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Notícias do mundo Jequitinhonha

Archive for the ‘Literatura’ Category

Por Alexandre Pilati*

Originalmente  Publicado em Outras Palavras. 

Nova coletânea de textos de Roberto Schwarz repõe em jogo a necessidade de pensar o Brasil a partir da politização da análise estética

Martinha versus Lucrécia (Cia das Letras, 2012), último livro do crítico literário Roberto Schwarz, chegou às livrarias mês passado e abasteceu os cadernos culturais de alguns de nossos periódicos com um saudável bafejo de polêmica, embora esta não tenha nem duração e nem aprofundamento garantidos, pois, nesses tempos pra lá de pós-modernos, de pauperização encefálica da grande imprensa, polemizar a sério é algo desconectado da fruição irrestrita do “curti/não-curti”, cada vez mais arraigada nos “melhores talentos” intelectuais brasileiros. De qualquer forma, a polêmica se justificou basicamente por dois motivos: 1) pela análise cerrada do ambíguo livro Verdade Tropical de Caetano Veloso e 2) pela, segundo alguns, injustificada insistência do crítico em interpretar a experiência histórica brasileira a partir de suas experiências culturais, especialmente aquelas provindas do campo da literatura, atualmente muito combalida como atividade estética de escavação do real. Se desde o título o livro de Schwarz carrega a marca do acirramento do debate, em chave dialética, não haveríamos de esperar outra coisa. Talvez esteja aí um pouco do seu mérito.

Para além do inquietar do Narciso pop tropical (Caetano deu entrevistas e aproveitou o espaço na mídia como sói acontecer desde a Tropicália) e dos narcisos da intelligentsia conservadora tropicaleira (que usaram a imprensa para esbravejar contra o vitupério que é um crítico literário ousar pensar sobre o país de um ângulo diferente do dos proprietários), o livro carrega o desafio de manter em dia e em boa forma o olhar dialético e prenhe de negatividade de Schwarz, após uma década ou duas que o tornaram quase um clássico da crítica literária acadêmica no Brasil. Diga-se, aliás, que nada poderia ser mais contrário à sua disposição antimetódica do que tornar-se jargão universitário. Esse é um dos motivos fortes para saudarmos a obra; motivo este que, é claro, o polemismo atacanhado dos últimos dias não captou nem de longe. Martinha versus Lucrécia dá ao leitor o velho crítico adorniano, em uma prosa amadurecida nos melhores exercícios da reflexão dialética. A sintaxe está elegante, irônica e alimentada impiedosamente pelas contradições, como se fosse uma chave que se adequa aos problemas novos que se impõem. A escolha dos textos contempla tanto a crítica literária, como entrevistas e “textos de intervenção” (prefácios, saudações, arguições). O painel é vário, mas a sua força está na unidade de disposição, que poderíamos resumir recorrendo a um meio de parágrafo do autor, em que se trata da tomada de partido histórica na análise da forma estética, a qual “seria um princípio ordenador individual, que tanto regula um universo imaginário como um aspecto da realidade exterior”.

No que se refere à crítica especificamente literária, o volume nos reconcilia com velhas “ideias fixas do crítico”, por meio da leitura de Machado de Assis em tratamento adensado noutro plano, pois que armado para o debate literário cosmopolita, como nos ensaios “Leituras em competição” e “A viravolta machadiana”. É basilar nesses dois textos a disposição para debater internacionalmente sobre a validade da obra machadiana, tentando fazer ver, em que medida radicalmente política, “os rearranjos em matéria e forma operados por Machado faziam que um universo ficcional modesto e de segunda mão subisse à complexidade da arte contemporânea mais avançada”. Com esses dois textos, Schwarz revisa Machado para o leitor de fora, escarafunchando um pouco os motivos falsos e frágeis de sua bela e recente aceitação no exterior. Mas revisando-o para o leitor estrangeiro, o crítico acaba por revisá-lo também para o leitor brasileiro, às vezes estranho ao Brasil, de tão emaranhado que está na mais nova moda crítica exógena.

É, todavia, o conjunto de textos que se segue à entrevista “Sobre Adorno” que esconde o detonador da polêmica que cercou saudação do livro. São três textos sobre literatura brasileira contemporânea, entre os quais o violento ensaio inédito sobre Verdade tropical. Por si só, o texto sobre o narrador volúvel de Caetano vale o ingresso e se sustenta sozinho. Contudo, bem pensado o seu lugar na economia do livro, ele funciona bem melhor quando se leem os dois ensaios que lhe fazem fila. Seria um despropósito pensar que os ensaios sobre O elefante, de Chico Alvim (“Um minimalismo enorme”), e sobre Leite derramado, de Chico Buarque (“Cetim laranja sobre fundo escuro”), estão colocados em sequencia como complementos críticos da análise sobre Verdade tropical? Creio que não, se pensarmos que nesses dois Chicos, Alvim e Buarque, paradigmas de um realismo vigente e furioso na literatura brasileira contemporânea, encontra-se uma correção em acorde negativo da mimese do contemporâneo diagnosticada por Schwarz na forma narrativa de Caetano. Se, no narrador deste, a posição de privilégio de classe atua em favor de uma postura narrativa que mescla diretrizes contrárias, em prejuízo da pesquisa estética das contradições da experiência (ou da verdade) tropical, naqueles, segundo o crítico, esta mesma posição se remonta, para ouvir e rearranjar, em ritmo derrisório e desencantado, as contradições brasileiras. Tudo engendrado a partir de uma perspectiva literária capaz de fender o sorriso ignóbil da farsa proprietária, tornando-o irremediavelmente escandaloso no país miserável do século XXI. Diria Chico Alvim: “Quer ver/ escuta”.

Com isso, estão ligadas “as duas pontas do novelo”: Machado e as letras do Brasil contemporâneo. A análise de Schwarz acerca do fenômeno machadiano baseia-se fortemente na capacidade que a viravolta formal dos romances de segunda-fase apresenta de dramatizar as contradições da perspectiva proprietária da história brasileira (e todas as suas implicações que tanto conhecemos intimamente). Não é difícil aproximar as leituras de Verdade tropical, O elefante e Leite derramado pois elas são faces da tendência do crítico a analisar a comédia de classes no Brasil a partir da equação literária da voz narrativa ou lírica dos protagonistas. Em Caetano, temos o bom e velho narrador conciliador, desejoso de ativar as potências e riquezas que jazem no Brasil atrasado, desde que isso não implique em democratização e socialização da cultura, pois seu ponto de vista dúbio caminha sempre a depender do sucesso de instauração de mecanismos intensificadores da indústria do espetáculo em terra periférica. De defensor da liberdade individual destinado a contar uma verdade (tropical?) a porta-voz refinado do neoliberalismo (é bom lembrar que o livro é de 1997) e da regressão artística, apresentada sempre em chave cínica de avanço e emancipação da arte tornada artigo pop: eis uma possível interpretação do caminho do narrador de Verdade tropical na perspectiva de Schwarz. O trocadilho é infame, mas irresistível – a verdade tropical é no fundo a verdade do-capital. Embora seja cáustico, não deixa de ser revelador da experiência brasileira pós-golpe. Assim se dá também no caso de Alvim e Buarque. Entretanto, as formas literárias aqui estão fazendo pouco do refinamento intelectual da nossa elite e reagindo à miséria periférica (aparatada com pseudomodernização), tornando problemáticas as próprias possibilidades de representação da história universal sob os mecanismos miméticos que essa mesma história legitimou e consolidou ao longo da formação brasileira. Sem verdade disponível, pois que ela está apropriada pelos impropérios da classe dominante, Buarque e Alvim buscam um mínimo, que no caso é enorme: como representar o irremediável da modernização à brasileira.

