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Notícias do mundo Jequitinhonha

Archive for the ‘Teatro’ Category

O 13º Encontro Cultural de Milho Verde já está com a data marcada!

De 15 a 22 de julho de 2012 confraternizaremos mais um Encontro!

O Encontro Cultural de Milho Verde ocorre todos os anos desde 2000, sempre no mês de julho, em uma semana de ampla confraternização. Diversas atividades educativas e artísticas são propostas à população local, às comunidades vizinhas e aos visitantes, de modo inteiramente gratuito. Sua finalidade é proporcionar uma alteração no cotidiano da população milhoverdense, desprivilegiada do acesso ao contexto artístico e cultural que o Encontro traz, possibilitando também a apresentação da riqueza humana e ambiental do lugar aos visitantes. Com essa iniciativa, esperamos contribuir para o desenvolvimento sustentável e equilibrado de seus aspectos sociais, culturais e ecológicos.

Confira as fotos do 12º Encontro Cultural de Milho Verde – MG

Fonte: http://www.institutomilhoverde.org.br/

O Blog Onhas Conversou com Luciano Silveira, membro fundador e diretor da Companhia de Teatro Ícaros do Vale sobre a mais recente produção teatral do grupo, o espetáculo Terra: a história de João boa Morte, Cabra Marcado pra Morrer. 

Por Eric Renan Ramalho

Terra: A História de João Boa Morte, Cabra Marcado pra Morrer – Foto do acervo pessoal de Luciano Silveira

Desde meados da década de setenta, quando passou a ser conhecido como “vale da miséria”, o Vale do Jequitinhonha trasladou uma história de luta para superar esse anátema e construir uma simbologia positiva que estimulasse o seu desenvolvimento através de elementos inerentes a vida cotidiana da região. Na medida em que esse modelo de desenvolvimento é possível, surgiram muitas associações, sindicatos, grupos culturais, movimentos religiosos, partidos políticos e, a partir de então, a exteriorização da vida na região encontrou na resistência o valor pretor de seu processo de reprodução social. Porém, não a resistência passiva, de quem suporta pesados fardos sem nunca protestar, mas a resistência ativa, de quem se sabendo oprimido e consciente dessa condição põe a luta coletiva como prioridade. 

Nos últimos dez anos o teatro foi quem mais ganhou força, com destaque para a Associação dos Grupos de Teatros do Vale do Jequitinhonha ( AGRUTEVAJE), a Rede de Coletivos de Teatros do Vale do Jequitinhonha (RCT) e os tantos grupos de Teatros, como o Vozes e o Ícaros do Vale. Por força e persistência desses grupos, que nasceram pela iniciativa de uma juventude quase sempre sem ajuda do poder público, foi criado o Festival de Teatro do Vale do Jequitinhonha (FESTEJE), o Festival de Teatro de Araçuaí (FESTA), realizado pela primeira vez no ano passado, e o K-iau em Cena, além é claro, do garantido espaço no Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha ( FESTIVALE).

Aliás! A Companhia de Teatro ÍCAROS DO VALE está em cartaz com um novo espetáculo. Após encenar a história de Maria Lira Marques, artesã do Jequitinhonha, a companhia leva ao público o espetáculo “Terra – A História de João Boa Morte, Cabra Marcado para morrer”, baseado na obra homônima de Ferreira Gullar. Nessa história, o Ícaros retoma o mote de muitas discussões teóricas e práticas de acadêmicos e militantes de nosso país : a injustiça social e a reforma agrária, em face de uma realidade política marcada pela ingerência de um coronelismo atroz figuram como enredo de uma trama simbólica, contestadora e em certa medida trágica. Ainda que não fosse da alçada dos idealizadores, qualquer semelhança com certas histórias que se houve pelo vale não é mera coincidência – claro que guardadas as devidas proporções – são muitos os Joões Boa morte espalhadas por nossas bandas, assim como por todo o Brasil. Mas, como tenho dito, a nossa gente é de luta, companheiro! Então, João Boa morte, representa a um só tempo as almas ermas e lutadoras do Brasil e as almas igualmente ermas e lutadoras do vale, todas eivadas pela resistência. Não “arrepare”, caro leitor, na distinção que faço entre o Brasil e o vale, é por que aqui no vale nós somos cidadãos do Brasil, mas antes tivemos que ser sujeitos do Jequitinhonha. E antes da brasileiridade, nós vivemos a jequitinhonidade!

Nos próximos dias 11, 12 e 13 de Maio, o “Ícaros” marcará presença nos palcos belohorizontinos. Na sexta, dia 11, o grupo se apresentará na praça de serviços da UFMG, encerrando a programação cultural da 13ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha. E nos dias 12 e 13 se apresenta no palácio das Artes, com ingressos a 12 reais a entrada inteira e seis reais a meia entrada. Aproveitando o ensejo conversei, por email, com Luciano Silveira, Historiador, ator, diretor e formador cultural, e membro fundador da Companhia Ícaros do Vale. Nessa prosa ela nos fala  sobre a história do Ícaros, a História de João Boa Morte e a importância do teatro para o vale de hoje em dia.

