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Notícias do mundo Jequitinhonha

Archive for the ‘Educação’ Category

Municípios em torno de Almenara, Araçuaí e Salinas poderão ter instalação de Núcleos com 2 cursos técnicos

O Ministério da Educação está expandindo a sua rede de formação técnica para todos os municípios brasileiros. A Rede e-Tec está oferecendo cursos descentralizados dos antigos IFETs, instalando Núcleos de Ensino à Distância em pequenos municípios.

O IFNMG – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais estabeleceu uma parceria como Instituto Federal do Paraná, que tem now how nesta área. Serão atendidos os campi de Almenara, Araçuaí, Arinos, Januária, Montes Claros, Pirapora e Salinas

Cada campus está oferecendo a municípios na sua microrregião 8 cursos técnicos a serem instalados na na modalidade de ensino à distância. Os cursos são: Administração, Eventos, Logística, Reabilitação de Dependentes Químicos, Meio Ambiente, Secretariado, Segurança do Trabalho e Serviços Públicos.

Os cursos terão uma duração de 2 anos. Podem se matricular todo estudante que estiver cursando o ensino médio a partir do 2° ano ou já tiver concluído este grau de ensino. Serão oferecidas 40 vagas em cada curso que serão preenchidas a partir de um processo seletivo com provas de Língua Portuguesa e Matemática com conteúdos até o 2° ano do ensino médio.

O professor Ednaldo Liberato, Diretor Geral do Campus Araçuaí, informa que o município que se interessar deverá encaminhar um ofício demonstrando interesse em realizar uma parceria com a instituição federal. A contra partida de cada município será de disponibilizar uma sala de aula para 40 alunos e instalação de equipamentos para funcionamentos de aulas presenciais e tele-aulas. Os equipamentos tem um custo médio de R$ 4.300.

Portanto, o município terá uma contrapartida fixa inicial sem nenhum custeio posterior, a não ser os gastos com  água e energia. O custo é muito baixo tendo em vista os grandes benefícios a serem alcançados por tal projeto educacional, conclui o professor Liberato.

O professor de Física, Magno Barbosa, coordenador do Programa de Ensino à Distância, informa que o Núcleo terá três professores que farão orientação e acompanhamento pedagógicos aos alunos, sendo dois tutores e um Coordenador Geral, a serem selecionados por Chama Pública. Estes serão remunerados com uma bolsa oferecida pelo Ministério da Educação.

Como início de um trabalho, que pode se tornar permanente com a criação de novos cursos, a comunidade local poderá escolher 2 entre os 8 cursos relacionados acima. A previsão é de que as aulas sejam inciadas  em agosto de 2012.

Fonte: Blog do Banu;

Categories: Educação








16 de Maio de 2012 #44

 

 

Polo em ação

II Fórum da Mulher do Jequitinhonha

Acontecerá nos dias 24 e 25 de maio deste ano, na Associação Atlética Banco do Brasil – AABB – localizado próximo ao estádio municipal de Itaobim. O fórum tem como objetivo contribuir para o fortalecimento do movimentos de mulheres no Vale e contará com palestras e debates que irão discutir as vivências, o cotidiano e a condição feminina. Também está prevista entre as atividades, a leitura da Carta da Mulher do Jequitinhonha, que foi redigida no I Fórum da Mulher. Da mesma forma a edição deste ano resultará na elaboração da II Carta.

Saiba mais acessando os sites: www.itaobim50anos.com.br www.ufmg.br/polojequitinhonha

 

13ª Feira de Artesanato do Vale do Jequitinhonha

A 13ª Feira de artesanato ocorreu durante os dias 07 a 12 de Maio na Praça de Serviços da UFMG, campus pampulha. O Programa de Artesanato Cooperativo tem como objetivo promover um encontro entre a comunidade universitária, os belo-horizontinos e a cultura do Vale do Jequitinhonha. O evento trouxe a capital mineira um pouco da riqueza e diversidade das produções artísticas da região. A Feira de Artesanato representa, para os artesãos, uma oportunidade para divulgação dos produtos artísticos do Vale e ampliação do comércio. Já para o visitante foi uma chance de adquirir e apreciar materiais de argila, babu, cerâmica, couro dentre outros. A feira deste ano seguiu a mesma linha da 12ª edição,surpreendendo os expositores com uma arrecadação de mais de 175 mil reais, sendo que a arrecadação do ano passado foi de cerca de 170 mil.

Confira mais informações sobre a Feira no Portal do Programa Polo .