Monta-se assim o poliedro do duro problema da leitura do país a partir da literatura e vice-versa, com o selo da crítica dialética, comprometida com a materialidade das formas e da história, malgrado o pouco apreço de algumas “estrelas-alfa” (Bandeira em “Nova poética”) da nossa crítica. No ritmo da arenga criada por sua vinda a lume, a verdade dos proprietários literatizada vis-à-vis a análise da cultura brasileira interessada no conflito de classes, Martinha versus Lucrécia deve ser acolhido como ponto a favor desta; e com júbilo, por reativar, em diversos campos, algumas pulsões obscuras latentes no tropicalíssimo “legado de nossa miséria”.

*Alexandre Pilati é professor de literatura brasileira da Universidade de Brasília, autor, entre outros, de A nação drummondiana (7Letras, 2009).

O livro Poemas brasileiros sobre trabalhadores  será distribuído gratuitamente pela Internet

Pesquisadores da Faculdade de Letras da UFMG celebram o Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio, com o lançamento de Poemas brasileiros sobre trabalhadores: uma antologia de domínio público, uma antologia eletrônica de poemas brasileiros em que os trabalhadores são o tema principal. O objetivo da obra é relembrar, sistematizar e divulgar uma parte da cultura que faz de trabalhadores, personagens do povo, os protagonistas de muitos versos. A antologia inclui textos de Alvarenga Peixoto, Augusto dos Anjos, Castro Alves, Cruz e Souza, Fagundes Varela, Luiz Gama, Machado de Assis, Maria Firmina dos Reis, Olavo Bilac, Tomaz Antônio Gonzaga e Vinicius de Moraes.

A antologia de poemas foi organizada por pesquisadores da UFMG que desenvolvem na Faculdade de Letras, há três anos, análise linguística de discursos sobre trabalhadores, incluindo o discurso literário, além do jornalístico, histórico e educacional. Coordenado pelos professores Antônio Augusto Moreira de Faria e Rosalvo Gonçalves Pinto, o Grupo de Estudos em Linguagem, Trabalho, Educação e Cultura (Lintrab) envolve estudantes de graduação, que fazem sua iniciação científica, e de pós-graduação – especialização, mestrado e doutorado.

Como destacam os coordenadores do projeto na introdução do livro, “o trabalho humano consolida hábitos, valores, crenças – cultura, enfim”. Daí a importância de estudar textos que tragam em primeiro plano personagens trabalhadores e a temática do trabalho. A distribuição gratuita na internet (http://www.letras.ufmg.br/vivavoz/data1/arquivos/poemastrabalhadores-site.pdf), por sua vez, busca contribuir para a difusão dos textos, tornando-os facilmente acessíveis aos próprios trabalhadores, como também a estudantes e outros interessados no assunto.

Os autores que integram a antologia faleceram há 70 anos ou mais e, por isso, suas obras são legalmente consideradas de domínio público. A exceção é Vinícius de Moraes (1913-1980), cujos herdeiros de direitos autorais liberaram antecipadamente parte da obra para publicações sem fins comerciais, por meio da Coleção Brasiliana (www.brasiliana.usp.br), do Instituto de Estudos Brasileiros, sediado na USP.

Outras informações podem ser obtidas com Juliana Soares, uma das estudantes organizadoras da antologia, pelo telefone (31) 8843-2865 e pelo e-mail lintrab@ufmg.br.

Clique aqui para Baixar o Livro

Fonte: Boletim Eletrônico da UFMG

Tadeu Martins - Itaobim – Vale do Jequitinhonha

Originalmente Publicado em Tertulia Pão de Queijo 

‘Seu’ Didico e dona Esmeraldina, pais de Tadeu Franco, tinham uma pequena fazenda em São Pedro do Jequitinhonha, e era lá que o filho estava passando uns dias para descansar das noitadas de cantoria no “Bem Bolado”, onde usava e abusava da bonita voz que Deus lhe deu, arrancando aplausos e elogios do povo de Teófilo Otoni.

Foi no ano de 1976, num sábado em que seus pais haviam saído para as compras em Itaobim, que Tadeu foi despertado às 10:00 horas (é madrugada para um cantor da noite), por fortes pancadas na porta da casa. Ainda tonto de sono, Tadeu foi atender e deparou-se com um homem de aproximadamente 50 anos, escuro, que usava chapéu e trazia uma grande sacola na mão. Tadeu não o conhecia. Era ‘Seu’ Zé, um lavrador que morava perto da fazenda, que foi logo cumprimentando o dono da voz mais bonita do Brasil:

- Boa, esse menino. Seu Didico mais dona Neném tão aí?

- Não Senhor. Eles estão em Itaobim, foram fazer a feira.

- Humm. Eles demora voltar né?

- Acho que sim. Só voltam mais tarde.

- Ocê é fi deles, num é?

- Sou sim senhor.

- Cumé sua graça?

- Tadeu.

- Huummm. Então ocê é o que gosta de cantar que eles fala. Cê num tem aí um cafezinho com leite?

- Tem não ‘Seu’Zé. Eles saíram muito cedo e não fizeram café.

- Humm. Nem um pedaço de requeijão?

- Tem não seu Zé.

- Um pedacinho de rapadura?

- Acabou seu Zé.

- Humm. Mais um biscoitinho avoador cê tem né?

- Também não.

- Me dá um pedacinho de bolo.

- Oh. Aí é que não tem mesmo. Só o senhor passando aqui mais tarde. Diz Tadeu, louco de vontade de voltar para a cama.

Mas o velho não arredou pé e voltou a luta: “Pelo menos uma fruitinha cê vai me dá”.

Tadeu já havia perdido a paciência e o sono, pois viu que não era fome que o ‘seu’ Zé sentia, pois ele estava com a sacola cheia de bananas maduras. Ele, Tadeu, é que já estava com vontade de pedir uma das bananas ao ‘seu’ Zé. Mas não pede, afasta-se do Pidão e vai entrando para a sala. O velho continua debruçado na janela e vê Tadeu pegar um vidro de colírio que estava em cima da mesa.