Espia a prosa aí e depois “cê” me fala o que achou!

Blog Onhas: Para iniciar a nossa conversa, gostaria que você apresentasse um pouco da história do ÍCAROS DO VALE. Quantos anos tem o grupo? Qual a origem de seus componentes e como eles chegaram ao teatro? Qual a linguagem vocês utilizam na montagem dos espetáculos?

Luciano: A Cia de Teatro Ícaros do Vale foi fundada em 1996 por um grupo de estudantes da cidade de Araçuaí, região do médio Jequitinhonha. Movidos pelo desejo de fazer um teatro que emergisse da cultura popular, mas cumprisse também seu papel social, os atores montaram seu primeiro trabalho baseado na literatura de cordel, resgatando cantigas populares, tradições religiosas e fazendo, claro, uma crítica irreverente aos costumes. O espetáculo resultante, “A Filha que Bateu na Mãe Sexta-Feira da Paixão e Virou Cachorra”, foi apresentado em diversas ruas e praças do Vale do Jequitinhonha e ajudou a desenvolver em seus atores uma dinâmica original de improviso, relação com o público, às músicas e as danças do Vale. Nestes dez anos de existência, a Cia manteve os objetivos originais de integrar a cultura e a realidade político-social do Vale em seus trabalhos. Manteve-se uma rotina de pesquisas musicais pela região, de montagem de textos originais e de integração da música e da dança nos espetáculos. Novos atores foram sendo integrados à companhia a partir de oficinas ministradas pelo diretor e fundador Luciano Silveira e o grupo procurou a colaboração de dramaturgos e outros diretores, buscando romper o isolamento do movimento teatral da região.

Apresentação da peça "Olhos Mansos", no K-iau encena/2006 – Foto: Neilton Lima

Em 1998 a companhia montou “Os Olhos Mansos”, espetáculo remontado em 2003, baseado no universo de Guimarães Rosa. Em 2001, estreou o espetáculo “No Caroço do Juá”, baseado em crônicas cotidianas de jornais regionais. Em 2003, com dramaturgia de Fernando Limoeiro e baseada nas canções de Caymmi, nasceu “História de Pescadores”. No ano de comemoração de dez anos de existência, a Companhia convidou o diretor João das Neves para transformar em espetáculo a vida de Maria Lira Marques. O espetáculo “Maria Lira” representou um grande salto na história da Cia. Em 2008 o grupo monta seu primeiro monólogo com direção de Ribamar Ribeiro. O texto escolhido é A MAIS FORTE do dramaturgo irlandês August Stringberg. O intercâmbio com diretores e grupos de projeção nacional criou para a companhia novas perspectivas e ratificou seu compromisso com o teatro e a sociedade do Jequitinhonha. Em 2009 começamos a pesquisa do espetáculo TERRA.

O grupo tem hoje 15 anos. O Ícaros tornou-se uma referência na região pela forma como trabalha a cultura popular. — Desde que surgimos ainda alunos do ensino médio, pesquisamos junto à comunidade os possíveis espetáculos, para que através dessa pesquisa fossem surgindo peças feitas sobre nós e para nós. Assim o grupo foi criando corpo, e já estamos no sétimo trabalho, sempre variando entre teatro de rua e palco .

Blog Onhas: Atualmente vocês estão em cartaz com a peça “Terra – A História de João Boa Morte: Cabra Marcado pra Morrer”. Você pode apresentar em resumo um pouco dessa história ?

Luciano: O espetáculo mergulha nas fontes populares e iletradas da poesia, recuperando a tradição dos cantadores do Vale do Jequitinhonha, com seus poemas narrativos vazados em linguagem simples e apoiados em métrica e rima de forte apelo mnemônico.

 O espetáculo que também comemora o aniversário de 80 anos do poeta Ferreira Gullar e denuncia os 16 anos de impunidade da chacina de Eldorado dos Carajás, inclui músicas de domínio público, pois cumpre o objetivo de integrar a população das cidades com a companhia que no ano de 2011 completou 15 anos de atuação no teatro do Vale do Jequitinhonha. O espetáculo conta a história de um lavrador que reage à exploração do fazendeiro e, por esta razão, é condenado a vagar pelo sertão, pois não encontra ninguém que lhe dê emprego. Quando resolve matar a mulher, os filhos e a si próprio, encontra Chico Vaqueiro, que o conduz ás ligas camponesas. Num mundo configurado como palco de embate entre o bem e o mal, Gullar expressa o pensamento de intelectualidade do povo em denunciar as mazelas de seus governantes. Esse texto escrito por FERREIRA GULLAR entre os anos de 1962-1967 apresenta claramente a realidade político-social brasileira da época. A literatura de cordel vai servir de instrumento á causa revolucionária. Na montagem a companhia incorpora ainda textos e dados históricos, como o MST e poemas e textos de pessoas como JOSÉ SARAMAGO, PEDRO TIERRA, entre outros, acreditando que a atualização criteriosa das tradições artísticas é a única forma de salvaguardá-las e contribuir para desenvolvimento de nossa região. No espetáculo abordamos a luta de classes e organizações em defesa da vida, contra a ideologia dominante que tem mantido o Vale rural séculos de atraso em relação às conquistas sociais. A política da ditadura do boi refletindo profundamente sobre o êxodo rural na região.