 

Polo na estrada

1º edição da Mangazine

Em breve será lançada a primeira edição da Mangazine, um informativo em forma de folderproduzido pelos jovens do projeto Assessoria de Comunicação Colaborativa Itaobim 50 Anos. A Mangazine tem como objetivo informar a população sobre os eventos realizados para comemorar os 50 anos da cidade de Itaobim. A primeira edição traz informações sobre o III Seminário de Cidadania LGBT, o II Fórum da Mulher do Vale do Jequitinhonha, 1º Leilão de Leite e Corte de Itaobim, Festa do Vaqueiro, Feira Agropecuária, Festas Juninas e Festivale. A publicação será produzida e distribuída trimestralmente.

Confira em breve versão digital no portal Itaobim50anos .

Aviso de Greve

SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR (ANDES-SN), entidade sindical de âmbito nacional, representativa dos docentes das instituições federais de ensino, respectivos graus e modalidades, no âmbito da seção sindical, “SINDIFAFEID”, dos docentes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) em cumprimento às exigências legais, vem, por intermédio da presente, avisar a toda a comunidade docente e discente e a população em geral que os docentes pertencentes à categoria, em função da deliberação tomada na reunião nacional do dia 12 de maio de 2012, e da decisão da assembleia geral realizada no dia 14 de maio de 2012 que será deflagrada greve nacional dos docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) à qual se incorporam os docentes da UFVJM a partir do dia 17 de maio de 2012. Comunica também que eventuais atividades que sejam consideradas essenciais deverão ser assim entendidas e negociadas entre a instituição e o comando local de greve, considerando suas especificidades.

15 de maio de 2012-05-15

 Wellington Oliveira

(Presidente da Seção Sindical)

Para Comunicação da Greve

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, considera que o fato de as imagens do clipe de divulgação da música “Kong”, do cantor Alexandre Pires, ser em tom de brincadeira “agrava ainda mais a situação”. A Procuradoria Geral da República de Uberlândia (MG) investiga denúncia de suposto racismo na música.

“É preciso considerar que a figura do macaco tem sido, historicamente, a mais utilizada para inferiorizar, desumanizar a pessoa negra, particularmente o homem. É disto que se trata o racismo – de desumanização”, afirmou a ministra à reportagem do UOL.

A ministra citou casos recentes, como a discriminação de um músico em um show de humor em São Paulo, da atendente de um cinema em Brasília, “sem contar o que acontece frequentemente com jogadores de futebol e outros atletas negros”.

“O fato de as imagens do videoclipe passarem um clima de brincadeira só agrava mais a situação”, acrescentou. Na opinião de Luiza de Bairros, no Brasil “há uma tendência de que o racismo seja praticado com máscara de brincadeira inocente”, o que dificulta a percepção de quem é discriminado e livra a prática da reprimenda social.

“Este caso nos obriga a lidar com certo ‘jeitinho brasileiro’ de manter o racismo existindo sem, no entanto, responsabilizar pessoas ou instituições por atitudes racistas”, disse.

A denúncia de racismo referente ao videoclipe, que conta com a participação do jogador Neymar e do funkeiro Mr. Catra, de homens fantasiados de gorilas e mulheres seminuas próximas a uma piscina, foi encaminhada à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, pelo Observatório do Racismo Virtual. O documento defende que o clipe tem conteúdos “comprometem as lutas do movimento negro na superação do racismo e no movimento das mulheres na superação do sexismo”.

Luiza Bairros explicou que, além do Ministério Público Federal, também receberam os ofícios a gravadora Sony Music, a Polícia Federal e as ouvidorias da Secretaria de Políticas para as Mulheres. “Cabe ao Ministério Público Federal convocar os envolvidos e decidir se há conteúdo racista no videoclipe ou não”.

Até o momento, o procurador da república Frederico Pelucci, responsável pelo caso, ouviu apenas o cantor Alexandre Pires. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal, o caso ainda está em processo de apuração e não há previsão de quando os demais envolvidos serão convocados para prestar depoimento.

Em nota, o cantor disse que se sentia profundamente chocado com qualquer leitura racista ou sexista no videoclipe. “Não me consta que meu histórico deixe alguma dúvida sobre o meu respeito à mulher ou ao negro, e a edição deste filme em nenhum momento faz brotar qualquer insinuação similar”.

A Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial contabiliza a abertura de procedimentos administrativos referentes a 254 denúncias de racismo apresentadas entre janeiro de 2011 e março de 2012. Segundo a ministra, todas as denúncias foram encaminhadas aos órgãos competentes para análise e providências cabíveis. “Geralmente, o acompanhamento dos casos é feito até o momento da propositura da ação judicial ou do arquivamento da denúncia”.

Sobre o cenário brasileiro com relação à discriminação racial, Luiza Bairros disse que “ainda há muito que andar”. “Mas o cenário atual é de crescente consciência de que temos que mudar as mentalidades. Temos que abrir o acesso a oportunidades para todos os grupos raciais.

Veja o Clipe Polêmico abaixo e deixe seu comentário: 


Fonte: Portal Uol Notícias

Autor: Will Nascimento

Originalmente Publicado no Blog do Will

Causada por diversos fatores, a violência já é considerada pela Organização Mundial de Saúde, um dos grandes problemas da Saúde pública. Para se ter uma ideia, cerca de 6% do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, são gastos de alguma forma com este fenômeno.

São inúmeros os debates a cerca do tema, sem conclusões satisfatórias. Voltado para o âmbito juvenil, o debate se torna ainda mais amplo. Sem rigores técnicos, vamos debater alguns fatores que precisam ser levados em conta nestes debates.

Em Pedra Azul, a situação não é diferente das demais regiões do país. Segundo dados do HEFA (Hospital Esther Faria de Almeida ), foram notificados 131 casos de Violências, que deram entrada nesta instituição. Estamos no quinto mês deste ano e já foram notificados 96 casos, valor igual a todo ano de 2009… Mas qual o motivo de tanta violência?

Nascemos e crescemos em uma sociedade que cultua a violência conscientemente e inconscientemente. Onde o herói do filme que assistimos, é o que mais assassina. O game mais vendido é aquele que se ganha matando mais pessoas e o personagem mais engraçado é aquele que agride fisicamente e psicologicamente os demais.

Outro ponto. A Violência é um fenômeno Social, portanto possui relações com outros fenômenos sociais: Educação, Saúde, Alimentação Lazer, Infraestrutura Urbana, etc… A ausência de políticas públicas satisfatórias para atender a estas necessidades da população mais carente (lugar de maior incidência de casos de violência), já é em sua totalidade uma grande violência, e ao mesmo tempo causador de outros tipos de Violência.

Combater os tipos de violência é outra tarefa um tanto quanto árduo. Entendo o sistema de segurança extremamente reativo, na ideologia do “Olho por Olho”. Os nossos governantes, vem entendendo combate a práticas violentas, como “polícias armados até os dentes”, “Câmeras de segurança”, “Caveirão e carros blindados no meio da rua”. Práticas que na sua maioria, mais prolifera do que combate.

Simplificando. Violência não é questão de caráter: Bem contra ou mal e precisa ser analisado em um contexto mais amplo. Aumentar o acesso da população a políticas básicas satisfatórias: Educação, Alimentação, Saúde, infraestrutura, justiça, ect… é, somado a outros fatores, uma grande porta de saída para o problema.

O certo é que o tema tem entrado nas pautas dos logradouros públicos e gerados debates. (apenas debates. Tecer opiniões é sempre o mais fácil a fazer…)

Por Alexandre Pilati*

Originalmente  Publicado em Outras Palavras. 

Nova coletânea de textos de Roberto Schwarz repõe em jogo a necessidade de pensar o Brasil a partir da politização da análise estética

Martinha versus Lucrécia (Cia das Letras, 2012), último livro do crítico literário Roberto Schwarz, chegou às livrarias mês passado e abasteceu os cadernos culturais de alguns de nossos periódicos com um saudável bafejo de polêmica, embora esta não tenha nem duração e nem aprofundamento garantidos, pois, nesses tempos pra lá de pós-modernos, de pauperização encefálica da grande imprensa, polemizar a sério é algo desconectado da fruição irrestrita do “curti/não-curti”, cada vez mais arraigada nos “melhores talentos” intelectuais brasileiros. De qualquer forma, a polêmica se justificou basicamente por dois motivos: 1) pela análise cerrada do ambíguo livro Verdade Tropical de Caetano Veloso e 2) pela, segundo alguns, injustificada insistência do crítico em interpretar a experiência histórica brasileira a partir de suas experiências culturais, especialmente aquelas provindas do campo da literatura, atualmente muito combalida como atividade estética de escavação do real. Se desde o título o livro de Schwarz carrega a marca do acirramento do debate, em chave dialética, não haveríamos de esperar outra coisa. Talvez esteja aí um pouco do seu mérito.