Tadeu levantou a cabeça e pingou duas gotas de colírio em cada olho. Quando abriu os olhos deparou com seu Zé, postado ao seu lado, chapéu na mão, cabeça erguida como se olhasse para o teto e pedindo:

- Ô Tadeu, pinga umas duas gotinhas disso aqui ne meus zóio então.

Tadeu, já sorrindo, pingou o colírio nos olhos do velho, que ficou alguns instantes com a cabeça para cima, os olhos fechados e a boca escancarada. Piscando muito, ele olha para o canto da sala e volta em seguida os olhos para Tadeu: “Ô moço, canta umas musgazinha pra nós iscuta”.

Tadeu Franco pegou o violão, cantou “Serafim e seus filhos”, música de Rui Mauriti, ouviu algumas estórias do velho Zé, e cantou mais duas músicas. Perdeu o sono e ganhou um grande amigo.

Hoje, quando ouve falar em Tadeu Franco, o velho Zé Pidão se desmancha em elogios: “Aquele fi de Didico é pêia. Ele agora tá cantando dentro dessas televisão tudo do Brasil”.

Fonte: Vievendo 

Categories: Cultura Gerais, Literatura

Bertold Brecht 

Eu vivo em tempos sombrios.

Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,
Uma testa sem rugas é sinal de indiferença. 
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses, 
Quando falar sobre flores é quase um crime. 
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça? 
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
Já está então inacessível aos amigos
Que se encontram necessitados?

É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nada do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado. 
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)

Dizem-me: come e bebe! 
Fica feliz por teres o que tens! 
Mas como é que posso comer e beber, 
Se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome? 
Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede? 
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria: 
Manter-se afastado dos problemas do mundo
E sem medo passar o tempo que se tem para viver na terra; 
Seguir seu caminho sem violência,
Pagar o mal com o bem,
Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los. 
Sabedoria é isso! 
Mas eu não consigo agir assim. 
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

II

Eu vim para a cidade no tempo da desordem, 
Quando a fome reinava. 
Eu vim para o convívio dos homens no tempo da revolta
E me revoltei ao lado deles. 
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a terra. 
Eu comi o meu pão no meio das batalhas, 
Deitei-me entre os assassinos para dormir, 
Fiz amor sem muita atenção
E não tive paciência com a natureza. 
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a terra.

III

Vocês, que vão emergir das ondas

Em que nós perecemos, pensem, 
Quando falarem das nossas fraquezas, 
Nos tempos sombrios
De que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes, 
Mudando mais seguidamente de países que de sapatos, desesperados! 
Quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos: 
O ódio contra a baixeza
Também endurece os rostos! 
A cólera contra a injustiça
Faz a voz ficar rouca! 
Infelizmente, nós, 
Que queríamos preparar o caminho para a amizade, 
Não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos. 
Mas vocês, quando chegar o tempo
Em que o homem seja amigo do homem, 
Pensem em nós
Com um pouco de compreensão.

Carlos Guimarães dividiu espaço com pessoas de cada cidade que participam do livro ‘Cronicas do Interior’


Se ler é viajar sem sair do lugar, no livro “Crônicas do Interior – Retratos de Minas” o percurso literário vai de um canto ao outro de Minas Gerais. De Uberlândia e as vizinhas Uberaba, Indianópolis, Prata e Monte Alegre de Minas até as cidades distantes como Montes Claros, Juiz de Fora e um lugar especial do Vale do Jequitinhonha, chamado Araçuaí. Dos 853 municípios mineiros, 20 foram escolhidos para a publicação do jornalista e produtor cultural Carlos Guimarães Coelho.

Em 40 dias de viagem, rodando cerca de 30 mil km pelo quarto maior Estado brasileiro, com 586.528 km quadrados, Carlos Guimarães e uma equipe de quatro pessoas, incluindo o fotógrafo Beto Oliveira, puderam captar histórias e imagens que mostram a diversidade de Minas Gerais. “Eu sempre tive orgulho de ser mineiro, mas não tinha noção que Minas fosse tão diversa. Aqui tem um pouquinho dos paulistanos, goianos, baianos e cariocas. A cultura é tão intensa, tanto na música, no artesanato, na dança, no teatro e na belezas das paisagens”, disse Carlos Guimarães.

PAISAGENS INDIANÓPOLIS 300x215 Livro Crônicas do Interior retrata peculiaridade de cada cidade, Araçuaí é contemplada O roteiro foi escolhido ao acaso sem privilegiar apenas cidades históricas ou de maior porte. Uma das experiências mais marcantes, segundo Carlos Guimarães, foi entre as cidades de Catas Altas e Santa Bárbara, a 120 km da capital, onde ele parou para conhecer o Santuário de Caraça. “É lindo. E ainda conhecemos cidades comuns, sem grandes atrativos turísticos, mas com sua história e sua gente.”

Para o fotógrafo Beto Oliveira, conhecer “Minas” foi como conhecer o Brasil. “Cada lugar, sua peculiaridade. Parecia que estava no Nordeste, no Rio de Janeiro, em São Paulo”, afirmou. Para ele, um dos destaques da viagem foi o Norte de Minas em franco desenvolvimento.

“Crônicas do Interior – Retratos de Minas” foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo, com patrocínio da Companhia de Telecomunicações do Brasil Central (CTBC), atual Algar Telecom.

Ideia surgiu em conversa com crítico

Sempre ativo nas questões Culturais de Uberlândia, Carlos Guimarães Coelho teve a ideia do livro depois de uma conversa, há cerca de seis anos, com o crítico do “Estado de Minas”, o jornalista Marcello Avellar, falecido em novembro de 2011. “Ele me deu a ideia de algo que trouxesse a diversidade de Minas Gerais e me ocorreu escrever este livro, o meu primeiro”, disse Carlos Guimarães.

Em uma fase de transição, quando acabara de fechar o Estação Cultura, espaço de música e artes cênicas que funcionou em Uberlândia nos anos 2000, o jornalista saiu pelo Estado em uma viagem desconhecida. Para não ficar só nessa empreitada, além de escrever sob o olhar estrangeiro sobre as cidades, o jornalista convidou pessoas naturais de cada local para deixarem um registro.

Veja a galeria de fotos de “Crônicas do Interior – Retratos de Minas”.

Segunda publicação do jornalista já está a caminho

No pique do primeiro livro, Carlos Guimarães Coelho lança, em um mês, a segunda publicação, “Nau à deriva – o teatro de Uberlândia de 1907 a 2011”, dessa vez com verba do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura. O livro é o resultado de uma pesquisa do jornalista sobre a história do teatro em Uberlândia, desde o Cine Theatro São Pedro – o primeiro cinema e teatro da cidade – até a atualidade.

