitucionalidade do decreto presidencial que define os procedimentos de demarcação das terras quilombolas, mostram isso. Além disso, se temos hoje um modelo que privilegia o agronegócio em detrimento da agricultura familiar, não há investimento em reforma agrária, na demarcação das terras quilombolas, ou mesmo na questão das terras indígenas, então o país está na contramão. Como aponta Carlos Walter [Porto-Gonçalves] no relatório, está em curso uma contrareforma, que é necessária para mudar esses aspecto que temos hoje. Então há medidas paliativas como o bolsa família e outros programas assistencialistas que não resolvem essa problemática do campo. Os Guarani Kaiowá [no Mato Grosso do Sul] estão há quantos anos lutando pelo seu espaço e pelo seu território? Agora mesmo, a decisão do STF em favor dos Pataxós Hã-Hã-Hãe da Bahia [o STF decidiu que são nulos os títulos de propriedade de fazendeiros dentro da Terra indígena Caramuru-Catarina-Paraguassu, no sul da Bahia] foi um ganho importante, mas esse processo está no STF há mais de 30 anos. Essa morosidade, falta de investimentos e de programas para a agricultura familiar e também para as comunidades tradicionais é o que o ocasiona isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório fala em diversos momentos sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro, que se expressa por meio de políticas como o PAC. Um dos artigos fala em capitulação do governo brasileiro diante dos setores do “agro-hidro-minero negócios”. É possível resolver essa situação de violência dentro desse modelo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A CPT avalia que não há possibilidade, porque há um investimento muito grande num processo de produção de <em>commodities </em>e a tendência é de expandir ainda mais. Nesse sentido, as monoculturas aumentam, as comunidades tradicionais são expulsas, e o problema acaba sendo transferido do campo para a cidade, sem falar na destruição do meio ambiente que  também é irreversível. Então, esse modelo é insustentável. O relatório fala também sobre o trabalho escravo, que permanece e é inerente a esse modelo pautado na superexploração do trabalho e do meio ambiente. Estamos a ponto de votar a PEC 438 [Proposta de Emenda à Constituição que expropria terras urbanas e rurais onde forem encontrados trabalhadores escravizados], importante para dar mais um passo na solução desse problema. (<a href="http://www.ecodebate.com.br/tag/trabalho-escravo/" target="_blank">Saiba mais sobre a votação da PEC do trabalho escravo</a>).</p>
<p style="text-align: justify;"><img title=" Capa do relatório produzido pela CPT" src="http://www.epsjv.fiocruz.br/upload/material%20noticias/convite_final_caderno_de_conflitos2011.jpg" alt=" " width="231" height="243" align="left" /><strong>Com tem sido a visibilidade do relatório em todos esses anos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nesse ano já fizemos três audiências: no Ministério do Desenvolvimento Agrário, na Secretaria de Direitos Humanos e no Ministério da Justiça. Pela imprensa sempre há uma boa divulgação dos dados. O caderno também é muito baixado no site.  Também lançaremos o relatório em outros estados. Esse momento é importante para pautarmos essa questão, porque há sempre uma visibilidade. O problema é que cai no esquecimento. Quando há situações como a morte de José Claudio e Maria do Espírito Santo, essa questão volta à tona novamente, há uma repercussão imediata, mas com o passar do tempo, a CPT precisa insistir no tema novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Entrevista realizada por Raquel Júnia em maio de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse <a href="http://www.cptnacional.org.br/index.php?option=com_content&#38;view=article&#38;id=1081:conflitos-no-campo-brasil-2011&#38;catid=12:conflitos&#38;Itemid=94" target="_blank">aqui</a> o relatório na íntegra.</p>
<p style="text-align: justify;">Entrevista realizada por Raquel Júnia, jornalista, da <a href="http://www.epsjv.fiocruz.br/index.php?Area=Entrevista&#38;Num=39" target="_blank"><strong>Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)</strong></a>, em maio de 2012  <a href="http://www.ecodebate.com.br/awT">EcoDebate</a>, 16/05/2012</p>
<p style="text-align: justify;"><em><br />
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]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #008000;"><em>Originalmente Publicado no </em></span><a href="http://www.ecodebate.com.br/2012/05/16/indigenas-e-quilombolas-perdem-conquistas-e-sao-cada-vez-mais-vitimas-de-violencia/" target="_blank"><span style="color: #008000;"><em>EcoDebate em 16 de maio, de 2012</em></span>.</a></p>