Blog Onhas: Como foi o processo de pesquisa para elaboração do roteiro, construção dos personagens e confecção do figurino?

Luciano: Terra fala sobre reforma agrária, a luta pela terra por aqui e pelo país. Para isso visitamos assentamentos e recolhemos depoimentos. Normalmente os nossos espetáculos, principalmente de rua, tem participação do público, e neste usamos ainda mais esse recurso — acrescenta. O processo de montagem se deu através de uma pesquisa minuciosa sobre a luta pela terra no Brasil. O fio condutor é o texto JOÃO BOA MORTE de Ferreira Gullar. Os personagens foram surgindo através de exercícios de improvisação e de leituras dramáticas. O figurino remete à fartura, pois é todo cheio de grãos, dando a ideia que o homem é uma semente e que será um fruto da terra.

Blog Onhas: Os textos encenados pelo “Ícaros” sempre tiveram preocupação em incluir nas cenas elementos típicos da cultura do vale do Jequitinhonha, além de questionamentos sociais. Em que medida o espectador encontrará esses elementos figurando em “Terra”?

Luciano: Nosso teatro é politico ao mesmo tempo é uma maneira de denunciar as injustiças tão presentes neste país. A cultura popular do vale está nas roupas, nas músicas, pois não sabemos ser distantes disso que se chama cultura popular. Alimento que vamos regurgitando sem pretensões acadêmicas, mais com uma vontade danada de que as pessoas se reconheçam nos enredos que urdimos, nos cantos que entoamos. Como sabemos, “João Boa-Morte, cabra marcado pra morrer”, de 1962, nasceu a convite de Oduvaldo Vianna Filho e foi (mais ou menos) distribuído como folheto após não ter tido sucesso por meio da encenação teatral. Conta à história de um lavrador que era explorado por um fazendeiro para o qual trabalhava na Paraíba. Foi escrito com uma estrutura irregular nas estrofes, mas mantendo uma base de oitavas, rimadas aleatoriamente e em redondilhas maiores. No poema, podemos encontrar alguns excessos de militância e propaganda, como estes:

 Que a luta não esmorece

Agora que o camponês

Cansado de fazer prece

E de votar em burguês

Ergue-se contra a pobreza

E outra voz já não escuta,

Só a que o chama pra luta

– voz da Liga Camponesa.

Mas se, em alguns momentos, o poeta mais fala de revolução do que a faz dentro da arte que pratica, em outros, podemos achar exemplos de boa música nordestina e alguma ironia cabralina:

 Naquela terra querida,

Que era sua e que não era,

Onde sonhara com a vida

Mas nunca viver pudera,

Ia morrer sem comida

Aquele de cuja lida

Tanta comida nascera.

Terra: A História de João Boa Morte, Cabra Marcado pra Morrer – Foto: Vilmar Oliveira

O vocabulário é simples, para a compreensão do povo, e a narrativa cria a oposição entre o poder dos coronéis, donos das terras nordestinas, e o trabalhador dessas terras, que vive a penúria do dia-a-dia, sem perspectivas de melhorar sua condição de vida. O relato mostra a ausência de resultado positivo do trabalho para o trabalhador explorado e acompanha a disputa entre coronel e trabalhadores pelo preço dos produtos e pela liberdade de venda deles. Nessa disputa, o coronel usa seu poder de intimidação e mata, com seus jagunços, os que não se submetem. João Boa-Morte, dada sua condição de miserabilidade e o sofrimento da família, resolveu enfrentar o coronel Benedito conclamando os companheiros à reação. Mas o que lhe aconteceu foi perder o lugar onde trabalhava e ter que vagar com a família passando fome e não sendo aceito em lugar nenhum como represália por ter enfrentado o patrão. Em andanças e fome por longo período e distância, morreu o filho mais moço. João, em desespero e sozinho, pensou em matar o resto da família e depois se matar também. Quando estava para executar sua sina, Chico Vaqueiro o encontrou e o demoveu do crime, convencendo-o a lutar junto de companheiros da Liga Camponesa que organizavam a resistência contra os coronéis. O poema termina com a exortação de que, para mudar a situação, é preciso unir o camponês para realizar a revolução. Em essência, o poema resume a sina de muitos sertanejos posseiros de terras ou sem-terras que ousassem liderar qualquer movimento de mudança na relação com os coronéis para quem trabalhavam, que tratavam o homem livre em regime similar ao da passada escravidão.