Para além do inquietar do Narciso pop tropical (Caetano deu entrevistas e aproveitou o espaço na mídia como sói acontecer desde a Tropicália) e dos narcisos da intelligentsia conservadora tropicaleira (que usaram a imprensa para esbravejar contra o vitupério que é um crítico literário ousar pensar sobre o país de um ângulo diferente do dos proprietários), o livro carrega o desafio de manter em dia e em boa forma o olhar dialético e prenhe de negatividade de Schwarz, após uma década ou duas que o tornaram quase um clássico da crítica literária acadêmica no Brasil. Diga-se, aliás, que nada poderia ser mais contrário à sua disposição antimetódica do que tornar-se jargão universitário. Esse é um dos motivos fortes para saudarmos a obra; motivo este que, é claro, o polemismo atacanhado dos últimos dias não captou nem de longe. Martinha versus Lucrécia dá ao leitor o velho crítico adorniano, em uma prosa amadurecida nos melhores exercícios da reflexão dialética. A sintaxe está elegante, irônica e alimentada impiedosamente pelas contradições, como se fosse uma chave que se adequa aos problemas novos que se impõem. A escolha dos textos contempla tanto a crítica literária, como entrevistas e “textos de intervenção” (prefácios, saudações, arguições). O painel é vário, mas a sua força está na unidade de disposição, que poderíamos resumir recorrendo a um meio de parágrafo do autor, em que se trata da tomada de partido histórica na análise da forma estética, a qual “seria um princípio ordenador individual, que tanto regula um universo imaginário como um aspecto da realidade exterior”.

No que se refere à crítica especificamente literária, o volume nos reconcilia com velhas “ideias fixas do crítico”, por meio da leitura de Machado de Assis em tratamento adensado noutro plano, pois que armado para o debate literário cosmopolita, como nos ensaios “Leituras em competição” e “A viravolta machadiana”. É basilar nesses dois textos a disposição para debater internacionalmente sobre a validade da obra machadiana, tentando fazer ver, em que medida radicalmente política, “os rearranjos em matéria e forma operados por Machado faziam que um universo ficcional modesto e de segunda mão subisse à complexidade da arte contemporânea mais avançada”. Com esses dois textos, Schwarz revisa Machado para o leitor de fora, escarafunchando um pouco os motivos falsos e frágeis de sua bela e recente aceitação no exterior. Mas revisando-o para o leitor estrangeiro, o crítico acaba por revisá-lo também para o leitor brasileiro, às vezes estranho ao Brasil, de tão emaranhado que está na mais nova moda crítica exógena.

É, todavia, o conjunto de textos que se segue à entrevista “Sobre Adorno” que esconde o detonador da polêmica que cercou saudação do livro. São três textos sobre literatura brasileira contemporânea, entre os quais o violento ensaio inédito sobre Verdade tropical. Por si só, o texto sobre o narrador volúvel de Caetano vale o ingresso e se sustenta sozinho. Contudo, bem pensado o seu lugar na economia do livro, ele funciona bem melhor quando se leem os dois ensaios que lhe fazem fila. Seria um despropósito pensar que os ensaios sobre O elefante, de Chico Alvim (“Um minimalismo enorme”), e sobre Leite derramado, de Chico Buarque (“Cetim laranja sobre fundo escuro”), estão colocados em sequencia como complementos críticos da análise sobre Verdade tropical? Creio que não, se pensarmos que nesses dois Chicos, Alvim e Buarque, paradigmas de um realismo vigente e furioso na literatura brasileira contemporânea, encontra-se uma correção em acorde negativo da mimese do contemporâneo diagnosticada por Schwarz na forma narrativa de Caetano. Se, no narrador deste, a posição de privilégio de classe atua em favor de uma postura narrativa que mescla diretrizes contrárias, em prejuízo da pesquisa estética das contradições da experiência (ou da verdade) tropical, naqueles, segundo o crítico, esta mesma posição se remonta, para ouvir e rearranjar, em ritmo derrisório e desencantado, as contradições brasileiras. Tudo engendrado a partir de uma perspectiva literária capaz de fender o sorriso ignóbil da farsa proprietária, tornando-o irremediavelmente escandaloso no país miserável do século XXI. Diria Chico Alvim: “Quer ver/ escuta”.