Vários relatos dos momentos mais importantes das artes cênicas em Uberlândia, segundo o escritor, não são encontrados em outras publicações. Como é o caso de Cláudio Botelho, um artista araguarino que se mudou para Uberlândia com 1 ano de idade, onde, aos 17 anos, viu a primeira peça, “O Patinho Preto”, interpretado pelo Grupo Sesc no Uberlândia Clube e daí partiu para o sonho de viver da arte e hoje é considerado um dos principais nomes do teatro musical no Brasil. “Tenho uma ligação com o teatro desde criança. Trabalho com várias áreas da cultura, mas no teatro sempre foi mais intenso. Fui testemunha ocular de várias histórias que não foram publicadas”, disse Carlos Guimarães.

Saiba mais

“Crônicas do Interior – Retratos de Minas” está a venda, por R$ 19, na Livraria Nobel

Cidades visitadas

Uberlândia
Uberaba
Indianópolis
Estrela do Sul
Monte Alegre de Minas
Prata
Frutal
Poços de Caldas
Guaxupé
Itanhandu e Itamonte
São Thomé das Letras
Juiz de Fora
Lagoa Dourada
Tiradentes
Catas Altas e Santa Bárbara
Governador Valadares
Araçuaí
Montezuma
Montes Claros
Pirapora

Ficha técnica

Fotos de Beto Oliveira
Textos de Carlos Guimarães Coelho e escritores convidados:
Maurício Ricardo Quirino – Prefácio
Celso Machado – Uberlândia
Chico Marcos – Uberaba
Pedro Popó – Estrela do Sul
Ana Cristina Reis Faria Neves – Monte Alegre de Minas
Charles Ribeiro – Prata
Ivone Santana – Frutal
Cláudia Limma – Guaxupé
Celso Francisco Maduro Coelho – Itanhandú e Itamonte
Renata Neiva – Juiz de Fora
Dora Nascimento – Tiradentes
Luiz Gustavo Biló – Governador Valadares
Dostoievski Americano do Brasil e Raum Batista – Araçuaí
Wanderlino Arruda – Montes Claros
Geraldo Diniz – Pirapora

Arte produção
Maíra Coelho Pelizer
Maria Amélia Fernandes Pereira
Tuliano Dinato Vilela

Paginação e Projeto Gráfico
Wilson Vilela Gonçalves

Revisão
Ilma Morais

Impressão
Gráfica Brasil – Tiragem: 2,5 mil exemplares

Fonte: Correio de Uberlândia via Blog do Jequi; também publicado no Portal Aranâs.

Vermelho - Comunista e crítico feroz da ditadura e suas misérias, José Saramago não se deu ao luxo do descanso nem no túmulo. Dois anos após sua morte, o Prêmio Nobel de Literatura volta a ser notícia com a descoberta de um romance perdido: Claraboia. A obra, publicada no Brasil em novembro de 2011, está sendo lançada também na Espanha e Portugal. Não só: está prevista nova publicação de inédito do autor no final de 2012.

Saramago figura entre os escritores latinos mais lidos na América do Sul e no Caribe. Antes e depois de haver recebido o prêmio Nobel de Literatura, editoras cubanas e brasileiras imprimiram muitas de suas obras.

Escrito nos anos 1950, Claraboia sofreu censura por apresentar críticas ao regime ditatorial de Antonio de Oliveira Salazar. A editora portuguesa que recebeu os originais decidiu não publicar o texto por considerá-lo “duro e transgressor” para a época. Portugal vivia a ditadura salazarista e muitos de seus cidadãos, como Saramago, estavam enfrentando desde a clandestinidade ao exílio, além da repressão e violência policial.

A via-sacra de um manuscrito

O romance de Saramago sataniza em cerca de 300 páginas as convenções sociais e políticas dos anos 1950. A publicação póstuma atende a um desejo do escritor, que queria que o conteúdo de Claraboia fosse levado ao público após sua morte.

Sabe-se que o manuscrito foi entregue a um amigo em 1953. Esse o levou a uma editora, que deixou Saramago sem resposta até 1989, quando finalmente houve um contato, relatando que o livro havia sido encontrado durante uma mudança de suas instalações.

A primeira novela de Saramago, Terra de Pecado, havia sido publicada em 1947, e recebeu tanta crítica e indiferença que o autor não voltou a escrever outro livro durante 20 anos, segundo declarou sua viúva, Pilar del Río.

Pilar disse que Saramago chamava Claraboia de “livro perdido e achado no tempo”, do qual lhe mostrou uns cadernos com as anotações que fazia enquanto escrevia a novela, bem como o manuscrito original da obra e o recuperado, enviado à editora.

Uma luz inventada

Em 1952, ano em que escreveu o livro, Saramago tinha pouco mais de 30 anos, já estava casado e tinha uma filha. O autor enfrentava, então, grandes dificuldades econômicas e não tinha a quem recorrer, pois seu pai e avô integravam as filas de dezenas de milhares de portugueses analfabetos.

Sensibilizado pela situação particular e social, o autor recorreu a metáforas e ao realismo fantástico para criar o enredo do romance, no qual há um narrador que penetra pela claraboia de um velho edifício nas proximidades de Lisboa e converte em paredes de cristal toda a estrutura do imóvel, recriando no cenário inusitado as penúrias e a opressão reinantes.

É um livro no qual a família, pilar da sociedade, se apresenta como “um ninho de víboras” no qual há violação, amores lésbicos e maus tratos, segundo indica a apresentação da obra.

Saramago em Cuba

Defensor da Revolução Cubana em todas as tribunas, Saramago sentia orgulho por ter integrado as fileiras do Partido Comunista Português desde sua etapa clandestina e, depois, ter se incorporado à Revolução dos Cravos de 1974, movimento de militares e forças de esquerda que reinstalou a democracia no país lusitano.

Agora, a fim de ressaltar sua imortalidade nas letras, anuncia-se a publicação no final de 2012 de outra obra inédita: Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas. O título faz referência a versos do poeta e dramaturgo português Gil Vicente (1465-1536). A novela denuncia o armamentismo e o tráfico de armas no mundo.

Claraboia – sinopse

O romance se passa em Lisboa de meados do século 20. Num prédio existente em zona popular não identificada, vivem seis famílias. No térreo, moram um sapateiro com esposa e um caixeiro-viajante casado com uma galega e com um filho; um empregado da tipografia de um jornal com esposa e uma mulher solteira residem no 1º andar; uma família de quatro mulheres (duas irmãs e as duas filhas de uma delas) e outra formada por um empregado de escritório com esposa e filha adolescente residem no 2º andar.

A história tem início com uma conversa matinal entre o sapateiro, Silvestre, e a mulher, Mariana, que discutem a conveniência, ou não, de alugar um quarto que têm vago e, assim, conseguirem obter algum rendimento extra.

A conversa segue, o dia vai nascendo, a vida no prédio recomeça e o romance avança revelando ao leitor as vidas daquelas seis famílias da pequena burguesia lisboeta: os seus dramas pessoais e familiares, a estreiteza das suas vidas, as suas frustrações e pequenas misérias, materiais e morais.