O poema traduz o canto que conclama o povo à resistência contra a exploração de seu trabalho, não apresenta singularidades formais a não ser a simplicidade de versos populares, e nem é intenção ser diferente, pois quer ser o que é: denúncia. Não há especulação ou inovação formal nos versos, apenas integração do poeta com as agruras da vida rural de seu tempo e dos movimentos de conscientização levados ao campo pela organização comunista das Ligas Camponesas. O poeta está dizendo que não pode passar imune a essa realidade e que precisa não só compor a poesia da e para a elite na sua perseguição à inovação e renovação intelectual, mas também dizer do homem comum em linguagem comum, o sofrimento comum para comover e conquistar. É o poeta buscando comunicação fora de seu espaço característico e para isso precisa adequar sua palavra

 Blog Onhas: Ao longo de mais de 40 anos o Vale do Jequitinhonha tem lutado para superar o estigma de “Vale da Miséria”. Essa luta uma simbologia que hoje caracteriza a região como “Vale de Cultura”, para que isso acontecesse contribuíram muito nomes de Militantes como Tadeu Martins, George Abner, Aurélio Silby e demais colaboradores do Jornal Geraes. Também contribuíram músicos com certo renome nacional, como Rubinho do Vale, Paulinha Pedra Azul e Saulo Laranjeira e agora Déa Trancoso e Pedro Morais, só para citar alguns exemplos. Além desses os corais, com notoriedade para os Trovadores do Vale, As Lavadeiras de Almenara, e o artesanato representado por Lira Marques, Dona Isabel e Ulisses Mendes. O Teatro, aparentemente, não tem a mesma expressividade que os artistas citados, mas sabe-se que ele existe. Diante disso, gostaria que você destacasse qual o lugar do Teatro na construção dessa nova simbologia para o Vale do Jequitinhonha.

Luciano: O teatro no Vale do Jequitinhonha cresceu muito nos últimos 10 anos, sendo o destaque desta década. A forma como [os grupos] se organizam em coletivos e associações como AGRUTEVAJE (Associação dos grupos de teatro do Vale do Jequitinhonha) e RCT (Rede de Coletivos teatrais do Vale do Jequitinhonha), com o objetivo de fortalecer o teatro do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais; a RCT — Rede de Coletivos Teatrais – reúne grupos de teatro locais, a maioria com muitas dificuldades financeiras, para lutar em prol das artes cênicas na região. Entre os inimigos, além da falta de recursos para montar até um espetáculo simples, está a grande evasão de jovens, obrigados a deixar a região para estudar fora, já que não há cursos de teatro, dança ou música em todo o Vale, apesar do local ser conhecido em todo o país como de grande riqueza cultural.

 — A RCT se reuniu pela primeira vez em 2008, quando os grupos de teatro daqui, após o ÍCAROS DO VALE chegar da III Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, em São Paulo, sentiram a necessidade de se unir para fortalecer o nosso teatro. A proposta da rede é uma gestão de baixo para cima, ou seja, dos grupos para os grupos, onde os membros da diretoria recentemente formada nada mais são do que idealizadores, ponderadores e concretiza dores — fala Luciano Silveira, presidente a rede.

 — Todavia, as veredas são estreitas e íngremes, temos que caminhar de mãos dadas para não pisar em falso. O teatro, então, no VALE tem sido com certeza a área artística mais organizada atualmente na região e a principal responsável pela perpetuação e promoção de sua identidade local

 Blog Onhas: Para Finalizar, gostaria que você anotasse a agenda do Ícaros e os contatos de grupo.

 Luciano:

Site: www.onhas.com.br/icaros

05 e 06 MAIO: Reunião da Rede de Coletivos Teatrais do Vale do Jequitinhonha-Capelinha

11 de Maio:TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer

Feira de artesanato da UFMG-Campus da Pampulha-BH

12 e 13 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer

Palácio das Artes-BH

18 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer

Semana de integração da UFVJM

Diamantina-MG

25 de Maio: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer

Centenário da cidade Pedra Azul

08 de Junho: TERRA-A história de João Boa Morte-Cabra Marcado para morrer

I FESTTO (Festival de teatro de Teófilo-Otoni)

Contato

Luciano Silveira

(33)91392645

(33)3731-3553

silveira-luciano@bol.com.br

Clique sobre as fotos para vê-las em tamanho ampliado;

Projeto de teatro de bonecos estréia espetáculo na Feira Livre de Padre Paraíso

No sábado, 28 de abril, Padre Paraíso recebe o espetáculo Aqui você não entra, uma montagem de teatro de bonecos mamulengos, realizada pela Murion Cia de Teatro.

O evento é aberto ao público e será realizado na Feira Livre da cidade.

A apresentação, que faz parte do projeto Teatro de Bonecos, Mamulengo, elaborado pelos jovens integrantes do coletivo Murion em parceria com o Polos de Cidadania da Faculdade de Direito, promete entreter, divertir e, ao mesmo tempo, tratar de um assunto sério, o combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes na região do Vale.

O texto da obra Aqui você não entra foi elaborado pelo professor Fernando Limoeiro a partir de relatos, feitos pelos jovens da Murion, de situações que ocorreram na cidade de Padre Paraíso. O objetivo é reafirmar o compromisso social dos atores e do coletivo na busca por soluções para os problemas da comunidade da cidade. Esse desafio decorreu do Projeto Juventude em Alertas, desenvolvido com o apoio da ONG alemã KNH, cujo foco principal é o combate ao ciclo de exploração sexual de crianças e adolescentes na região do Vale do Jequitinhonha.