<p style="text-align: justify;">A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou nesta semana o Relatório Conflitos no Campo Brasil 2011. O documento revela que em relação a 2010 aumentou muito o número de ameaçados de morte – 117%.  O relatório é lançado anualmente pela CPT e, nesta edição, faz uma homenagem e ao mesmo tempo um apelo trazendo na capa a foto do casal Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro, assassinados no ano passado. Ambos, já haviam figurado mais de uma vez como ameaçados de morte em relatórios anteriores. “Uma ameaça é uma morte anunciada”, alerta Isolete Vichinieski, da Coordenação Nacional da CPT. Nesta entrevista, Isolete fala sobre os principais pontos do relatório, como a prevalência de situações de violência com comunidades indígenas e quilombolas e o protagonismo do poder privado nessas ações. Pela primeira vez, o estudo se debruça também sobre os problemas de violência associados aos altos índices de utilização de agrotóxicos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório aponta um pequeno crescimento nos conflitos no campo em 2011 em relação a 2010. De 1.186 casos, o número aumentou para 1.363. O que o conjunto dos dados lançados agora revelam em relação a esse contexto de violência?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O número de conflitos por terra, que é 1.035, segue uma média dos últimos anos oito anos – de 2003 a 2011. Se olharmos do ponto de vista da média geral dos conflitos, eles aumentaram muito pouco do ano passado para cá, em torno de 15%. O aumento está relacionado principalmente às comunidades tradicionais, em decorrência da questão da flexibilização da legislação. A questão da mudança no código florestal, com um avanço do desmatamento e também um investimento maior do próprio governo no agronegócio, que na realidade é um investimento do capital no campo, têm relação com esse aumento da violência às comunidades tradicionais. Esse investimento do capital no campo está expandindo as áreas do agronegócio e pressionando as comunidades, principalmente as tradicionais, que nos últimos anos vêm sendo destaque na questão dos conflitos do campo. Em 2011, a ação dos movimentos sociais nas ocupações de terra e nos acampamentos diminuiu, à medida que 52% dos conflitos corresponderam aos quilombolas, indígenas, extrativistas, ribeirinhos. Outros aspectos a serem destacados são os conflitos gerados pelas obras de infraestrutura do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], que também estão pressionando as comunidades, bem como as mineradoras. Então, este avanço do capital na produção de <em>commodities</em> e esse modelo de produção é que acabam pressionando as comunidades e ocasionando os conflitos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório mostra um aumento significativo do número de ameaçados de morte.  A CPT torna públicos com este documento os nomes e as localidades das pessoas. O que se espera com isso?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Houve um crescimento enorme, mais de 117%. A CPT divulga esses dados há 27 anos, nos últimos anos temos levado ao conhecimento de toda a população, mas principalmente temos feito um esforço de a cada ano fazer uma audiência em algum Ministério para demonstrar essa problemática. Protocolamos este caderno de 2011 em nove ministérios, para realmente apresentar ao governo e mostrar à sociedade que essa realidade no campo muitas vezes não aparece. E não são apenas números, por trás dos números estão rostos de pessoas, comunidades inteiras, porque quando se ameaça uma pessoa de uma comunidade, muitas vezes a comunidade inteira acaba ameaçada. Então, com isso queremos que a sociedade pressione o governo dizendo que essa realidade existe e que precisa de ações concretas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em relação aos ameaçados de morte presentes nos relatórios anteriores, essas ameaças se concretizaram? A CPT presenciou ações do poder público no sentido de coibir os crimes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muitas ameaças se concretizaram. Dos 29 assassinatos que tivemos no ano passado, 11 dessas pessoas assassinadas constavam da nossa lista de ameaçados. Quando se faz uma ameaça é uma morte anunciada, infelizmente. Se no ano passado aumentou muito o número de ameaçados, quais são as perspectivas para os próximos anos se o governo realmente não colocar em prática ações eficazes que possam ou proteger essas testemunhas ou realmente resolver a problemática?</p>
<p style="text-align: justify;">No ano passado, a partir da morte do casal Maria do Espírito Santo e José Claudio, tivemos várias reuniões com o governo, principalmente com a Secretaria de Direitos Humanos para garantir a proteção das pessoas ameaçadas. Principalmente nos estados de Rondônia, Maranhão, Amazonas e Pará, que tinham um número maior de ameaçados, atuamos junto à Secretaria de Direitos Humanos para acompanhar esses casos. Dessa lista total de ameaçados, com 125 nomes, a Secretaria selecionou apenas alguns que poderiam receber a proteção e fez um levantamento nessas comunidades. Não recebemos ainda um comunicado oficial sobre quais pessoas foram selecionadas e há muitas pessoas que não recebem proteção e estão sendo ameaçadas constantemente, como é o caso da Laísa, irmã da Maria do Espírito Santo, que esteve no lançamento do relatório em Brasília e contou a maneira como está sendo ameaçada e também que ainda não está garantida a sua proteção. No ano passado, foi formado um grupo interministerial para tentar resolver esse problema, só que até o momento não temos um resultado muito concreto nesse sentido. Outra questão é a cobrança ao governo de políticas que garantam realmente que os conflitos diminuam, porque não adianta termos apenas medidas paliativas de proteção aos ameaçados. É preciso resolver o problema do conflito na raiz, que é a questão fundiária no Brasil. Resolver a reforma agrária, a demarcação das terras indígenas, a titulação das terras quilombolas se faz necessário para que se garanta o direito dessas comunidades e a diminuição dos conflitos no campo.  