O sapateiro acaba alugando o quarto vago para Abel Nogueira, personagem que incorpora as questões sociopolíticas e existenciais do autor, dando voz a um diálogo com Fernando Pessoa que, 30 anos depois, viria a ser o tema central do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis: “Podemos nos manter alheios ao mundo que nos rodeia? Não teremos o dever de intervir no mundo porque somos dele parte integrante?”

Claraboia: trecho ( versão em português de Portugal)

“Por entre os véus oscilantes que lhe povoavam o sono, Silvestre começou a ouvir rumores de louça mexida e quase juraria que transluziam claridades pelas malhas largas dos véus. Ia aborrecer-se, mas percebeu, de repente, que estava acordando. Piscou os olhos repetidas vezes, bocejou e ficou imóvel, enquanto sentia o sono afastar-se devagar. Com um movimento rápido, sentou-se na cama. Espreguiçou-se, fazendo estalar rigidamente as articulações dos braços. Por baixo do camisolão, os músculos do dorso rolaram e estremeceram. Tinha o tronco forte, os braços grossos e duros, as omoplatas revestidas de músculos encordoados. Precisava desses músculos para o seu ofício de sapateiro. As mãos, tinha-as como petrificadas, a pele das palmas tão espessa que podia enfiar-se nela, sem sangrar, uma agulha.

Num movimento mais lento de rotação, deitou as pernas para fora da cama. As coxas magras e as rótulas tornadas brancas pela fricção das calças que lhe desbastavam os pelos entristeciam e desolavam profundamente Silvestre. Orgulhava-se do seu tronco, sem dúvida, mas tinha raiva das pernas, tão enfezadas que nem pareciam pertencer-lhe.

Contemplando com desalento os pés descalços pousados no tapete, Silvestre coçou a cabeça grisalha. Depois passou a mão pelo rosto, apalpou os ossos e a barba. De má vontade, levantou-se e deu alguns passos no quarto. Tinha uma figura algo quixotesca, empoleirado nas altas pernas, em cuecas, o emaranhado dos cabelos enbranquecidos, o nariz grande e adunco, e aquele tronco poderoso que as pernas mal suportavam.

Procurou as calças e não deu com elas. Estendendo o pescoço para o lado da porta, gritou:

- Mariana! Eh, Mariana! Onde estão as minhas calças?

(Voz de dentro)

- Já lá vai!

Pelo modo de andar, adivinhava-se que Mariana era gorda e que não poderia vir depressa.

Silvestre teve de esperar um bom pedaço e esperou com paciência. A mulher apareceu à porta:

- Estão aqui.

Trazia as calças dobradas no braço direito, um braço mais gordo que as pernas de Silvestre. E acrescentou:

- Não sei que fazes aos botões das calças, que todas as semanas desaparecem. Estou a ver que tenho de passar a pregá-los com arame…

A voz de Mariana era tão gorda como a sua dona.”

Christiane Marcondes com informações da Prensa Latina e agências

Fonte: Diário de Liberdade; 

Por Eric Renan Ramalho*

O RIO DAS MINHAS MANHÃS

As mulheres tingidas da cor morena…
Ungidas de sal e de sol do suor
Desfilam por estreitos caminhos
Levando raminhos e cheiro de flor.

Umas carregam latas, talhas…
Vasilhas vazias ou cheias de dor.
Outras: bacias, tachos, troixas de roupas batidas.
E surradas na lida do seu amo e amor.

E assim o meu rio as recebe
E oferece água de alvejar
E lajedo quarador.

As cantigas ressoam fugazes.
Ao debulhar dos panos
Costuram-se prosas, rezas, risos e dor.

Joaquim Celso Freire**

A última “cheia” do rio Jequitinhonha trouxe uma boa nova para os moradores da cidade de Coronel Murta: a praia que havia sido levada bela hidrelétrica está de volta! Aproveitando esse ensejo, e dada a importância que a gestão rio Jequitinhonha assume para a manutenção da vida no município de Coronel Murta, essa postagem visa apresentar o quadro local da situação, destacando o ambíguo sentimento de euforia e apreensão que a comunidade local vivência em função do reaparecimento da praia no rio Jequitinhonha em consequência da enchente deste último verão.

Imagem do Rio Jequitinhonha, com o Morro do Frade ao Fundo ( Foto: Thiago Alves)

Situada às margens do Rio Jequitinhonha, Coronel Murta é cercada por uma extensa cadeia de serras altaneiras que, além de proporcionar belas paisagens, favorecem prática de esportes radicais. Além das Serras, a praia do rio Jequitinhonha atrai inúmeros banhistas de toda a região. Não são raras as vezes que moradores de cidades circunvizinhas visitam o município a fim de desfrutarem deste rico e belo patrimônio ambiental e fonte de lazer do qual a cidade dispõe. Essa praia também poderia ser aproveitada na prática de esportes radicais, como canoagem. Infelizmente a instabilidade na vazão do rio, decorrente da construção da Usina Hidrelétrica de Irapé, dificulta a prática de esportes coletivos, como Futebol, Vôlei e similares.  Esse potencial repercutiu positivamente e Coronel Murta conquistou visibilidade entre os municípios de seu entorno. Segundo matéria do Jornal Gazeta de Araçuaí [1], replicada nesse blog, a cidade está se transformando em um importante pólo para o Eco-Turismo.

Além de atrativo turístico, as águas dos Jequitinhonha são de importância basilar para a manutenção do município, pois a cidade se serve do rio como única fonte de água potável para o abastecimento local. E em diversas comunidades rurais o rio cumpre o importante papel de determinação natural da produção e reprodução da vida, conforme demonstra Laschefski e Zouri em comentário sobre comunidades ribeirinhas atingidas pela construção da Usina Hidrelétrica IRAPÉ [2].

As comunidades ribeirinhas se apropriam da natureza através de relações sociais baseadas no modo de produção artesanal, agricultura familiar, nos vínculos de parentesco e pertencimento ao território e nos valores fundados nessa interação com o meio ambiente. Elas entendem que a noção predominante de desenvolvimento não está associada ao seu intercâmbio com o Jequitinhonha; prezam pelos vínculos sociais e afetivos, produzindo os seus recursos ao longo de uma história de relações com a natureza. Segundo Laschefski e Zouri, o fato de as comunidades ribeirinhas não concordarem com o modelo de desenvolvimento imposto pelo grande capital não significa que elas não tenham sua própria noção. Em vez disso, segundo os pesquisadores, a rejeição

 aos projetos desenvolvimentistas não significa o desejo de estagnação ou de permanência em uma espécie de passado contínuo. Ao contrário, querem participar e produzir o desenvolvimento da região, mas com base nas condições locais, moldando o seu próprio destino [3].

Entretanto, ao julgo dos interesses de desenvolvimento vigente nos grandes centros esse modelo popular é bucólico, “romântico”, idealista e ineficiente. Pois não articula os mesmos empreendimentos e resultados econômicos empregados nas capitais. Para essa visão de mundo a agricultura familiar deveria ser substituída pela monocultura e a produção artesanal pela indústria pesada e de alta tecnologia.