Murion Cia de Teatro

O coletivo teatral Murion Cia de Teatro surgiu em setembro de 2006 e é resultado de uma iniciativa do projeto Polos de Cidadania, da Faculdade de Direito da UFMG e do projeto Juventude em Alertas de Padre Paraíso. O grupo foi montado visando criar oportunidades de vivência cultural e artísticas para jovens da comunidade do bairro Bela Vista da cidade de Padre Paraíso.

O nome ”Murion” refere-se a um popular cristal marrom (quartzo fumê) muito encontrado na região da cidade. Além disso, o murion carrega significados como amizade, superação de obstáculos, equilíbrio orgânico e psicológico, que podem ser associados ao grupo. Os gregos afirmavam que o murion era a “pedra amadurecida dos montes”, algo que pode ser comparado ao processo contínuo de amadurecimento cultural e artístico da companhia de teatro.

Ao longo de sua existência a Murion Cia de Teatro montou vários espetáculos. Exemplos são o recital Tipos Urbanos - uma livre adaptação de poemas de vários poetas brasileiros numa dramaturgia que revelava as vissitudes humanas no universo das angustiante cidades contemporâneas; o esquete (pequena peça dramática) educativo A saúde da família Silva está em perigo, que propunha discutir com a população a situação da saúde pública no contexto da desestruturação econômica das famílias da região e do poder da televisão como instrumento de formatação da cultura de consumo; o espetáculo Um pouquinho do Brasil, o qual incluía teatro, dança e atividades circenses; o recital Caixa Mágica de Surpresa, que propunha revelar, através da poesia brasileira e do cancioneiro popular do Vale, a saga do povo da região obrigado a migrar em busca de melhores condições de vida que nem sempre são alcançadas nas grandes cidades do Brasil; e demais projetos artísticos até chegar às oficinas de outubro de 2011, que trabalhou a técnica de bonecos de luva, mamulengo, e o conhecimento da estética desse brinquedo, pelo professor Limoeiro.

Fonte: Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha; 

Ministério das Comunicações

Aviso de Habilitação de rádios comunitárias

O Ministério das Comunicações publicou segundo aviso de habilitação para rádios comunitárias de 2012. Dentre as 75 cidades contempladas pelo aviso, 15 cidades de Minas Gerais foram selecionadas, sendo três delas no Vale do Jequitinhonha: Comercinho, Jenipapo de Minas e Rubelita. O aviso foi publicado no Diário Oficial da União, na Seção 3, do dia 3 de fevereiro de 2012.

Essa ação faz parte do Plano Nacional de Outorgas 2012-2013 e contempla apenas municípios que ainda não contam com nenhuma rádio comunitária autorizada. A meta do ministério é que até o fim de 2013 cada município brasileiro tenha pelo menos uma rádio comunitária funcionando.

Outras Informações no site do Ministério das Comunicações.

 

Acontece no Vale

Palestra “Todos contra a Pedofilia” em Capelinha

No dia 10 de fevereiro a cidade de Capelinha irá receber a palestra “Todos contra a Pedofilia“, ministrada Promotor de Justiça da cidade de Divinópolis, Dr. Casé Fortes. O evento tem como objetivo intensificar a campanha contra a exploração sexual infanto-juvenil. A Palestra será realizada no dia 10/02/12, às 14 horas no Espaço Ativa-Idade (Rua das Flores, 803 – Centro). É uma ação do Projeto “Infância Roubada”, executado pelo Grupo de Teatro de Capelinha Anim’Art e financiado pelo Banco do Nordeste e tem apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Capelinha, COMAD, PAIR, Casa da Cultura e Secretaria Municipal de Assistência Social.

Concurso Arte do 15° Carboarte, em Carbonita

A Prefeitura Municipal de Carbonita realiza uma concurso para a Arte que será tema do 15° Carboarte. Para participar, os interessados deverão ter mais de 15 anos e poderão encaminhar até dois trabalhos. Arte deve ser manual e não pode conter no nome do autor.

Os trabalhos deverão ser entregues na Secretaria de Cultura (Centro Cultural) até o dia 01 de março, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 14h às 16h. O prêmio para o vencedor é de 500 reais.

Outras Informações acesse o site de Prefeitura de Carbonita.

Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do JequitinhonhaCoordenadoria de Comunicação, Cultura e Meio Ambiente da Pró-Reitoria de Extensão da UFMGSala 6005 – Prédio da Reitoria – Campus Pampulha

Av. Antônio Carlos, 6627 – Pampulha

Belo Horizonte / Minas Gerais

            (31)3409-4067       / 4043

www.ufmg.br/polojequitinhonha

Teatro de cordel desenvolvido a partir da cultura popular de Minas Novas com os meninos de lá. Foto: Dudu Pictures

 

Na ultima edição da sexta cultural, no dia 03.02, o instrumentista, cantor, compositor e empreendedor cultural Maurício Tizumba se apresentou em Minas Novas, no Alto Jequitinhonha. Tizumba se apresentou com grupo teatral formado de crianças e adolescentes carentes da zona rural de Minas Novas, projeto realizado pela Ampliar, com coordenação de Yany Mabel  (irmã do eterno Mark Gladston) para dirigir espetáculo em Minas Novas.