A Maria do Espírito Santo e o José Claudio estavam nos relatórios de anos anteriores como ameaçados de morte. Apareceram mais de uma vez, inclusive, o que quer dizer que foram ameaçados diversas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A CPT conhece os critérios do governo para escolher as pessoas ameaçadas que serão protegidas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não. E esses critérios não foram discutidos conosco, e nós acreditamos que a melhor maneira seria discutir isso com as pessoas que acompanham esses processos. O que temos reivindicado também é que é necessário defender toda a comunidade, com a presença de um efetivo de policiais nos locais, porque não adianta só defender uma pessoa, já que a comunidade também está sendo ameaçada. E a ameaça, assim que se concretiza, passa de uma pessoa para outra. Antes eram ameaçados a Maria do Espírito Santo e o José Claudio, agora já é a irmã da Maria do Espírito Santo, e tem pessoas do próprio assentamento onde eles moravam que acabaram saindo de lá, e outras que estão sendo ameaçadas por fazerem essa denuncia e resistirem à ação dos madeireiros na região. Na mesma região do Dinho [Adelino Ramos, liderança camponesa assassinada no ano passado], no sul do Amazonas, em Lábrea, esse ano teve outro assassinato.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório aponta um predomínio de ações de violências por parte do poder privado. Segundo o documento, houve menos ações por parte do poder público e também um refluxo das ações de ocupação e de acampamentos dos movimentos sociais. O que este quadro demonstra?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se há uma ação menor dos movimentos sociais nas ocupações, diminuem as ações do estado, porque quando há ocupação, o estado é acionado para fazer a reintegração de posse. O setor privado está agindo porque o alvo tem sido as comunidades tradicionais, que já tem a sua posse, o seu território e estão sendo expulsas. E aí não é o poder público que age nesse sentido, é o poder privado que tira essas famílias, que vai empurrando, grilando as terras, entrando e agindo com violência. Por parte da justiça, há uma impunidade quanto a isso. Quando há uma ocupação de terras, por exemplo, feita por movimentos sociais, a justiça age imediatamente com um pedido de reintegração de posse. Mas quando acontece uma violência em cima das comunidades, a justiça é muito demorada para resolver os problemas ou para punir as pessoas que cometem esses crimes. O caso de Eldorado de Carajás é um exemplo, só agora é que dois coronéis foram presos, depois de mais de 20 anos. A lentidão da justiça tem um lado, não podemos generalizar que toda a justiça é desse jeito, mas em grande parte da justiça, percebemos de que lado ela está.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O grau de violência é maior quando é cometida pelo poder privado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, porque quando o setor público vai tirar as famílias, pelo menos existe hoje um direcionamento da própria ouvidoria agrária de discussão com as comunidades sobre como serão retiradas. Há um certo cuidado nesse sentido, embora em alguns casos aconteça diferente. Já o poder privado age indistintamente a partir de uma lógica que ele tem de poder sobre essas comunidades, que é um poder econômico, de atingir a dignidade das famílias. Ou seja, para ocupar a terra é preciso fazer uma limpeza e limpeza significa retirar todas as famílias de qualquer jeito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dois temas essenciais para saúde humana e ambiental – a água e os agrotóxicos – também aparecem no relatório. De que forma o contexto atual sobre os dois temas agrava as situações de violência?  </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o primeiro ano que fazemos essa análise dos agrotóxicos, porque é uma questão que tem sido apontada como primordial para mudar o modelo de agricultura que nós temos hoje. O uso intensivo de agrotóxicos acaba atingindo as famílias e a produção de alimentos, e, consequentemente, a saúde da população tanto no campo quanto na cidade. Essa questão acaba por gerar conflitos com as comunidades, a partir do crescimento enorme do consumo desses venenos no país, como mostra o artigo do relatório [artigo de Wanderlei Pignatti, Franciléia Castro, Marta Pignatti, Sandro Vieira e Josino C. Moreira]. No que diz respeito à água, temos o problema do acesso à água, que causa conflitos, principalmente as obras de infraestrutura do PAC, como a construção das grandes hidrelétricas, que atingem as comunidades. As comunidades extrativistas e ribeirinhas são atingidas diretamente nesses conflitos pela água. Em 2010, nós tivemos um número maior de conflitos, nesse ano reduziram um pouco, mas estão na média dos últimos anos. Em 2010, houve mais mobilizações em torno das grandes usinas, já as mobilizações de 2011 foram mais relecionadas às questões trabalhistas, com as greves principalmente em Jirau, Santo Antônio [hidrelétricas que estão sendo construídas em Rondônia] e Belo Monte [no Pará].