Seguindo essa noção de desenvolvimento alguns investimentos foram empregados no Vale do Jequitinhonha.  Durante o período militar, época do chamado ‘milagre econômico brasileiro’, o governo investiu na monocultura de eucalipto substituindo o cerrado, sob alegações de que esse tipo de vegetação não era economicamente rentável. Nesse mesmo período se intensificou a mineração no Brasil. No vale do Jequitinhonha era vivenciado o rescaldo da extração de ouro e Diamante por via da mineração predatória que, como se sabe, revirava a areia do rio em busca de riquezas.Para a região ficou apenas os impactos ambientais como marcas fulcrais de um padrão de desenvolvimento que prescindiu da organicidade da vida que nela se desenvolveu.

Na década de oitenta, vítima do assoreamento progressivo ao longo de toda a sua extensão em decorrência da ação humana, o rio Jequitinhonha agonizava. Ainda ativas no alto curso do rio, além de provocarem o assoreamento, as dragas também poluíam as águas com mercúrio, um metal pesado e altamente tóxico utilizado no processo de extração do ouro (veja no Blog do Banu, matéria sobre o uso de mercúrio na garimpagem do ouro[4]).

Palco do Festival Ecológico Realizado em 1987. No centro da Foto, Saulo Murta (Saulinho) um dos organizadores do Evento

Em Coronel Murta os impactos foram sentidos e em resposta o município organizou o FESTIVAL ECOLÓGICO, que aconteceu às margens do rio Jequitinhonha em 1985, 86 e 87. Ao lado de outros eventos culturais do Vale, esse FESTIVAL foi citado durante um debate realizado no 29º FESTIVALE como um dos importantes espaços para se pensar a realidade da região, que infelizmente por falta de interesse político e/ou subserviência às “culturas da moda” foram impedidos de continuar a ser realizados ou perderam a envolvimento com as questões sociais [5].

Agora que as dragas já não existem mais, e passados os piores anos dos impactos decorrentes da mineração, nenhuma política ambiental na tentativa de revitalizar o Jequitinhonha foi realizada. Não bastasse isso, novamente interesses do grande capital se interpõem entre o curso natural do rio, interferindo nas relações socioculturais historicamente estabelecidas nesses quatro séculos de povoamento da região.

Em 1997 foi concedida licença prévia para a construção da Usina Hidrelétrica IRAPÉ (UHE-IRAPÉ), inaugurada em 2006 pela CEMIG [6]. Concebida como uma promessa de desenvolvimento para a região, esse empreendimento revelou-se um verdadeiro engodo – aliás, trata-se apenas de mais uma das muitas promessas vãs que o Vale do Jequitinhonha ouviu da boca dos políticos.

Com potencial para gerar 360 Megawatts de energia, até o presente momento a UHE Irapé em nada beneficiou as comunidades atingidas por ela. A energia produzida no vale é utilizada no abastecimento de grandes indústrias instaladas nos grandes centros. Além disso, várias comunidades ribeirinhas, cuja subsistência está associada ao ciclo de enchentes do rio, sofreram impactos em sua economia, conforme denuncia o Documentário “Os Atingidos de Irapé” (clique no link para ver o Trailer [7]).

Em coronel Murta, novamente foram sentidos os impactos das alterações ambientais no rio Jequitinhonha, uma vez que suas relações sociais nutrem um intimo elo com o ele. Algumas comunidades rurais dependem de suas águas para a agricultura familiar, o garimpo artesanal, a irrigação do plantio nas vazantes e das hortaliças nos quintais de casa. Na cidade, por sua vez, o Jequitinhonha é fonte de lazer, além do já mencionado abastecimento da cidade com água potável.

Depois da construção da UHE a vazão do rio aumentou consideravelmente e a praia, tida como potencial atrativo turístico e principal fonte natural de lazer da cidade desapareceu paulatinamente, prejudicando o município econômica e socialmente. As poucas porções de areia que restaram logo foram tomadas pela vegetação, tornando-se impróprias para o lazer. Obviamente, há que se considerar que o aumento da vazão constituiu um ganho para o rio, pois suas águas ganharam novo fôlego e o Jequitinhonha novo alento. Entretanto, se a preocupação girasse em torno da perenidade do rio Jequitinhonha deveriam ser empregados recursos na revitalização de seus afluentes, a preservação de nascentes de córregos e ribeirões. Como se sabe nada disso foi empreendido, indicando claramente que os interesses e os beneficiados são outros e de outras regiões.

A despeito de todos os impactos decorrentes da expropriação dos recursos naturais, as últimas chuvas trouxeram grande volume de água ao rio e com elas a antiga praia de Coronel Murta está de volta. O rio devolveu aquilo que os interesses estrangeiros levaram. Em todos os cantos da antiga Itaporé [7] pode ser sentida a euforia com a possibilidade de, depois de alguns anos, novamente acontecer um Carnaval com praia. Se isso de fato ocorrer, a cidade receberá muitos turistas que fomentaram a economia local, e a população terá ampliados os seus momentos de lazer. Porém, convive com essa euforia o medo de as expectativas serem frustradas, pois a vazão do rio se altera de acordo com as necessidades da UHE e a qualquer momento o rio pode subir, alagando a praia novamente e, talvez, levando-a definitvamente.

População de Coronel Murta protesta: CEMIG/IRAPÉ não acabem novamente com a praia em ITaporé

Ao longo deste artigo tentei demonstrar, ainda que de forma implícita, que o rio Jequitinhonha não é apenas um patrimônio ou um bem imaterial, mas uma categoria social profundamente enraizada na produção da vida e reprodução social no vale do Jequitinhonha. Inseridas neste gradiente teórico-prático as relações sociais estabelecidas entre a população de coronel Murta e o rio Jequitinhonha, bem como os impactos ambientais, carecem de ser amplamente discutidas a fim de vislumbrar políticas de preservação, bem como, conferir poderes de gestão de suas águas ao povo que delas depende.

Assim sendo, gostaria de chamar atenção da população local e circunvizinha para a necessidade de começarmos um amplo e profundo debate sobre a importância do Rio Jequitinhonha, e do meio ambiente como um todo, para a reprodução social do vale. Em coronel murta, apesar da euforia, até agora não se vê tentativas de mobilizar a população nesse sentido.  Apenas uma tímida tentativa de encampar um protesto via Facebook é o que vi de mais relevante em termos de discussão. Ainda no Facebook um grupo de discussões viceja a possibilidade de realizar um quarto Festival Ecológico, a fim de reviver aqueles da década de oitenta, porém, ainda sem colocar em pauta as questões ambientais e sociais. Ora, não seria esse o momento certo para as instituições competentes, prefeitura, vereadores, igrejas, católica e protestantes, e a sociedade civil se mobilizarem no esforço de insuflar ânimo a essas causas?