Com isso, estão ligadas “as duas pontas do novelo”: Machado e as letras do Brasil contemporâneo. A análise de Schwarz acerca do fenômeno machadiano baseia-se fortemente na capacidade que a viravolta formal dos romances de segunda-fase apresenta de dramatizar as contradições da perspectiva proprietária da história brasileira (e todas as suas implicações que tanto conhecemos intimamente). Não é difícil aproximar as leituras de Verdade tropical, O elefante e Leite derramado pois elas são faces da tendência do crítico a analisar a comédia de classes no Brasil a partir da equação literária da voz narrativa ou lírica dos protagonistas. Em Caetano, temos o bom e velho narrador conciliador, desejoso de ativar as potências e riquezas que jazem no Brasil atrasado, desde que isso não implique em democratização e socialização da cultura, pois seu ponto de vista dúbio caminha sempre a depender do sucesso de instauração de mecanismos intensificadores da indústria do espetáculo em terra periférica. De defensor da liberdade individual destinado a contar uma verdade (tropical?) a porta-voz refinado do neoliberalismo (é bom lembrar que o livro é de 1997) e da regressão artística, apresentada sempre em chave cínica de avanço e emancipação da arte tornada artigo pop: eis uma possível interpretação do caminho do narrador de Verdade tropical na perspectiva de Schwarz. O trocadilho é infame, mas irresistível – a verdade tropical é no fundo a verdade do-capital. Embora seja cáustico, não deixa de ser revelador da experiência brasileira pós-golpe. Assim se dá também no caso de Alvim e Buarque. Entretanto, as formas literárias aqui estão fazendo pouco do refinamento intelectual da nossa elite e reagindo à miséria periférica (aparatada com pseudomodernização), tornando problemáticas as próprias possibilidades de representação da história universal sob os mecanismos miméticos que essa mesma história legitimou e consolidou ao longo da formação brasileira. Sem verdade disponível, pois que ela está apropriada pelos impropérios da classe dominante, Buarque e Alvim buscam um mínimo, que no caso é enorme: como representar o irremediável da modernização à brasileira.

Monta-se assim o poliedro do duro problema da leitura do país a partir da literatura e vice-versa, com o selo da crítica dialética, comprometida com a materialidade das formas e da história, malgrado o pouco apreço de algumas “estrelas-alfa” (Bandeira em “Nova poética”) da nossa crítica. No ritmo da arenga criada por sua vinda a lume, a verdade dos proprietários literatizada vis-à-vis a análise da cultura brasileira interessada no conflito de classes, Martinha versus Lucrécia deve ser acolhido como ponto a favor desta; e com júbilo, por reativar, em diversos campos, algumas pulsões obscuras latentes no tropicalíssimo “legado de nossa miséria”.

*Alexandre Pilati é professor de literatura brasileira da Universidade de Brasília, autor, entre outros, de A nação drummondiana (7Letras, 2009).

PSDEMB

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Por Izaías Almada.

Originalmente Publicado no Blog da Boitempo Editorial 

"Fim e começo", de Lasar Segall (1928)

Enquanto a reforma política brasileira inspira a fantasia de inúmeros cidadãos e fica arquivada e esquecida em gavetas de Brasília, torna-se necessário, vez por outra, avaliarmos o quadro geral da República nessa área e nos debruçarmos sobre uma ou outra questão de inegável relevância.

Uma delas, em ano eleitoral, é a formação desse novo partido que, indicam as circunstâncias, se constituirá – mesmo diminuindo o número de seus representantes no Congresso a cada eleição – no arauto do atraso, profeta do passado, no exemplo da intolerância, no arrimo da imoralidade pública e privada. Trata-se do jovem Frankenstein dos nossos partidos, cujos remendos vão sendo costurados à medida que o país toma conhecimento da verdade sobre a grande conspiração entre bandidos da imprensa, bandidos do congresso nacional e bandidos de outras origens e atividades, também conhecidos por empresários de jogos ilegais.

Quando se pensa que chegamos ao fundo do poço da ignomínia e do deboche de honrados cidadãos, capazes que são de esticar a mão para dentro dos cofres públicos e recolhê-las para dentro dos próprios bolsos, os deuses da ética nos brindam com novas e patéticas novidades sobre o bloco dos bandidos do colarinho branco e de caráter bem sujo. Sobre o assunto, recomenda-se a leitura de A Privataria Tucana e os relatórios da PF sobre a operação Monte Carlo.