</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os dados mostram a perpetuação da violência contra comunidades tradicionais com a morosidade para demarcação de territórios e falta de políticas públicas. E aborda ainda soluções paliativas implementadas por parte do poder público, como a oferta de cestas básicas para comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Qual a gravidade dessa situação?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os ganhos que essas comunidades tradicionais conquistaram estão sendo retirados.  A aprovação da PEC 215 [proposta que inclui dentre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação de demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas] na Câmara dos Deputados, e o processo de julgamento a Adin 3239, sobre a inconstitucionalidade do decreto presidencial que define os procedimentos de demarcação das terras quilombolas, mostram isso. Além disso, se temos hoje um modelo que privilegia o agronegócio em detrimento da agricultura familiar, não há investimento em reforma agrária, na demarcação das terras quilombolas, ou mesmo na questão das terras indígenas, então o país está na contramão. Como aponta Carlos Walter [Porto-Gonçalves] no relatório, está em curso uma contrareforma, que é necessária para mudar esses aspecto que temos hoje. Então há medidas paliativas como o bolsa família e outros programas assistencialistas que não resolvem essa problemática do campo. Os Guarani Kaiowá [no Mato Grosso do Sul] estão há quantos anos lutando pelo seu espaço e pelo seu território? Agora mesmo, a decisão do STF em favor dos Pataxós Hã-Hã-Hãe da Bahia [o STF decidiu que são nulos os títulos de propriedade de fazendeiros dentro da Terra indígena Caramuru-Catarina-Paraguassu, no sul da Bahia] foi um ganho importante, mas esse processo está no STF há mais de 30 anos. Essa morosidade, falta de investimentos e de programas para a agricultura familiar e também para as comunidades tradicionais é o que o ocasiona isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O relatório fala em diversos momentos sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro, que se expressa por meio de políticas como o PAC. Um dos artigos fala em capitulação do governo brasileiro diante dos setores do “agro-hidro-minero negócios”. É possível resolver essa situação de violência dentro desse modelo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A CPT avalia que não há possibilidade, porque há um investimento muito grande num processo de produção de <em>commodities </em>e a tendência é de expandir ainda mais. Nesse sentido, as monoculturas aumentam, as comunidades tradicionais são expulsas, e o problema acaba sendo transferido do campo para a cidade, sem falar na destruição do meio ambiente que  também é irreversível. Então, esse modelo é insustentável. O relatório fala também sobre o trabalho escravo, que permanece e é inerente a esse modelo pautado na superexploração do trabalho e do meio ambiente. Estamos a ponto de votar a PEC 438 [Proposta de Emenda à Constituição que expropria terras urbanas e rurais onde forem encontrados trabalhadores escravizados], importante para dar mais um passo na solução desse problema. (<a href="http://www.ecodebate.com.br/tag/trabalho-escravo/" target="_blank">Saiba mais sobre a votação da PEC do trabalho escravo</a>).</p>
<p style="text-align: justify;"><img title=" Capa do relatório produzido pela CPT" src="http://www.epsjv.fiocruz.br/upload/material%20noticias/convite_final_caderno_de_conflitos2011.jpg" alt=" " width="231" height="243" align="left" /><strong>Com tem sido a visibilidade do relatório em todos esses anos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nesse ano já fizemos três audiências: no Ministério do Desenvolvimento Agrário, na Secretaria de Direitos Humanos e no Ministério da Justiça. Pela imprensa sempre há uma boa divulgação dos dados. O caderno também é muito baixado no site.  Também lançaremos o relatório em outros estados. Esse momento é importante para pautarmos essa questão, porque há sempre uma visibilidade. O problema é que cai no esquecimento. Quando há situações como a morte de José Claudio e Maria do Espírito Santo, essa questão volta à tona novamente, há uma repercussão imediata, mas com o passar do tempo, a CPT precisa insistir no tema novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Entrevista realizada por Raquel Júnia em maio de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">Acesse <a href="http://www.cptnacional.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1081:conflitos-no-campo-brasil-2011&amp;catid=12:conflitos&amp;Itemid=94" target="_blank">aqui</a> o relatório na íntegra.</p>
<p style="text-align: justify;">Entrevista realizada por Raquel Júnia, jornalista, da <a href="http://www.epsjv.fiocruz.br/index.php?Area=Entrevista&amp;Num=39" target="_blank"><strong>Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)</strong></a>, em maio de 2012  <a href="http://www.ecodebate.com.br/awT">EcoDebate</a>, 16/05/2012</p>
<p style="text-align: justify;"><em><br />
</em></p>
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		<item>
		<title>Professores da UFVJM anunciam greve para os próximos dias</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/servidores-da-ufvjm-anunciam-greve-para-os-proximos-dias/</link>