Comandando o grupo teatral na voz e violão, o cantor belorizontino deu show, com canções populares e consagradas no cenário nacional. O grupo, através de instrumentos de percussão, acompanhou Tizumba em todas as canções, dando um toque especial
na apresentação.
Sexta Cultural

Mais uma vez o teatro ta na rua, nossa alegria pela vida continua! Espetáculo Ze Homi e Maria Mulher Flor, direção Yany Mabel. Foto: Dudu Pictures

O projeto Sexta Cultura, idealizado pela Secretaria de Cultura, Turismo e Comunicação de Minas Novas, acontece toda primeira sexta-feira do mês, a partir das 20:00 horas, na praça Sebastião Leme do Prado (Praça da Prefeitura). A Sexta Cultura entrou definitivamente no calendário da cultura minasnovense, revelando novos talentos artísticos nos mais variados segmentos da cultura local. A praça da prefeitura fica sempre lotada de pessoas não só de Minas Novas, mas de cidades vizinhas como Turmalina, Capelinha e Chapada do Norte.
Há, além de apresentações culturais, barracas com comidas típicas e artesanato local, enaltecendo ainda mais o projeto da Sexta Cultural, que recentemente iniciou-se na ultima sexta feira do mês na cidade de Chapada do Norte-MG.

O Grupo de Teatro de Capelinha Anim’Art já disponibilizou através do Blog RegisCap1 o regulamento e a ficha de inscrição da Noite dos 10 Encantos (Noite Literária), poderão se inscrever Interpretes e Escritores de Capelinha e Vale do Jequitinhonha, independente de idade,  os vencedores em suas respectivas categoria serão premiados em dinheiro e troféu. Após baixar e preencher todos os dados necessário a ficha de inscrição  deverá ser entregue no Espaço Ativa Idade, Rua das Flores – Nº 803 – Centro – Capelinha MG.

A “Noite dos 10 Encantos” será um concurso literário anual com realização do Grupo de Teatro de Capelinha Anim’Art e estará acontecendo em Capelinha pela primeira vez  durante o 2º Festival de Animação e Arte. Seu objetivo é estimular o aprimoramento da produção literária no segmento poético, além de incentivar a criação literária e abrir espaços para novos talentos. A “Noite dos 10 Encantos” buscará ainda um alcance maior de participantes pelos poemas, que serão apresentados ao público através de interpretações. E em sua primeira realização terá como objetivo maior a homenagem ao centenário da cidade de Capelinha.

A “Noite dos 10 Encantos” terá a sua realização paralelamente ao 2º Festival de Animação e Arte. Com a inserção da mesma haverá uma maior participação da comunidade já que para participar do evento não será preciso ser estudante, fazendo com que crianças, jovens e adultos também participem do Festival.  Em sua primeira realização o evento buscará homenagear a cidade de Capelinha pelo seu centenário.
A literatura é uma defesa contra as ofensas da vida.” (Cesare Pavese)

Entre os dias 21 e 29 de janeiro, o Centro Cultural Luz da Lua, em Araçuaí, irá receber o 5º K-IAU em Cena, Festival Nacional de Teatro de Araçuaí. O evento é uma parceria entre a Produtora Luz da Lua, de Araçuaí, e a Companhia Forte de Teatro, de Belo Horizonte. Durante os nove dias do festival, serão apresentadas 10 peças de companhias de teatro de Araçuaí, Belo Horizonte, Montes Claros, Campinas, Ipatinga, Porto Alegre e Uruguai/Argentina.

Na edição de 2012 o Festival receberá pela primeira vez um grupo gaúcho, a Cia Solos & Bem Acompanhados com os espetáculos “Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario Quintana” e “Pois é, vizinha…” com atuação de Deborah Finocchiaro. Outros  destaques na programação do festival são os espetáculos “Hay Amor” e “Números” da Cia campineira Os Geraldos, os divertidos estrangeiros do The Pambazos = Broscom “Porongo Vandeville” e a trágica “História de Édipo” com a adaptação contemporânea do conceituado Grupo Teatro Andante de Belo Horizonte.

 Os ingressos serão vendidos a preços populares, na bilheteria do Centro Cultural Luz da Lua (Rua Dom Serafim, 426, Centro, Araçuaí – MG). O 5º K-IAU em Cena conta com o patrocínio da CEMIG e o apoio e colaboração de empresas locais, além do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha.