Saber que há grupos e corporações embaralhando e dando as cartas no jogo político e econômico do capitalismo, no jogo do público e do privado, não é propriamente uma novidade. Que se disputa o poder político seja através de eleições democráticas ou mesmo de revoluções populares ou golpes de estado, consoante o interesse a ser contemplado ou imposto, também isso é tão antigo quanto o próprio sistema e a história do homem. Logo, não seria nada espantoso para a atual sociedade brasileira mais essa investigação da Polícia Federal que veio à tona nas últimas semanas.

Contudo, ainda é possível a muitos de nós o sentimento de indignação ou, o que é pior, o amargor de nos sentirmos impotentes diante da pusilanimidade e do deboche com que certos políticos denigrem não só a sua própria imagem e a dos partidos que representam, mas – sobretudo – a natureza da atividade a que se dedicam como homens públicos e (na teoria, pelo menos) o de serem os guardiães dos princípios éticos e democráticos.

A ditadura de 1964/68 criou dois partidos políticos artificiais, Arena e MDB, apenas para dar ao país e talvez ao mundo a fugaz impressão de que a troca de generais e a existência de um congresso com dois partidos ali representados espalhassem a sensação de sermos uma ‘ditabranda’, segundo o neologismo criado por algum sociólogo de botequim…

De lá para cá o país foi governado dentro da cartilha neoliberal e a tal Aliança Renovadora Nacional, antes de se tornar PFL e agora DEM, deitou e rolou sob a proteção da força militar, com a ajuda de uma imprensa subjugada ou defensora de seus próprios interesses e do interesse de seus grandes anunciantes, da cooptação sistemática de acadêmicos e intelectuais, da destruição das garantias dos trabalhadores, da escravização para o trabalho no campo, do sucateamento do ensino e da saúde, da privatização de empresas públicas, a tal ponto que a eleição de um operário metalúrgico e uma ex-guerrilheira, com milhões e milhões de votos nas urnas, mesmo que com grande empenho da parte deles, ainda não foi capaz de quebrar a espinha dorsal de tal domínio.

Entre 1964 e 2012, duas novas gerações de brasileiros passaram dos bancos escolares à direção de empresas, de alunos a professores, de eleitores de primeira viagem ao conjunto de novos governantes nos níveis municipais, estaduais e federais, de filhos a pais, de pais a avós, de indiferentes a participantes ou vice e versa, juntando-se todos aos mais velhos com a sua experiência adquirida no pós guerra para uma caminhada cheia de esperanças e frustrações. Todos, absolutamente todos, a se informarem e a formarem opiniões a partir de jornais, revistas semanais e canais de televisão, de cujos editais escorre o veneno da injúria, mata-se a reputação de adversários políticos e concorrentes nos negócios privados e, sobretudo, públicos.

Nessa caminhada sobrecarregada de decepções nos campos da política partidária, onde o que menos importa em muitos casos é o interesse do país; no exercício da justiça, cujo palco é manchado pela vaidade e até pela corrupção de juízes apequenados; na correção mais implacável das mazelas sociais, com um grau nada desprezível de sucateamento na educação formal; na luta pela soberania do país contra a eterna falácia dos entreguistas, e com as ideologias se baralhando, programas de governo se distanciando dos seus objetivos, políticos a mudarem de partidos, partidos a mudaram de nomes, o país a mudar de fisionomia, sendo que nos últimos nove anos – sob alguns bons aspectos – até para melhor, mas ainda assim sem a convicção de que se pode mudar mais e com mais verticalização e segurança.

Não obstante, pesados os prós e os contras, não podemos perder de vista a estratégia do adversário, quando ela existe e, sobretudo, a do inimigo. A cultura do dinheiro e do sucesso a qualquer custo, a competição selvagem como alavanca para o progresso e para o desenvolvimento, a eliminação paulatina dos conceitos éticos, a mentira e a falácia como armas de convencimento e difusão de ideias, continuam a ser o manancial onde se abastecem a esperteza de maus políticos, da imprensa venal e da justiça de classe, esse triunvirato de imenso poder corrosivo sobre uma sociedade que ainda não conseguiu se descolar inteiramente do seu passado de país escravagista, monocultor, aculturado e dependente.

A educação formal no Brasil ainda não foi capaz, apesar de inúmeras tentativas, de criar mecanismos que apetrechem o cidadão, desde os primeiros bancos escolares, a refletir e entender os direitos e deveres do convívio social, de maior respeito ao coletivo, aos direitos do outro, do combate cotidiano ao princípio de ‘tirar vantagem em tudo’ e até de aceitar a corrupção dos amigos e combater a dos adversários ou mesmo inimigos. A cultura do ‘farinha pouca meu pirão primeiro’… Ainda há um caminho a percorrer, difícil, cheio de armadilhas, que requer paciência e perseverança no dia a dia, nas semanas e meses que passam, inexoráveis. As eleições municipais de 2012 vão retomar esperanças e oferecer ao Brasil nova oportunidade de outro passo à frente, de outra batalha contra os que insistem em olhar para um país que quer abandonar o lado mais escuro do seu passado.