*Eric Renan Ramalho é natural de Coronel Murta, graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Coordenador da Associação de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha (ADVJ), Colaborador do movimento “A UFVJM É NOSSA!” e Administrador do Blog Onhas.

** O Poema o ‘Rio das minhas Manhãs’ foi gentilmente cedido pelo seu autor, o escritor natural de Coronel Murta, Joaquim Celso Freire, e será publicado em uma  antologia prevista para maio de 2012.

 Bibliografia e referências consultadas:

[1] VASCONSELOS, Sergio: Coronel Murta é a no ‘MECA’ do Turismo Ecológico, in Gazeta de Araçuaí, Disponível em http://blog.onhas.com/2011/09/coronel-murta-e-a-nova-%E2%80%9C-meca%E2%80%9D-do-turismo-ecologico/, última consulta em 04 de fevereiro de 2012;

[2]LASCHEFSKI, Klemens e ZOURI, Andréia: Desenvolvimento, água e mudança social: experiências no vale do Jequitinhonha, in Vale do Jequitinhonha: Desenvolvimento e Sustentabilidade, SOUZA, João Valdir e Nogueira, Maria das Dores Pimentel (org), PROEX/UFMG, Belo Horizonte, 2010;

[3] LASCHEFSKI, Klemens e ZOURI, Andréia, Idem, p. 186;

[4] SILVA, Selma Gonzaga, Ouro e Mercúrio: uma mistura perigosa, in, Blog do Banu, Disponível em: http://blogdobanu.blogspot.com/2011/09/ouro-e-mercurio-uma-mistura-perigosa.html, última consulta em 04 de Fevereiro de 2012;

[5] Relatório do Debate Realizado durante o 29º Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha, que aconteceu na Cidade de Jequitinhonha, em 2011. Este Debate contou com a presença de várias entidades sociais, políticas e culturais da Região;

[6] Usina Hidrelétrica de Irapé, in, Site do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientai (GESTA) – FAFICH/UFMG – disponível em http://www.fafich.ufmg.br/gesta/irape.html, última consulta em 04 de fevereiro de 2012;

[7] Atingidos por Irapé, Documentário sobre as Famílias atingidas Pela UHE – Irapé, Disponível em  http://youtu.be/QQqI3bvEUF4 última consulta em 04 de fevereiro de 2012;

[8] Itaporé é como o município de Coronel Murta era conhecido antes de sua emancipação política. De origem Tupi, o termo é composto pela junção de dois radicais ITA (pedra) e Poré (cachoeira), Cachoeira de pedra, alguns dizem que em função de existir muitos diamantes nas águas do Jequitinhonha. O nome atual é uma homenagem ao fundador do povoado Boa Vista do Jequitinhonha que deu Origem ao Município. Fonte: site da prefeitura Municipal de Coronel Murta: http//: http://www.coronelmurta.mg.gov.br/

[9] Documentário Antes e Depois da Irapé, Disponível em http://youtu.be/7BkvwBhW4zk, última consulta realizada em 07 de Fevereiro de 2012;

[10] Documento ‘ Os Sertões com Diamantes’: Do Vale e para o Vale, fundamentos para a demanda por pólos no vale do Jequitinhonha, organizado pelo Movimento ‘A UFVJM É NOSSA!”para apresentar demanda de campi universitários da UFVJM no vale do Jequitinhonha.

[11] Blog Aventuras no Jequi : http://aventurasnojequi.blogspot.com/, última visita realizada em 07 de Fevereiro de 2012

MARCO RODRIGO ALMEIDA

O poeta Fernando Pessoa aos 12 meses, aos 13 anos, na África do Sul, e adulto, em 1914

Quando morreu, em 1935, aos 47 anos, Fernando Pessoa tinha apenas um livro de versos em português, “Mensagem” (1934), e alguns poemas espalhados pela imprensa. Foi o suficiente para ser saudado como o “grande poeta de Portugal”.

Nas décadas seguintes, contudo, descobriu-se que isso era apenas uma ínfima parte da produção de Pessoa. Além de um conjunto de textos inéditos, veio à tona que os heterônimos iam muito além dos já conhecidos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Esse baú secreto ganha agora as páginas da “Fotobiografia de Fernando Pessoa”, livro com texto do americano Richard Zenith, especialistas em Pessoa, e organizado pelo português Joaquim Vieira.

O livro reúne mais de 400 imagens, incluindo fotos raras do poeta, sua família e amigos, além de manuscritos, diários, documentos, cartas e recortes de jornais.

Vieira pesquisou em arquivos de Lisboa para encontrar fotos dos lugares nos quais o poeta morou e trabalhou.

Zenith fez o mesmo em Durban (África do Sul), onde Pessoa viveu dos sete aos 17 anos. “Nenhum dos edifícios em Durban onde ele morou ou estudou existe hoje. Não foi nada fácil desencavar as fotografias”, conta Zenith.

Pessoa raramente se referia aos anos que passou em Durban, mas, para Zenith, é fundamental a influência dessa fase na obra do autor.

“A cultura e o ambiente de Durban, bastante europeu e mesmo anglo-saxônico, marcaram muito o rapaz. O sentido de humor de Pessoa é mais inglês do que português, por exemplo.”

Para os fãs do poeta, são muitos os atrativos. O primeiro poema conhecido de Pessoa, escrito aos sete anos, aparece transcrito. A vocação precoce também se manifestava nos jornais que criou, como “O Palrador” (1903).

Da fase adulta é possível ler as cartas trocadas com Ofélia, seu único relacionamento amoroso conhecido, manuscritos de poemas famosos e mapas astrais que fez para ele mesmo, seus heterônimos e seus autores favoritos, como Shakespeare.

Outro fato curioso relatado pelo volume diz respeito à censura sofrida por Pessoa em 1935, durante o Estado Novo português, por conta de um texto em que criticava o projeto de lei que visava suprimir a maçonaria.

Uma circular dos Serviços de Censura à Imprensa, emitida em fevereiro daquele ano e reproduzida no livro, proibia referências ao artigo.

FOTOBIOGRAFIA DE FERNANDO PESSOA
AUTOR Richard Zenith
ORGANIZAÇÃO Joaquim Vieira
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 67 (264 págs.)

Fonte: Folha Ilustrada; 

A proposta é contribuir para o fortalecimento da economia criativa no Estado, por meio de ações como a prestação de serviços em consultoria e assessoria, formação técnica em gestão, disponibilização de acesso a linhas de crédito, promoção de articulação institucional e fortalecimento de redes e coletivos.

BELO HORIZONTE (24/01/12) – O Ministério da Cultura (MinC) e a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (SEC-MG) lançam, nesta quinta-feira (26), em parceria com o Sebrae-MG, o programa Criativa Birô. A proposta é contribuir para o fortalecimento da economia criativa no Estado, por meio de ações como a prestação de serviços em consultoria e assessoria, formação técnica em gestão, disponibilização de acesso a linhas de crédito, promoção de articulação institucional e fortalecimento de redes e coletivos.