		<comments>http://blog.onhas.com/2012/05/servidores-da-ufvjm-anunciam-greve-para-os-proximos-dias/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 May 2012 02:16:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[<h1 align="CENTER">Aviso de Greve</h1>
<p style="text-align: justify;" align="CENTER">SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR (ANDES-SN), entidade sindical de âmbito nacional, representativa dos docentes das instituições federais de ensino, respectivos graus e modalidades, no âmbito da seção sindical, <span>“SINDIFAFEID</span>”, <span>dos docentes da </span>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (<span>UFVJM) </span>em cumprimento às exigências legais, vem, por intermédio da presente, avisar a toda a comunidade docente e discente e a população em geral que os docentes pertencentes à categoria, em função da deliberação tomada na reunião nacional do dia 12 de maio de 2012, e da decisão da assembleia geral realizada no dia 14 de maio de 2012 que será deflagrada greve nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) à qual se incorporam os docentes da UFVJM a partir do dia 17 de maio de 2012. Comunica também que eventuais atividades que sejam consideradas essenciais deverão ser assim entendidas e negociadas entre a instituição e o comando local de greve, considerando suas especificidades.</p>
<p style="text-align: justify;">15 de maio de 2012-05-15</p>
<p style="text-align: justify;"> Wellington Oliveira</p>
<p style="text-align: justify;">(Presidente da Seção Sindical)</p>
<p style="text-align: justify;">Para <a href="http://blog.onhas.com/2012/05/servidores-da-ufvjm-anunciam-greve-para-os-proximos-dias/comunicacao-da-greve/" rel="attachment wp-att-5530">Comunicação da Greve</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 align="CENTER">Aviso de Greve</h1>
<p style="text-align: justify;" align="CENTER">SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR (ANDES-SN), entidade sindical de âmbito nacional, representativa dos docentes das instituições federais de ensino, respectivos graus e modalidades, no âmbito da seção sindical, <span>“SINDIFAFEID</span>”, <span>dos docentes da </span>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (<span>UFVJM) </span>em cumprimento às exigências legais, vem, por intermédio da presente, avisar a toda a comunidade docente e discente e a população em geral que os docentes pertencentes à categoria, em função da deliberação tomada na reunião nacional do dia 12 de maio de 2012, e da decisão da assembleia geral realizada no dia 14 de maio de 2012 que será deflagrada greve nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) à qual se incorporam os docentes da UFVJM a partir do dia 17 de maio de 2012. Comunica também que eventuais atividades que sejam consideradas essenciais deverão ser assim entendidas e negociadas entre a instituição e o comando local de greve, considerando suas especificidades.</p>
<p style="text-align: justify;">15 de maio de 2012-05-15</p>
<p style="text-align: justify;"> Wellington Oliveira</p>
<p style="text-align: justify;">(Presidente da Seção Sindical)</p>
<p style="text-align: justify;">Para <a href="http://blog.onhas.com/2012/05/servidores-da-ufvjm-anunciam-greve-para-os-proximos-dias/comunicacao-da-greve/" rel="attachment wp-att-5530">Comunicação da Greve</a></p>
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		<title>Para ministra, tom de brincadeira em clipe supostamente racista &#8220;só agrava a situação&#8221;</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/para-ministra-tom-de-brincadeira-em-clipe-supostamente-racista-so-agrava-a-situacao/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 20:28:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Gerais]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, considera que o fato de as imagens do clipe de divulgação da música “Kong”, do cantor Alexandre Pires, ser em tom de brincadeira “agrava ainda mais a situação”. A Procuradoria Geral da República de Uberlândia (MG) investiga denúncia de suposto racismo na música.</p>
<p style="text-align: justify;">“É preciso considerar que a figura do macaco tem sido, historicamente, a mais utilizada para inferiorizar, desumanizar a pessoa negra, particularmente o homem. É disto que se trata o racismo &#8211; de desumanização”, afirmou a ministra à reportagem do <strong>UOL</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A ministra citou casos recentes, como a discriminação de um músico em um show de humor em São Paulo, da atendente de um cinema em Brasília, “sem contar o que acontece frequentemente com jogadores de futebol e outros atletas negros”.</p>
<div style="text-align: justify;">
<div>
<h3>LEIA MAIS</h3>
<ul>
<li><a href="http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1088050-alexandre-pires-se-diz-chocado-com-acusacao-de-racismo-em-clipe.shtml">Alexandre Pires se diz &#8216;chocado&#8217; com acusação de racismo em clipe</a></li>
<li><a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/05/07/ministerio-publico-abre-investigacao-para-apurar-suposto-racismo-em-musica-de-alexandre-pires.htm">Ministério Público abre investigação para apurar suposto racismo em música de Alexandre Pires</a></li>