E se há um partido político que representa no Brasil de hoje não só uma visão de passado e de retrocesso político, a que devemos todos estar bem atentos para não retroagirmos nesse pouquinho de democracia conquistada, nos avanços na área econômica e na defesa de nossa soberania, esse partido que junta o reacionarismo conservador ao discurso da modernidade neoliberalizante, atende no momento pela obscena sigla de PSDEMB.

***

Izaías Almada, mineiro de Belo Horizonte, escritor, dramaturgo e roteirista, é autor de Teatro de Arena (Coleção Pauliceia da Boitempo) e dos romances A metade arrancada de mimO medo por trás das janelas e Florão da América. Publicou ainda dois livros de contos, Memórias emotivas e O vidente da Rua 46. Como ator, trabalhou no Teatro de Arena entre 1965 e 1968. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras.

Reportagem de Carolina Gonçalves, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate,07/05/2012

Os brasileiros estão mais preocupados com o meio ambiente, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo os pesquisadores, que ouviram mais de 2 mil entrevistados com 16 anos ou mais, o índice de pessoas preocupadas com o assunto passou de 80%, em 2010, para 94%, em 2011.

Para mais da metade dos entrevistados, o problema mais grave é o desmatamento, seguido pela poluição das águas e pelas mudanças climáticas.

“Cinquenta e três por cento dos entrevistados defendem que o desmatamento da Amazônia seja a prioridade do Brasil entre as questões relativas ao meio ambiente”, diz o levantamento.

O documento ainda mostra que não há consenso da população sobre o maior responsável pela poluição ambiental. Quando questionados sobre a responsabilidade pelo aquecimento global, 38% dos entrevistados elegeram a indústria; mais de 20% apontaram o cidadão como o grande vilão ambiental; e, para 18% dos entrevistados, os governos tiveram a maior parcela de responsabilidade.

Ainda de acordo com a pesquisa, “a população não percebe grandes alterações, nos últimos anos, nas ações das empresas, do governo e da população em geral em prol da preservação ambiental”. Apesar disso, 71% dos entrevistados disseram evitar o desperdício de água e quase 60% garantem economizar energia.

A maioria dos brasileiros também disse estar disposta a pagar mais caro por produtos ambientalmente corretos, mas “apenas 18% efetivamente modificam seu consumo em prol do meio ambiente”.

O país do orgulho da miscigenação, apregoado por Gilberto Freire e Darcy Ribeiro, se deparou há alguns anos com uma questão espinhosa: a adoção de cotas raciais nas universidades.

Se falar de racismo no Brasil já era tabu, falar de cotas, então, se transformou num daqueles temas sobre os quais é melhor nem iniciar conversa. A menos que estejamos em um grupo onde todos são favoráveis ou todos contrários. Aí, sim, dá para desabafar os inconformismos, de um lado e de outro.

No documentário, questões seculares e mal-resolvidas da história do Brasil vão ressurgindo, tendo como pano de fundo a discussão das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura sócio-educativa do país.

“Raça Humana” foi vencedor da categoria Documentário, na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anisitia e Direitos Humanos, em 2010.

FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro: Dulce Queiroz
Edição e Finalização: Joelson Maia
Imagens: Claudio Adriano; Edson Cordeiro; André Benigno
Videografismo: Ernani Pelúcio
Produção: Pedro Henrique Sassi e Pedro Caetano
Trilha Original: Alberto Valerio
Coordenação Geral: Dulcídio Siqueira


Os migrantes são de Caraí, Vale do Jequitinhonha.

A Usina Dracena Açúcar e Álcool Ltda. e a empresa Ouro Verde Agrícola, ambas pertencentes ao mesmo grupo econômico, foram condenadas solidariamente pela Justiça do Trabalho de Dracena a indenizar trabalhadores por submetê-los a alojamentos precários e a falsas promessas de trabalho no interior de São Paulo. As empresas também ficam obrigadas a seguir a lei em relação a alojamentos para ruralistas.
O gato Paulo Prates do Nascimento, responsável pela vinda dos migrantes da cidade de Caraí, Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, também figura como parte na ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho em Presidente Prudente, e também sofreu condenação.