Confira a programação:

Espetáculo: Porongo Vandevile
Grupo: The Pambazos Bros – Uruguai/Argentina
21 de janeiro de 2012 – Sábado às 20h

Espetáculo: A História de Édipo
Grupo: Teatro Andante – BH/MG
22 de janeiro de 2012 – Domingo às 20h

Espetáculo: Terra
Grupo: Ícaros do Vale – Araçuaí/MG
23 de janeiro de 2012 – Segunda às 20h

Espetáculo: Vem Ver Boi
Grupo: Fibra – Montes Claros/MG
24 de janeiro de 2012 – Terça às 20h

Espetáculo: Hay Amor
Grupo: Os Geraldos – Campinas/SP
25 de janeiro de 2012 – Quarta às 20h

Espetáculo: Números
Grupo: Os Geraldos – Campinas/SP
26 de janeiro de 2012 – Quinta às 20h

Espetáculo: Arquivo Vivo
Grupo: Farroupilha – Ipatinga/MG
27 de janeiro de 2012 – Sexta às 20h

Espetáculo: A Princesa Engasgada
Grupo: Farroupilha – Ipatinga/MG
28 de janeiro de 2012 – Sábado às 10h

Espetáculo: Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario Quintana
Grupo: Companhia de Solos & Bem Acompanhados – Porto Alegre/RS
28 de janeiro de 2012 -  Sábado às 20h

Espetáculo: Pois é, Vizinha …,
Grupo: Companhia de Solos & Bem Acompanhados – Porto Alegre/RS
29 de janeiro de 2012 – Domingo às 20h

Fonte: Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha; 

Categories: Cultura Gerais, Teatro
O 9º Festival de Teatro do Vale do Jequitinhonha (FESTEJE), já tem programação definida. A grande novidade é a participação da Cia. Aquário de Teatro de Vitória da Conquista-BA, o grupo fará duas apresentações no Festival. O 9º FESTEJE será realizado entre os dias 16 e 22 de janeiro, em Divisópolis, tendo como entidade organizadora a AGRUTEVAJE – Associação dos Grupos Teatrais do Vale do Jequitinhonha (entidade que não mediu esforços para realização do FESTEJE).

O evento contará com: shows, palestras, ofícinas e muitas apresentações de grupos de teatro. Este ano o evento conta ainda com o 8º FESPOED – Festival de Poesia de Divisópolis. Veja a programação completa:

Domingo – 15/01

12:00 Credenciamento

14:00 Encontro da Diretoria da RCT – Rede de Coletivos Teatrais do Vale do Jequitinhonha
20:00 Cerimonia de abertura – Câmara Municipal
20:45 Espetáculo Teatral “Trapezista” – Cia. Aquário de Teatro ( Vitória da Conquista-Ba)
22:00 Coral Araras Grandes (Araçuaí MG)
22:00 Barraca FESTEJE – Luciano Chapadeiro (Jequitinhonha MG)
Segunda-Feira 16/01
9:00 Debate do Espetáculo
14:00 Oficinas
20:00 Espetáculo Teatral “Silêncio que Corta” – Grupo IN-CENA de Teatro (Teófilo Otoni MG)
22:00 Barraca FESTEJE – Hendrick Souza (Pedra Azul-MG)
Terça-Feira 17/01
14:00 Oficinas
20:00 Assembleia Geral da AGRUTEVAJE
22:00 Barraca FESTEJE – Banda Raízes D’Lá (Pedra Azul-MG)
Quarta-Feira 18/01
10:00 Apresentação de grupos de Cultura Popular
14:00 Oficinas
20:00 Espetáculo Teatral “Raízes” – GRUTEAPA (Grupo de Teatro Amador de Pedra Azul) – Pedra Azul/MG
22:00 Barraca FESTEJE – Banda Onha Ki (Medina MG)
Quinta-Feira 19/01
9:00 Debate do Espetáculo
14:00 Oficinas
20:00 Espetáculo Teatral “ Terra – A História de João Boa Morte – Cabra marcado para morrer “ – Cia de Teatro Ícaros do Vale (Araçuaí MG)
22:00 Barraca FESTEJE – Artistas da Terra – Lumã Pinheiros e sua viola
Sexta-Feira 20/01
09:00 Debate do Espetáculo
14:00 Oficinas
19:30 Mostra das Oficinas
20:30 Grupo de Percussão Quingemm (Araçuaí MG)
21:00 FESPOED – Festival de Poesia de Divisópolis
23:00 Barraca FESTEJE – DI PORTA A FORA – (Padre Paraíso MG)
Sábado 21/01
9:00 Espetáculo “Circo de Solesado” – Cia. De Teatro Artvale (Pedra Azul MG)
20:00 Espetáculo Teatral “ Invenção de Orfeu” – Cia Aquário de Teatro (Vitória da Conquista BA)
22:00 Cerimonia de encerramento e premiação FESPOED
23:00 Show de encerramento – Artista da Terra

Música, teatro e literatura no Vale

O segundo dia do VI Seminário Visões do Vale, contou com uma mesa para debater a “Musica, Teatro e Literatura no Vale do Jequitinhonha”. Essa mesa foi muito especial e consegui arrancar bastante risos da platéia, com as histórias contadas pelos palestrantes. A mesa foi mediada pelo professor do departamento de Comunicação Social da UFMG, Márcio Simeone. A primeira palestra foi do musico da Rubinho do Vale. Natural da cidade de Rubin, o artista apresentou a platéia um texto que havia escrito sobre a formação musical riquíssima que o Vale do Jequitinhonha tem, e falou da complexidade de se estudar sobre ela. “É um tanto complexo escrever sobre a Musica do Jequitinhonha”, afirma. Em seguida apresentou poesias de autores populares consagrados, como Gonzaga Medina e leu o “Credo da Cachaça” de Seu Pinaco.