</ul>
</div>
</div>
<p style="text-align: justify;">“O fato de as imagens do videoclipe passarem um clima de brincadeira só agrava mais a situação”, acrescentou. Na opinião de Luiza de Bairros, no Brasil “há uma tendência de que o racismo seja praticado com máscara de brincadeira inocente”, o que dificulta a percepção de quem é discriminado e livra a prática da reprimenda social.</p>
<p style="text-align: justify;">“Este caso nos obriga a lidar com certo &#8216;jeitinho brasileiro&#8217; de manter o racismo existindo sem, no entanto, responsabilizar pessoas ou instituições por atitudes racistas”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">A denúncia de racismo referente ao videoclipe, que conta com a participação do jogador Neymar e do funkeiro Mr. Catra, de homens fantasiados de gorilas e mulheres seminuas próximas a uma piscina, foi encaminhada à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, pelo Observatório do Racismo Virtual. O documento defende que o clipe tem conteúdos “comprometem as lutas do movimento negro na superação do racismo e no movimento das mulheres na superação do sexismo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Luiza Bairros explicou que, além do Ministério Público Federal, também receberam os ofícios a gravadora Sony Music, a Polícia Federal e as ouvidorias da Secretaria de Políticas para as Mulheres. “Cabe ao Ministério Público Federal convocar os envolvidos e decidir se há conteúdo racista no videoclipe ou não”.</p>
<p style="text-align: justify;">Até o momento, o procurador da república Frederico Pelucci, responsável pelo caso, ouviu apenas o cantor Alexandre Pires. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal, o caso ainda está em processo de apuração e não há previsão de quando os demais envolvidos serão convocados para prestar depoimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nota, o cantor disse que se sentia profundamente chocado com qualquer leitura racista ou sexista no videoclipe. “Não me consta que meu histórico deixe alguma dúvida sobre o meu respeito à mulher ou ao negro, e a edição deste filme em nenhum momento faz brotar qualquer insinuação similar”.</p>
<p style="text-align: justify;">A Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial contabiliza a abertura de procedimentos administrativos referentes a 254 denúncias de racismo apresentadas entre janeiro de 2011 e março de 2012. Segundo a ministra, todas as denúncias foram encaminhadas aos órgãos competentes para análise e providências cabíveis. “Geralmente, o acompanhamento dos casos é feito até o momento da propositura da ação judicial ou do arquivamento da denúncia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o cenário brasileiro com relação à discriminação racial, Luiza Bairros disse que “ainda há muito que andar”. “Mas o cenário atual é de crescente consciência de que temos que mudar as mentalidades. Temos que abrir o acesso a oportunidades para todos os grupos raciais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Veja o Clipe Polêmico abaixo e deixe seu comentário: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4vBRdK-M_-0"><img src="http://img.youtube.com/vi/4vBRdK-M_-0/2.jpg"></a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4vBRdK-M_-0">Click here</a> to view the video on YouTube.</p>
</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: <a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/05/10/para-ministra-tom-de-brincadeira-em-clipe-supostamente-racista-so-agrava-a-situacao.htm" target="_blank">Portal Uol Notícias</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, considera que o fato de as imagens do clipe de divulgação da música “Kong”, do cantor Alexandre Pires, ser em tom de brincadeira “agrava ainda mais a situação”. A Procuradoria Geral da República de Uberlândia (MG) investiga denúncia de suposto racismo na música.</p>
<p style="text-align: justify;">“É preciso considerar que a figura do macaco tem sido, historicamente, a mais utilizada para inferiorizar, desumanizar a pessoa negra, particularmente o homem. É disto que se trata o racismo &#8211; de desumanização”, afirmou a ministra à reportagem do <strong>UOL</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">A ministra citou casos recentes, como a discriminação de um músico em um show de humor em São Paulo, da atendente de um cinema em Brasília, “sem contar o que acontece frequentemente com jogadores de futebol e outros atletas negros”.</p>
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<h3>LEIA MAIS</h3>
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<li><a href="http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1088050-alexandre-pires-se-diz-chocado-com-acusacao-de-racismo-em-clipe.shtml">Alexandre Pires se diz &#8216;chocado&#8217; com acusação de racismo em clipe</a></li>
<li><a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/05/07/ministerio-publico-abre-investigacao-para-apurar-suposto-racismo-em-musica-de-alexandre-pires.htm">Ministério Público abre investigação para apurar suposto racismo em música de Alexandre Pires</a></li>
</ul>