Em 2010, a Vigilância Sanitária de Panorama, cidade onde os migrantes ficaram alojados, flagrou 5 apartamentos habitados por mais de quarenta trabalhadores rurais, os quais não possuíam camas, colchões em quantidade suficiente, roupa de cama, higiene, entre outras irregularidades. O relatório, emitido ao MPT, aponta que os migrantes da cidade de Caraí (MG) dormiam em papelões e em colchões sujos e rasgados, em locais sem armários.
O MPT apurou que os trabalhadores não chegaram a iniciar a prestação de serviços, mas foram trazidos para trabalharem para a Ouro Verde Agrícola, que fornece cana para a Usina Dracena, a pedido do próprio grupo econômico. O gato Paulo Prates do Nascimento os havia trazido em ônibus clandestinos, e os obrigou a pagarem R$ 150 pela passagem.
Não houve início de prestação de serviços, mas houve promessa de emprego, que não se concretizou em virtude de circunstâncias alheias aos trabalhadores rurais, que foram enganados e que são as principais vítimas da história, inseridos num sistema de cooptação fraudulenta de mão de obra, com a participação da usina, que transfere a terceiros desprovidos de meios e recursos, a responsabilidade trabalhista e social que lhes caberia, afirmam os procuradores.
A usina, ao saber que os trabalhadores eram migrantes, se recusou a contratá-los, mesmo a empresa tendo realizado exame admissional em pelo menos 15 deles. Os procuradores de Presidente Prudente fundamentam na ação que há total responsabilidade do grupo econômico. Essa circunstância, por si só, independentemente da ciência da usina acerca da qualidade de migrantes dos trabalhadores rurais, atraem a responsabilidade civil e trabalhista pelos atos executados pelo terceiro, prestador de serviços do grupo usineiro, locados de ônibus para o transporte dos empregados rurais, uma vez que as empresas Usina Dracena e Ouro Verde Agrícola deveriam saber dos riscos que a delegação da função de recrutar e agenciar trabalhadores pode causar, notadamente pela absoluta idoneidade financeira e técnica do prestador de serviços, que aliciou a mão d eobra migrante, explicam os procuradores.

Alojamentos
Juridicamente, os procuradores utilizam-se do argumento de que os alojamentos dos trabalhadores são uma extensão do meio ambiente de trabalho, já que os migrantes vindos de outras partes do país lá se encontram em decorrência do serviço prestado à empresa contratante, e que o grupo usineiro tem total responsabilidade na vinda dessas pessoas ao interior de São Paulo.
A conjunção dos depoimentos tomados pelo MPT evidencia essa teoria. Embora as empresas requeridas neguem qualquer participação no episódio, os depoimentos deixam claro que a empresa conferiu ao senhor Paulo Prates do Nascimento poderes para agenciar e recrutar mão de obra, na verdade, obrigou-o a indicar trabalhadores rurais para completar o ônibus. Partindo-se desta premissa, a responsabilidade pelo que ocorreu com os trabalhadores desde a saída da cidade de Caraí até o presente momento, deve ser imputada às empresas, finalizam.
Obrigações da sentença
A sentença proferida pela Vara do Trabalho de Dracena obriga o grupo usineiro a realizar, em trinta dias, um levantamento das condições das moradias coletivas dos seus trabalhadores, providenciando a regularização dos alojamentos conforme a lei no mesmo prazo. Caso eles estejam fora do que exige a legislação, deve haver a mudança de moradias, sem custo para os trabalhadores.
As três partes acionadas (Usina Dracena, Ouro Verde e Paulo Prates do Nascimento) devem indenizar em R$ 300 os trabalhadores em relação às despesas de viagem que estes tiveram no trajeto de Caraí a Panorama, com correção monetária. Além disso, as partes devem pagar indenização por danos materiais referente às verbas rescisórias a que os trabalhadores fariam jus se tivessem sido registrados em carteira pelas empresas, contadas do dia em que chegaram até o dia em que retornaram para Caraí.
O grupo usineiro deve pagar R$ 5 mil para cada trabalhador pelo danos morais causados, além de R$ 100 mil ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por danos morais coletivos.
O gato Paulo Prates do Nascimento pagará indenização de R$ 1 mil para cada um dos quarenta trabalhadores, além de R$ 30 mil ao FAT por danos morais coletivos.
Fonte: Blog do Jequi; Jus Brasil
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