Na ocasião, a secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, assina convênio com a secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, para implantação do programa em Belo Horizonte, que terá sede no Palácio das Artes.

A partir desta iniciativa do MinC, a SEC, como gestora do programa, espera fortalecer este ramo da economia que engloba atividades que reconhecem na cultura, na inovação e na criatividade, suas principais matérias-primas, como as artes, a moda, o design, o artesanato, a arquitetura, o turismo, a gastronomia e a promoção de eventos culturais.

Para Eliane Parreiras, o Criativa Birô vem se integrar ao plano do Governo de Minas no fortalecimento da economia criativa e na articulação das diversas Secretarias como a de Cultura, Turismo, Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego e Agricultura, Pecuária e Abastecimento, entre outras.

A secretária prevê ainda que o Criativa Birô abrirá um novo leque de oportunidades para empreendedores criativos de Minas, que já produzem bens e serviços culturais de qualidade, mas que agora poderão contar com orientação técnica para ampliar o potencial de seu trabalho.

“Minas tem uma das produções culturais mais ricas do país, que já produz impacto positivo na economia das cidades. Com o Criativa Birô, queremos proporcionar um ambiente de troca de ideias e investimentos, capaz de abrir novas oportunidades de negócios que gerem renda e trabalho sustentáveis e, ao mesmo tempo, promovam a cultura mineira, a partir do fortalecimento e incremento da economia criativa, do mapeamento das cadeias produtivas da cultura, do estímulo à formalização profissional e ao crédito, bem como ao associativismo e a programas de fomento e valorização da identidade cultural do estado”, destaca Eliane Parreiras.

Investimento

Serão investidos R$ 1,5 milhão na implantação do Criativa Birô em Belo Horizonte, por meio de recursos do MinC, da SEC e do Sebrae-MG. A verba será aplicada na infraestrutura do espaço e na estrutura administrativa. A previsão é de que o Criativa Birô esteja funcionando em setembro deste ano.

Minas é o primeiro Estado do Sudeste a receber o programa Criativa Birô. Outros quatro centros foram instalados em diferentes regiões do país: Acre, Goiás, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

Palácio das Artes

Para a presidente da Fundação Clóvis Salgado, Solanda Steckelberg, o Criativa Birô encontrou, no Palácio das Artes, o ambiente ideal para seu funcionamento, pois o local é tradicionalmente reconhecimento pelos agentes culturais do Estado. “O Palácio das Artes já conta com todo o equipamento necessário para o Criativa Birô, além de ser um ponto de encontro de artistas”, ressalta.

Lá será montado um centro de apoio a empreendedores criativos, tanto da capital quanto do interior do Estado, onde serão prestados serviços de capacitação em habilidades empreendedoras. Também serão oferecidos cursos e oficinas de gerenciamento de projetos; captação e gestão de recursos financeiros; reconhecimento de oportunidades e marketing.

O centro dará apoio, ainda, nas áreas de produção, circulação e distribuição de bens culturais, assim como suporte para a formação de associações de profissionais e empreendedores criativos.

A economia criativa

O lançamento do programa Criativa Birô se enquadra na diretriz estabelecida pelo Governo de Minas para a área cultural, segundo a qual, o investimento em cultura é ferramenta de promoção do desenvolvimento humano, social e econômico.

Dentro dessa perspectiva, a Secretaria de Estado de Cultura estabeleceu como meta, o fomento à economia criativa, conceito que emergiu em Londres, na década de 90, e que propõe um novo paradigma para o papel do setor cultural no desenvolvimento das cidades e dos países.

Novos estudos mostram que as mudanças nos pilares da economia mundial fizeram emergir setores da economia baseados no talento, na inovação e na criatividade. Enquanto segmentos tradicionais trabalham para aumentar a competitividade de bens e serviços de características semelhantes, empreendimentos criativos ganham espaço no cenário econômico com trabalhos baseados na originalidade.

A produção de bens e serviços de valor imaterial, que refletem uma identidade cultural ou um valor artístico, conquista espaço em um mercado consumidor que busca, cada vez mais, identidade e autenticidade. Nesse cenário, ganham importância econômica, áreas como artes plásticas, teatro, dança, moda, design, arquitetura, gastronomia, turismo, audiovisual, produção cultural, desenvolvimento de softwares, entre outras.

O investimento nesses segmentos proporciona impactos positivos em diversas esferas, pois valorizam e promovem a identidade cultural da população; qualificam a relação dos cidadãos com o ambiente urbano; aumentam a circulação de bens, pessoas e ideias; geram renda e emprego de qualidade; entre muitos outros aspectos.

Fonte: Agência Minas;

Drica Guzzi começou a trabalhar na Escola do Futuro da USP, especificamente no Programa de Inclusão Digital do governo do Estado de São Paulo, o Acessa SP, em 2000, e os questionamentos que serviriam de base para sua tese de mestrado surgiram desta experiência. Guzzi percebeu um maior envolvimento nas questões públicas por quem participava do programa.

Além disso, a tese foi defendida em 2006 e a autora incluiu alguns acontecimentos que mostraram a força das redes sociais. A eleição do presidente norte-americano Barack Obama e projetos de inclusão digital brasileiros foram acrescentados.A dissertação “Participação Pública, Comunicação e Inclusão Digital” ampliou-se e deu origem ao livro “Web e Participação: A Democracia no Século XXI”. Para transformar o texto em material acessível e atualizado, Guzzi retirou os jargões acadêmicos e preparou uma apresentação maior sobre o estudo.

O objeto de estudo da pesquisadora foi o espaço democrático que a Web 2.0, ou a internet participativa, oferece. Suas análises focam, especialmente, as novas formas de fazer política, ou de agir politicamente, na rede e o reflexo disto fora dela.

Segundo Guzzi, a primeira etapa da e-participação é oferecerinformação, seguindo para escuta do público, solução de problemas e, por fim, estabelecer um compromisso ou acordo. A autora mostra como as características da internet estão intimamente ligadas ao conceito grego de democracia.

Utilizando exemplos bem-sucedidos, nacionais e internacionais, Drica mostra como o internauta pode participar efetivamente de discussões. Para isso, faz um estudo do projeto Fala São Paulo, canal de expressão utilizado pelos integrantes do Acessa SP.

No seu levantamento, observou como a inclusão digital desenvolveu uma maior participação pública na política.

“A ideia do livro é mostrar como as comunidades virtuais sem território e a imensa possibilidade de expressão permitida pela internet abrem um novo espaço para a comunicação transparente, tanto no nível local quanto no global, levando, potencialmente, a profundas renovações das condições da vida pública, ou seja, maior liberdade e responsabilidade de um indivíduo enquanto cidadão”, explica a especialista.

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Web e Participação: A Democracia no Século XXI
Autor: Drica Guzzi
Editora: Senac
Páginas: 160
Quanto: R$ 32 (preço promocional*)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Fonte: Site do Jornal Folha de São Paulo;

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