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<p style="text-align: justify;">“O fato de as imagens do videoclipe passarem um clima de brincadeira só agrava mais a situação”, acrescentou. Na opinião de Luiza de Bairros, no Brasil “há uma tendência de que o racismo seja praticado com máscara de brincadeira inocente”, o que dificulta a percepção de quem é discriminado e livra a prática da reprimenda social.</p>
<p style="text-align: justify;">“Este caso nos obriga a lidar com certo &#8216;jeitinho brasileiro&#8217; de manter o racismo existindo sem, no entanto, responsabilizar pessoas ou instituições por atitudes racistas”, disse.</p>
<p style="text-align: justify;">A denúncia de racismo referente ao videoclipe, que conta com a participação do jogador Neymar e do funkeiro Mr. Catra, de homens fantasiados de gorilas e mulheres seminuas próximas a uma piscina, foi encaminhada à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, pelo Observatório do Racismo Virtual. O documento defende que o clipe tem conteúdos “comprometem as lutas do movimento negro na superação do racismo e no movimento das mulheres na superação do sexismo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Luiza Bairros explicou que, além do Ministério Público Federal, também receberam os ofícios a gravadora Sony Music, a Polícia Federal e as ouvidorias da Secretaria de Políticas para as Mulheres. “Cabe ao Ministério Público Federal convocar os envolvidos e decidir se há conteúdo racista no videoclipe ou não”.</p>
<p style="text-align: justify;">Até o momento, o procurador da república Frederico Pelucci, responsável pelo caso, ouviu apenas o cantor Alexandre Pires. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal, o caso ainda está em processo de apuração e não há previsão de quando os demais envolvidos serão convocados para prestar depoimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nota, o cantor disse que se sentia profundamente chocado com qualquer leitura racista ou sexista no videoclipe. “Não me consta que meu histórico deixe alguma dúvida sobre o meu respeito à mulher ou ao negro, e a edição deste filme em nenhum momento faz brotar qualquer insinuação similar”.</p>
<p style="text-align: justify;">A Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial contabiliza a abertura de procedimentos administrativos referentes a 254 denúncias de racismo apresentadas entre janeiro de 2011 e março de 2012. Segundo a ministra, todas as denúncias foram encaminhadas aos órgãos competentes para análise e providências cabíveis. “Geralmente, o acompanhamento dos casos é feito até o momento da propositura da ação judicial ou do arquivamento da denúncia”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o cenário brasileiro com relação à discriminação racial, Luiza Bairros disse que “ainda há muito que andar”. “Mas o cenário atual é de crescente consciência de que temos que mudar as mentalidades. Temos que abrir o acesso a oportunidades para todos os grupos raciais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Veja o Clipe Polêmico abaixo e deixe seu comentário: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4vBRdK-M_-0"><img src="http://img.youtube.com/vi/4vBRdK-M_-0/2.jpg"></a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4vBRdK-M_-0">Click here</a> to view the video on YouTube.</p>
</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: <a href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/05/10/para-ministra-tom-de-brincadeira-em-clipe-supostamente-racista-so-agrava-a-situacao.htm" target="_blank">Portal Uol Notícias</a></p>
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		<title>Violência: De…Bater!</title>
		<link>http://blog.onhas.com/2012/05/violencia-debater/</link>
		<comments>http://blog.onhas.com/2012/05/violencia-debater/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 May 2012 20:20:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ONHAS</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><span style="color: #008000;">Autor: Will Nascimento</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Originalmente Publicado no <a href="http://falawill.wordpress.com/2012/05/02/violencia-de-bater-2/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Blog do Will</span></a></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.onhas.com/2012/05/violencia-debater/violencia1/" rel="attachment wp-att-5520"><img class="alignleft size-full wp-image-5520" title="violencia1" src="http://blog.onhas.com/wp-content/uploads/2012/05/violencia1.gif" alt="" width="300" height="294" /></a>Causada por diversos fatores, a violência já é considerada pela Organização Mundial de Saúde, um dos grandes problemas da Saúde pública. Para se ter uma ideia, cerca de 6% do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, são gastos de alguma forma com este fenômeno.</p>
<p style="text-align: justify;">São inúmeros os debates a cerca do tema, sem conclusões satisfatórias. Voltado para o âmbito juvenil, o debate se torna ainda mais amplo. Sem rigores técnicos, vamos debater alguns fatores que precisam ser levados em conta nestes debates.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Pedra Azul, a situação não é diferente das demais regiões do país. Segundo dados do HEFA (Hospital Esther Faria de Almeida ), foram notificados 131 casos de Violências, que deram entrada nesta instituição. Estamos no quinto mês deste ano e já foram notificados 96 casos, valor igual a todo ano de 2009… Mas qual o motivo de tanta violência?</p>