A segunda palestra foi do professor e diretor do Teatro Universitário da UFMG, Prof. Fernando Limoeiro. Ele contou um pouco da experiência dele com o ensino de teatro no Vale do Jequitinhonha e como vê os grupos de teatro da região, apontando os pontos positivos, como a valorização de histórias regionais, e negativos, como a oscilação entre os participantes dos grupos. Limoeiro enfatizou ainda a riquíssima produção do Vale e a maneira que ela encanta as pessoas. “Quando me pergunta: o que é o Vale? Eu respondo: é um povo que canta…e quem canta, Encanta!” afirma o Professor.

A terceira palestra foi da escritora Vera Lucia Felício Ferreira, que possui uma vasta biografia sobre a literatura do Vale do Jequitinhonha. A escritora falou de suas viagens ao Jequitinhonha e como ela, que é natural de Diamantina, redescobriu a cultura daquela região. Vera Lucia enfatizou na sua palestra a importância da transmissão de histórias para não deixar que elas acabem e como as populações do Jequitinhonha valorizam a sua literatura.

Fonte: Polo Jequitinhonha

Talento, criatividade e humildade. É com esse tripé que a Companhia de Teatro Ícaros do Vale, de Araçuaí, trabalha para executar com qualidade os espetáculos que propõe. Nesses 15 anos de história, o Ícaros não se conteve no Vale do Jequitinhonha, ganhou o Estado e se tornou um dos mais importantes grupos teatrais de Minas Gerais.

Fundada no dia 12 de novembro de 1996, a companhia reunia jovens artistas da cidade que tinham um modo próprio de fazer teatro. No ano seguinte, os novos atores realizaram o primeiro espetáculo, intitulado A filha que bateu na mãe, sexta-feira da paixão e virou cachorra, baseada em um texto de cordel que aborda questões sociais e religiosas da cultura popular.

Em 1998, encenaram Os Olhos Mansos. A peça, que falava sobre a mortalidade infantil no Vale do Jequitinhonha, proporcionou à companhia ganhar quatro prêmios na 15ª Mostra de Teatro da cidade de Pompéu-MG (nas categorias de Melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, atriz revelação e direção).

No ano 2000, o grupo deu um novo salto em sua carreira, realizando parcerias com a escritora Virgínia Chaves e o compositor Josino Medina para a criação da peça No caroço do Juá. Esse espetáculo consolidou o Ícaros do Vale como um importante grupo no cenário mineiro do teatro de rua. No ano seguinte, a trupe foi convidada pelo Projeto Pró-Água para realizar um espetáculo para 23 comunidades ribeirinhas na bacia do rio Calhauzinho. Nasce a peça De Mala e Cuia, com a trilha sonora também composta por Medina.

Em 2002, o Ícaros do Vale realizou uma apresentação marcante no 21.º Festival de Cultura popular no Vale do Jequitinhonha (FESTIVALE) na cidade de Pedra Azul. O sucesso foi tão estrondoso que o produtor cultural e radialista Tadeu Martins indicou o grupo para ser a principal atração das comemorações da Semana da Pátria da cidade de Corinto.

Com a idéia de expandir o conhecimento a mais pessoas, em 2006 o grupo desenvolveu oficinas destinadas a estudantes da rede estadual de ensino sobre Iniciação Teatral. Nesse trabalho 15 adolescentes permaneceram na companhia e, baseado nas músicas de Dorival Caymmi, montaram o espetáculo História de Pescador. No mesmo ano o grupo lançou o espetáculo Maria Lira, contando a história de uma importante personagem da região e fazendo uma ponte com a situação das mulheres do Vale. Essa peça foi a única de Minas a participar da III Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, realizado em maio de 2008 em São Paulo. Em 2009, o grupo realizou a sua primeira adaptação de um autor estrangeiro. O monólogo A mais forte, baseado no obra de August Strindberg ganhou uma adaptação à realidade do Vale do Jequitinhonha.

FESTA para comemorar os 15 anos

Em 2011 o Ícaros do Vale completa 15 anos. E para comemorar essa data, a companhia ira promover o primeiro Festival de Teatro de Rua de Araçuaí (FESTA). Durante quatro dias (8 a 12 de outubro), a cidade irá receber diversas atrações culturais, entre shows, peças teatrais oficinas, danças e palestras nas praças de Araçuaí. O evento ainda contará com uma exposição fotográfica e lançamento de livro.

Há duas décadas e meia, fazendo das ruas o seu palco, a Companhia de Teatro Ícaros do Vale vem cada vez mais conquistando um espaço expressivo no teatro em Minas Gerais. Transformando os ?causos? e contos populares em maravilhosos espetáculos, o grupo segue construindo a sua história, encantando as pessoas que encontra em seu caminho.

 Fonte: Portal do Programa Pólo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha

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