<p style="text-align: justify;">Nascemos e crescemos em uma sociedade que cultua a violência conscientemente e inconscientemente. Onde o herói do filme que assistimos, é o que mais assassina. O game mais vendido é aquele que se ganha matando mais pessoas e o personagem mais engraçado é aquele que agride fisicamente e psicologicamente os demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto. A Violência é um fenômeno Social, portanto possui relações com outros fenômenos sociais: Educação, Saúde, Alimentação Lazer, Infraestrutura Urbana, etc… A ausência de políticas públicas satisfatórias para atender a estas necessidades da população mais carente (lugar de maior incidência de casos de violência), já é em sua totalidade uma grande violência, e ao mesmo tempo causador de outros tipos de Violência.</p>
<p style="text-align: justify;">Combater os tipos de violência é outra tarefa um tanto quanto árduo. Entendo o sistema de segurança extremamente reativo, na ideologia do “Olho por Olho”. Os nossos governantes, vem entendendo combate a práticas violentas, como “polícias armados até os dentes”, “Câmeras de segurança”, “Caveirão e carros blindados no meio da rua”. Práticas que na sua maioria, mais prolifera do que combate.</p>
<p style="text-align: justify;">Simplificando. Violência não é questão de caráter: Bem contra ou mal e precisa ser analisado em um contexto mais amplo. Aumentar o acesso da população a políticas básicas satisfatórias: Educação, Alimentação, Saúde, infraestrutura, justiça, ect… é, somado a outros fatores, uma grande porta de saída para o problema.</p>
<p style="text-align: justify;">O certo é que o tema tem entrado nas pautas dos logradouros públicos e gerados debates. (apenas debates. Tecer opiniões é sempre o mais fácil a fazer…)</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #008000;">Autor: Will Nascimento</span></p>
<p><span style="color: #008000;">Originalmente Publicado no <a href="http://falawill.wordpress.com/2012/05/02/violencia-de-bater-2/" target="_blank"><span style="color: #008000;">Blog do Will</span></a></span></p>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://blog.onhas.com/2012/05/violencia-debater/violencia1/" rel="attachment wp-att-5520"><img class="alignleft size-full wp-image-5520" title="violencia1" src="http://blog.onhas.com/wp-content/uploads/2012/05/violencia1.gif" alt="" width="300" height="294" /></a>Causada por diversos fatores, a violência já é considerada pela Organização Mundial de Saúde, um dos grandes problemas da Saúde pública. Para se ter uma ideia, cerca de 6% do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, são gastos de alguma forma com este fenômeno.</p>
<p style="text-align: justify;">São inúmeros os debates a cerca do tema, sem conclusões satisfatórias. Voltado para o âmbito juvenil, o debate se torna ainda mais amplo. Sem rigores técnicos, vamos debater alguns fatores que precisam ser levados em conta nestes debates.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Pedra Azul, a situação não é diferente das demais regiões do país. Segundo dados do HEFA (Hospital Esther Faria de Almeida ), foram notificados 131 casos de Violências, que deram entrada nesta instituição. Estamos no quinto mês deste ano e já foram notificados 96 casos, valor igual a todo ano de 2009… Mas qual o motivo de tanta violência?</p>
<p style="text-align: justify;">Nascemos e crescemos em uma sociedade que cultua a violência conscientemente e inconscientemente. Onde o herói do filme que assistimos, é o que mais assassina. O game mais vendido é aquele que se ganha matando mais pessoas e o personagem mais engraçado é aquele que agride fisicamente e psicologicamente os demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro ponto. A Violência é um fenômeno Social, portanto possui relações com outros fenômenos sociais: Educação, Saúde, Alimentação Lazer, Infraestrutura Urbana, etc… A ausência de políticas públicas satisfatórias para atender a estas necessidades da população mais carente (lugar de maior incidência de casos de violência), já é em sua totalidade uma grande violência, e ao mesmo tempo causador de outros tipos de Violência.</p>
<p style="text-align: justify;">Combater os tipos de violência é outra tarefa um tanto quanto árduo. Entendo o sistema de segurança extremamente reativo, na ideologia do “Olho por Olho”. Os nossos governantes, vem entendendo combate a práticas violentas, como “polícias armados até os dentes”, “Câmeras de segurança”, “Caveirão e carros blindados no meio da rua”. Práticas que na sua maioria, mais prolifera do que combate.</p>
<p style="text-align: justify;">Simplificando. Violência não é questão de caráter: Bem contra ou mal e precisa ser analisado em um contexto mais amplo. Aumentar o acesso da população a políticas básicas satisfatórias: Educação, Alimentação, Saúde, infraestrutura, justiça, ect… é, somado a outros fatores, uma grande porta de saída para o problema.</p>
<p style="text-align: justify;">O certo é que o tema tem entrado nas pautas dos logradouros públicos e gerados debates. (apenas debates. Tecer opiniões é sempre o mais fácil a fazer…)</p>
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